Jornal do Commercio - RS
Quase um ano depois de lançado o pacote gigante de encomendas da Petrobras, nenhum contrato com indústria naval brasileira foi assinado. Construtores e fornecedores demonstram preocupação diante da expectativa de novos atrasos, que poderiam comprometer a continuidade das atividades do setor, um dos que menos sentiu abalos da crise financeira internacional.
"Há demanda, há encomendas, a crise ainda não chegou. Mas tememos o futuro incerto, caso ainda haja uma demora muito grande para a assinatura dos contratos com a Petrobras", diz o proprietário de um estaleiro, que está concorrendo na licitação para o primeiro lote de 24 embarcações de apoio de um total de 146 que estão previstas para serem construídas no Brasil até 2013, sem considerar as atividades do pré-sal. Somente nesta etapa do pacote estavam previstos investimentos de US$ 5 bilhões.
Considerando a encomenda total, os investimentos da estatal superam US$ 60 bilhões. Um dos locais beneficiados é o dique seco, em Rio Grande, no qual devem ser construídos cascos para plataformas.
A encomenda dos barcos de apoio estava incluída no anúncio do pacote feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio do ano passado, em Niterói (RJ). Apesar de o fim desta primeira licitação ter sido previsto para setembro de 2008, os envelopes só foram abertos em janeiro deste ano e somente esta semana a Petrobras convocou os interessados nas obras para uma rodada de negociações. "O custo está apertado. Não há como cair mais", afirma um empresário do setor, que critica a postura da estatal de buscar uma redução de pelo menos 15% no valor de suas encomendas. "Os preços apresentados na licitação estão em linha com o mercado internacional. E, se houver atraso, a Petrobras terá que afretar embarcações de apoio estrangeiras para cobrir buraco, e que vão custar até 30% a mais", diz a fonte.
A Petrobras não comenta o assunto e, segundo sua assessoria, segue com negociações com o setor naval. Quando anunciou seu plano de investimentos para o período de 2009 a 2013, no valor de US$ 174 bilhões, a estatal anunciou que tinha a intenção de reduzir seus custos em pelo menos 15%. A ideia, afirmada pelo presidente José Sérgio Gabrielli, à época, era de que todas as obras previstas fossem mantidas, mas o custo fosse reduzido. "A estratégia da Petrobras em todas as suas encomendas está sendo convocar os que apresentaram propostas para poder negociar os preços. Se não consegue baixar o custo ao que ela pretende, cancela-se a licitação", comentou uma outra fonte ligada a outra empresa fornecedora.
Além das embarcações de apoio, o pacote gigante da Petrobras contém ainda 44 navios para transporte de petróleo e derivados, 40 sondas de perfuração de poços exploratórios e 10 plataformas de exploração para atuarem no pré-sal.
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