América do Sul

Petrobras aguarda as normas bolivianas

Gazeta Mercantil
30/01/2006 00:00
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Presidente da estatal só avaliará a situação após ter as informações do governo da Bolívia. A Petrobras não pretende comentar a decisão da Bolívia de recuperar duas refinarias de gás e petróleo que estão sob controle da estatal, enquanto não forem conhecidas as novas regras bolivianas sobre energia, a respeito das quais "não dispomos de informações". "Não temos uma posição" sobre esta decisão "porque não dispomos de informações sobre as normas", disse na sexta-feira em Davos à AFP o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

Por enquanto, "não há novas normas" bolivianas sobre gás e petróleo e "avaliaremos a situação" assim que chegarem ao nosso conhecimento, acrescentou o presidente da petrolífera, que participou do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, na Suiça

A Bolívia anunciou na quinta-feira um plano para recuperar duas refinarias da Petrobras e de cerca de vinte postos de serviço. "Este será o primeiro passo para dar um novo impulso à empresa", afirmou o novo presidente da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), estatal de petróleo da Bolívia , Jorge Alvarado, engenheiro socialista nomeado por Evo Morales, ao anunciar a "recuperação" das duas refinarias. Segundo fontes ligadas ao governo, em La Paz, não se trataria de mera nacionalização, mas de recuperar o controle do processo de produção e de comercialização.

"Somos uma grande companhia na Bolívia, somos produtores de gás boliviano e operamos em refinarias", disse em Davos o presidente da Petrobras, "o maior comprador de gás natural na Bolívia". "A Bolívia produz a metade do gás brasileiro, e tem um papel muito importante no mercado brasileiro de gás natural", acrescentou Gabrielli.

As duas refinarias operadas pela Petrobras em território boliviano estão localizadas em Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra, têm capacidade, em conjunto, para 60 mil barris diários, com uma produção média, atualmente, de 40 mil.

"Fraude contábil"

O ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz, afirmou na sexta-feira que a petrolífera espanhola Repsol cometeu "fraude contábil" ao registrar como suas as reservas de gás que explora no país. Soliz afirmou que está "profundamente satisfeito" com a decisão anunciada na quinta-feira pela empresa de reduzir suas reservas comprovadas em cerca de 25%, depois de revisar os números de seus negócios na Bolívia e na Argentina. "Com essa situação que ocorreu com a Repsol, foi dado um passo gigantesco na nacionalização dos hidrocarbonetos", acrescentou Soliz durante coletiva de imprensa.

A Bolívia avança em direção à nacionalização dos hidrocarbonetos prometida pelo novo presidente Evo Morales "na medida em que não são as empresas que vão determinar a administração de nossas reservas, mas sim o Estado", disse Soliz. O novo ministro afirmou ainda que o governo, que assumiu há menos de uma semana, definirá em curto prazo as primeiras medidas de sua estratégia quanto aos assuntos do setor de energia, que o próprio Morales pretende apresentar em mensagem ao país na próxima semana.

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