Energia

Participação da energia eólica na matriz nacional pode chegar a 15% em 2020

Hoje essa participação é de 0,8%, e deverá atingir 7% em 2020, conforme prevê o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDEE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Para o predidente da Abeeólica, Ricardo de Maya Simões, a tecnologia não está consolidada no país. De acordo com ele dever

Agência Brasil
15/08/2011 09:32
Participação da energia eólica na matriz nacional pode chegar a 15% em 2020 Visualizações: 418
A participação da energia eólica (dos ventos) na matriz energética brasileira, que hoje está em 0,8%, deverá atingir 7% em 2020, conforme prevê o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDEE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo de Maya Simões, considera o número modesto.

Segundo ele, o setor pode ter participação, em 2020, de 15% na matriz energética. Para isso, de acordo com Simões, é necessária a realização de leilões exclusivos, além da busca do domínio tecnológico. “Com leilões exclusivos, você obtém ganhos de escala para que, quando os mercados tradicionais, como a Europa e Estados Unidos retomarem, você tenha uma indústria consolidada, para poder manter a competição dessa fonte.”

Para o predidente da Abeeólica, a tecnologia não está consolidada no país. “O Brasil precisa dominar essa tecnologia”. Com esse objetivo, a entidade está trabalhando na construção de uma rede de pesquisas que irá culminar na criação de um centro de pesquisas de energia eólica. Para isso, foi contratada a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). A instituição fará um estudo sobre como deverá ser essa rede.

No final de setembro, a associação promoverá uma reunião da qual participarão os vários segmentos interessados no projeto: governo, fabricantes, institutos de pesquisa. O objetivo é tentar viabilizar a rede de pesquisas ainda este ano, para definição posterior do centro de energia eólica. Simões acredita que o centro iniciará as operações entre 2012 e 2013. Ainda não está decidido, também, se o modelo de gestão do centro será público, privado, ou misto, envolvendo uma parceria público privada (PPP). “Vai depender de como evoluirá essa rede de pesquisa.”

No final deste mês, será iniciada, no Rio de Janeiro, a segunda edição da Brazil Wind Power, congresso e feira do setor eólico promovidos pela Abeeólica e pelo Conselho Mundial de Energia Eólica. O evento reunirá os principais executivos e autoridades do setor, além de fabricantes instalados no país e representantes da comunidade científica, para debater questões como a sustentabilidade, o meio ambiente e energias renováveis.

Ricardo Simões avaliou que a tendência é de expansão das energias renováveis no mundo, com destaque para a eólica. Ele acredita que os países têm de se preocupar com a sua independência energética.

“Não é bom ter o preço da energia variando ao sabor do mercado de commodities [produtos primários com cotação internacional ], como o petróleo e o gás natural.” Ele acrescentou que, à medida que existe uma preocupação mundial com o aquecimento global e a não emissão de gases de efeito estufa, a energia eólica “tem um destaque natural de ocupar cada vez um espaço maior na matriz de energia do mundo”.

Além das regiões Nordeste e Sul, onde é mais forte a presença de ventos e, em consequência, de usinas eólicas, estudos que vêm sendo feitos poderão apontar, “em futuro breve”, o estado de Minas Gerais como um novo potencial a ser explorado, informou Ricardo Simões.


Leilão exclusivo para eólicas poderia reduzir preço para o consumidor

Ricardo de Maya Simões vê com “muita apreensão” os próximos leilões de energia A-3 (com início de suprimento três anos após a contratação) e de reserva, programados para os dias 17 e 18 deste mês.

“O governo colocou todas as fontes [nos leilões] para competir, e nós entendemos que deveria haver um leilão exclusivo para [a energia] eólica”, disse à Agência Brasil. Um total de 240 projetos de parques geradores eólicos foi habilitado para os leilões, correspondendo a uma oferta de 6.052 megawatts (MW) de energia.

De acordo com Simões, 6 mil MW de potência instalada geram competição suficiente para não comprometer a modicidade tarifária. “[Eles] proporcionam a existência de um mercado que precisa se expandir, para consolidar essa atração de investimentos e de fabricantes de aerogeradores e componentes [para o fornecimento] de energia eólica que estão vindo para o Brasil por causa dos leilões.”

Segundo o presidente da Abeeólica, essas indústrias estão se instalando no Brasil porque veem o país como uma janela de oportunidades, uma vez que nos mercados tradicionais, como a Europa e os Estados Unidos, há retração da demanda. Em contrapartida, o Brasil contratou 4 mil MW entre dezembro de 2009 e agosto de 2010.

Simões destacou a necessidade de consolidação desses investimentos. “Estamos preocupados com a consolidação do setor [eólico], das indústrias e desses empregos. Então, a gente defende que o leilão deveria ser exclusivo para [energia] eólica, por isso, estamos apreensivos com a concorrência, notadamente com o gás natural.”

Ele acredita que um leilão específico para energia eólica poderia resultar em redução de preço para o consumidor final. “Vamos tomar como exemplo o leilão de 2009. Ele teve um deságio gigantesco e era exclusivo para energia eólica. Existe uma concorrência no próprio setor que proporciona a queda de preço.”

Realizado em dezembro de 2009, o primeiro leilão de energia eólica no Brasil obteve preço médio do megawatt de R$ 148,39. O valor foi 21,5% inferior ao teto fixado pelo Ministério de Minas e Energia.

A potência eólica instalada no Brasil é, atualmente, 1 gigawatt (GW) ou o equivalente a mil MW. Até 2013, esse número deverá evoluir para 5 mil MW, em função dos leilões, disse Simões. Ele observou que o resultado dos leilões da próxima semana poderá levar a um crescimento ainda maior da capacidade instalada projetada.

Os investimentos previstos pelo setor eólico alcançam R$ 25 bilhões até 2013.
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