Balanço
Valor Online
Depois de cinco anos sem divulgar balanços realizados de modo independente, a estatal venezuelana PDVSA anunciou seus números nesse final de semana em Caracas. Apesar dos preços recordes do petróleo, o seu faturamento caiu.
A empresa, cujo faturamento equivale a cerca de um terço do PIB da Venezuela, não mostrava seus números desde a greve política que paralisou suas atividades entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2003. No balanço divulgado hoje (01/04), foram discriminados os resultados ano a ano desde 2003.
O faturamento operacional da PDVSA caiu de US$ 99,2 bilhões para US$ 96,2 bilhões entre 2006 e 2007, ainda que o lucro líquido tenha subido de US$ 5,4 bilhões para US$ 6,1 bilhões. Segundo o relatório, a diminuição da receita se deu em razão da decisão da empresa de diminuir seus investimentos na rede de distribuição nos EUA. O país representa metade das vendas externas da PDVSA. A Venezuela procura abrir novos mercados para reduzir essa dependência.
A PDVSA também reduziu a sua produção de petróleo em 2007. O volume anual de barris de óleo por dia caiu de 3,2 milhões em 2006 para 3,1 milhões no ano passado, sendo que, desde total, 2,3 milhões são de produção própria e o restante oriundo das parcerias da PDVSA com outras empresas.
Os resultados da PDVSA são inferiores aos da Petrobras, uma empresa com produção, reservas e capacidade de refino menores. No ano passado, a estatal brasileira divulgou que teve uma receita operacional líquida equivalente a US$ 97,3 bilhões, com um lucro líquido de US$ 12,2 bilhões, o dobro do obtido pela PDVSA. O plano de investimentos da Petrobras para os próximos cinco anos também é maior que o da estatal venezuelana: tem projetos que vão consumir o equivalente a US$ 112,4 bilhões, enquanto a PDVSA promete aplicar US$ 78 bilhões até 2012.
Em 2007, a PDVSA fez diversas captações no exterior. Seu endividamento de longo prazo passou de US$ 2,2 bilhões para US$ 13,1 bilhões entre 2006 e o ano passado. Deste total, US$ 7,5 bilhões são oriundos da emissão de bônus e US$ 3,5 bilhões de empréstimo da agência de fomento japonesa JBIC.
A empresa detalhou ainda seus gastos com o financiamento da política social do presidente de Hugo Chávez, pivô da crise que provocou a greve de 2002. Os gastos com os programas sociais, denominados " missões " pelo governo, que eram de US$ 14 milhões em 2002, pularam para US$ 4 bilhões em 2006 e US$ 5,7 bilhões no ano passado. Mais da metade deste total (US$ 3,2 bilhões) é gasto com a missão Barrio Adentro, de universalização do atendimento em saúde. A empresa gastou no ano passado US$ 916 milhões com a manutenção de supermercados populares da rede Mercal e US$ 1,4 bilhão em programas de habitação e fomento agrícola.
Além do desembolso com as missões, a PDVSA transferiu US$ 6,7 bilhões em 2007 para o fundo de desenvolvimento Fonden, destinado por Chávez a programas de infra-estrutura, como a expansão do metrô de Caracas.
Somando as transferências referentes a programas sociais e de infra-estrutura, royalties e tributos, o fluxo de recursos da PDVSA para o governo subiu de US$ 9,4 bilhões em 2003 para US$ 27,2 bilhões em 2006 e US$ 29,7 bilhões no ano passado. O faturamento da PDVSA não subiu na mesma proporção. Em 2003, era de US$ 45 bilhões. Houve uma alta de 112%, ante 213% das transferências para o governo.
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