Estudo

Pesquisa mostra potencial do gás natural no Mato Grosso

Redação/Assessoria
14/06/2019 09:46
Visualizações: 2579

O Estado do Mato Grosso poderia substituir parcialmente o uso de eletricidade, diesel e óleo combustível por gás natural nos três setores que mais usam energia: agropecuária, transporte e indústria.

A conclusão é de um estudo feito no Centro de Pesquisa para Inovação em Gás (RCGI), um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) financiado pela FAPESP em parceria com a empresa Shell.

Segundo a proposta do grupo coordenado pelo professor Edmilson Moutinho dos Santos, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), o gás natural teria de ser transportado na forma de gás natural liquefeito (GNL) e distribuído em pequena escala – de 320 mil m³ por dia até 3,2 milhões m³/dia.

“Concluímos que há um volume potencial de gás de 2,1 milhões de m3/dia para substituição de diesel, óleo e eletricidade nos setores econômicos estudados e a maior parte do volume potencial de substituição está na atividade agrícola. A eletricidade e o diesel são os mais propensos a serem substituídos, pois o consumo dessas fontes é bastante relevante e o custo do transporte de GNL se mostrou competitivo”, disse Dorival Santos Jr, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, à assessoria de comunicação do RCGI.

Já a substituição do óleo combustível se mostrou menos competitiva, pois o preço e o volume consumido no Mato Grosso são inferiores aos outros dois energéticos avaliados, acrescentou Santos Jr. A maior taxa de substituição encontrada foi a do óleo diesel no setor agrícola (potencial para absorver aproximadamente 1,2 milhão de m³ por dia, que poderia ser usado, entre outros, no processo de secagem dos grãos); seguida pelo óleo diesel no setor de transportes (500 mil m³/dia).

A ideia do estudo, segundo Santos Jr., era responder perguntas como: qual o tamanho dessa substituição? Onde ela poderia ocorrer e qual seu custo, que inclui não somente a compra do gás, mas também os processos de liquefação do gás natural, o transporte em caminhões, a estocagem e a regaseificação do GNL para consumo?

Os cientistas dividiram o estado em cinco mesorregiões, de acordo com o preconizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e imaginaram um ponto geocêntrico em cada uma delas, equidistante das unidades que representam as principais atividades econômicas locais e com acesso a rodovias.

“Trabalhamos como se todo o consumo energético acontecesse naqueles pontos, o que não é real, mas é uma estratégia para fazer uma estimativa”, disse Santos Jr.

Celeiro brasileiro

Segundo o pesquisador, o Mato Grosso foi escolhido porque tem algumas particularidades. É o maior produtor de soja, algodão, milho e carne bovina no Brasil. Tem o 13º maior Produto Interno Bruto (PIB) entre as unidades federativas. E há um gasoduto de aproximadamente 280 quilômetros (km), denominado Gasoduto Lateral-Cuiabá, conectando a Bolívia até a capital do estado, Cuiabá (MT).

É um ramal do Gasbol [Gasoduto Bolívia-Brasil], com capacidade de transporte de aproximadamente 4 milhões de m³/dia, que sai da Bolívia e vai até o City Gate de Cuiabá [local onde a Companhia Mato-Grossense de Gás recebe o gás vindo da Bolívia], onde existe uma usina termelétrica – a UTE Mário Covas, com capacidade de 400 MW”, disse Santos Jr.

Praticamente todo o gás que chega por esse ramal tem como finalidade abastecer a termelétrica, comprada em 2015 pelo grupo J&F e hoje em estado de hibernação, por conta de complicações judiciais.

A ideia do grupo do RCGI é que o gás natural chegue a Cuiabá pelo gasoduto, passe por processo de liquefação no City Gate e, de lá, siga por via rodoviária para os pontos escolhidos nas cinco grandes regiões do estado. Para ser consumido, o gás deve ser regaseificado.

“Essa regaseificação poderia acontecer tanto nos pontos centrais das cinco mesorregiões quanto diretamente nos estabelecimentos consumidores do gás”, disse Santos Jr.

Para estimar o potencial de substituição do uso do GNL em Mato Grosso, a equipe analisou o balanço energético do estado divulgado pela Secretaria de Planejamento.

“Hoje, aproximadamente 60% do combustível consumido no Mato Grosso é derivado do petróleo, adquirido de outras regiões produtoras. O fato de o estado ter uma relevante fronteira com a Bolívia, país com umas das maiores reservas de gás da América do Sul, e de já haver um gasoduto construído até a sua capital representa uma vantagem logística para o aumento local do consumo de gás natural. Lembrando que, além das prerrogativas logísticas, o GNL tem vantagens ambientais frente aos demais combustíveis fósseis”, disse Santos.

 

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Evento
Fórum nacional debate expansão do biogás e do biometano ...
08/04/26
Curso
Firjan SENAI e Foresea assinam parceria para oferecer cu...
08/04/26
Posicionamento IBP
Taxação de 12% na MP1340 gera sobreposição tributária e ...
08/04/26
iBEM26
Entrevista exclusiva: Rosatom mira o Brasil e reforça pr...
07/04/26
Resultado
Porto do Açu garante R$ 237 milhões em royalties retroat...
07/04/26
Pessoas
Angélica Laureano é a nova Diretora Executiva de Logísti...
07/04/26
Biometano
ANP credencia primeiro Agente Certificador de Origem (AC...
07/04/26
ANP
Conteúdo local: ANP ultrapassa marco de 30 TACS
07/04/26
Cana Summit
Juros elevados e crédito mais restrito colocam fluxo de ...
07/04/26
PPSA
União recebe R$ 917,32 milhões por redeterminação de Tupi
07/04/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Preço médio da safra 25/26 supera o da tem...
07/04/26
Estudo
Brasil amplia dependência de térmicas, mas falta de esto...
06/04/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Partilha (OPP): ANP publica novo edital
06/04/26
Tributação
Infis Consultoria promove 4º Seminário Tributação em Óle...
06/04/26
Hidrogênio Verde
Estudo no RCGI mapeia regiões com maior potencial para p...
06/04/26
BRANDED CONTENT
Intercabos® lança novo site e concretiza presença no mer...
03/04/26
Diesel
Subvenção ao diesel: ANP inicia consulta pública de cinc...
02/04/26
GLP
Supergasbras realiza a primeira importação de BioGL do B...
02/04/26
Cana Summit
Setor sucroenergético avalia efeitos da Reforma Tributár...
02/04/26
Rio de Janeiro
Para Firjan juros em dois dígitos e rigidez fiscal barra...
02/04/26
Resultado
Com 5,304 milhões de boe/d, produções de petróleo e de g...
02/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23