Estudo das alternativas de localização do Estaleiro Promar Ceará, realizado por técnicos da Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF), apontam a praia do Pecém como a área mais apropriada para implantação do empreendimento naval no Ceará.
Diário do NordesteEstudo das alternativas de localização do Estaleiro Promar Ceará, realizado por técnicos da Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF), apontam a praia do Pecém como a área mais apropriada para implantação do empreendimento naval no Ceará. Avaliações qualitativas dos impactos ambientais, sociais, urbanísticos e de logística classificam a linha de praia do Pecém em primeiro lugar, com 96 pontos positivos, a foz do rio Coreaú, em Camocim, com 37 pontos positivos, seguidos das praias do Titanzinho, do Poço da Draga e do Pirambu, com 45, 64 e 92 pontos negativos, respectivamente.
Em termos de valores dos investimentos necessários para enrocamento (construção de espigões), aterro, drenagem e aquisição de terrenos, os estudos também apontam preferencialmente a praia do Pecém, sobre as áreas do litoral de Fortaleza. A linha de praia estudada no Pecém aparece em segundo lugar, com custos estimados, preliminarmente, de R$ 134,43 milhões, o equivalente a 34,5%, um pouco mais de um terço, dos R$ 389,25 milhões, calculados à Praia do Titanzinho.
Em Camocim, que apresentou o menor custo financeiro, seriam necessários R$ 100 milhões, na Praia do Pirambu, R$ 165,55 milhões e o Poço da Draga, R$ 207,45 milhões. Fornecido por uma fonte da Prefeitura, os estudos praticamente descartam Fortaleza, como opção à implantação do estaleiro e põe fim a uma novela que já dura dez meses e que aguarda apenas a cena final, a ser protagonizada pela prefeita Luizianne Lins, até a próxima sexta-feira.
Os valores presentes no documento foram confirmados na noite de ontem, pelo secretário Municipal de Infraestrutura, Luciano Feijão, para quem os números revelam que "a Praia do Pecém é considerada a mais adequada, por se situar no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), além do que atenderia as condições de maritimidade exigidas pelo equipamento".
Estudos preliminares
Segundo Luciano Feijão, os levantamentos realizados no Pecém, preveem a implantação do estaleiro em uma área de 100 hectares, sendo 60% à beira-mar, em faixa de praia, e 40% sobre aterro no mar. Conforme explicou, o aterro seria necessário para se alcançar a profundidade mínima de oito metros, exigida pela empresa sócia do estaleiro, a PJMR.
No Titanzinho, a nova área pesquisada, ao lado do paredão do "Titã", teria 83,2 hectares, totalmente no mar, e que exigiriam 2,55 milhões de metros cúbicos de enrocamento e 12 milhões de metros cúbicos de aterro. A área foi apontada recentemente como alternativa pelo próprio empresário, sócio do Promar Ceará, Paulo Haddad, durante sobrevoo com a prefeita Luizianne Lins. "Nosso objetivo com esse estudo foi determinar uma ordem de grandeza dos custos e dos impactos, sem precisão absoluta, considerando, sobretudo, os custos com enrocamento e aterro", argumentou Feijão, quando questionado sobre a disparidade dos custos encontrados pelos técnicos da Prefeitura no Pecém, de R$ 134, 43 milhões, ante o R$ 1 bilhão, inicialmente, apontado pelo governo do Estado e pela PJMR.
Ele próprio pondera que o Estado poderia estar trabalhando com custos de instalação do estaleiro, off-shorre, dentro do mar, cuja viabilidade financeira já foi descartada por todos.
Ele reclamou, no entanto, que a decisão da Prefeitura de realizar os estudos decorreu da necessidade de se conhecer a realidade dos números, dos custos e dos impactos no litoral de Fortaleza, previstos com a instalação do estaleiro. "Nós sempre requisitamos os estudos de viabilidade técnica e nunca nada nos foi apresentado", criticou o secretário, numa referência aos representantes do governo do Estado e da própria PJMR.
Inversão de valores
Nosso objetivo com o estudo, acrescentou Feijão, "é mostrar que as áreas apontadas como apropriadas para o estaleiro não são adequadas e aquelas ditas como inadequadas são adequadas". Para ele, ao longo do debate, "houve uma inversão de valores", corrigido agora pelo estudo, que revela que "o equipamento (estaleiro) é inadequado para Fortaleza". Segundo ele, os estudos foram realizados, ao longo de seis dias, por 17 técnicos das secretarias de Planejamento (Sepla), do Meio Ambiente (Seman) e de Infraestrutura (Seinf), com a colaboração do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-CE) e da Associação dos Profissionais em Geologia do Estado do Ceará (Apgece). Outra fonte próxima à prefeita, explica que a decisão final será apontada por ela.
Antes porém, Luizianne Lins pretende mostrar os estudos da PMF ao governador Cid Gomes e ao presidente Lula da Silva, com quem tem encontro agendado para a próxima quinta-feira, 17, em Brasília.
REBATENDO CRÍTICAS
Segundo o secretário de Luizianne, junho é a data agendada para a definição do local do empreendimento
Questionado por que a Prefeitura de Fortaleza demorou tanto tempo para realizar os estudos sobre a área do estaleiro, o titular da Seinf, Luciano Feijão, respondeu ontem, dizendo que o cronograma de instalação do equipamento está em dia. Conforme explicou, com base em documento disponibilizado pelo próprio empresário Paulo Haddad, o secretário revelou que junho é a data agendada para a definição do local, ficando previsto para os meses de agosto, o período para se conseguir com os órgãos de meio ambiente, as licenças ambientais prévias.
Entre setembro deste ano e janeiro de 2011é o período reservado, no cronograma de execução da PJMR, para obtenção da licença de instalação enquanto, paralelamente, realizaria, entre novembro de 2010 e março de 2011, os projetos básicos e detalhados de engenharia do empreendimento.
Início das obras
Se tudo corresse conforme o cronograma, a construção do Estaleiro Promar Ceará começaria em abril do próximo ano, devendo iniciar a produção do primeiro dos oito navios gaseiros, em janeiro de 2012. Em conformidade com o contrato a ser celebrado com a Transpetro, no dia 30 próximo, o primeiro navio terá de ser entregue pronto, em maio de 2013. "A Prefeitura está em dia com os prazos", retrucou Feijão, informando que os estudos foram entregues a Paulo Haddad, na quarta-feira da semana passada. (CE)
Fonte: Diário do Nordeste (CE)/CARLOS EUGÊNIO
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