Economia

Países árabes vendem quase 40% do petróleo importado pelo Brasil

Isso deixa para trás exportadores como África e Estados Unidos.

Valor Econômico
31/10/2012 12:19
Visualizações: 914

 

O petróleo árabe ganha espaço entre os fornecedores de combustível para o Brasil e já representa quase 40% de todo o óleo importado pelo país, deixando para trás mercados exportadores tradicionais, como países da África e Estados Unidos.
De janeiro a setembro deste ano, a importação total brasileira de petróleo cru diminuiu 4,3% em volume na comparação com igual período do ano passado. Os produtores árabes, no entanto, elevaram em 31% as vendas para o Brasil e faturaram US$ 4 bilhões. Movimento semelhante aconteceu com os derivados de petróleo, mas em menor intensidade: com queda de 5,8% no volume total, os árabes ainda conseguiram vender 2,7% mais no mesmo período.
"O petróleo árabe é mais leve e de melhor qualidade, e as refinarias brasileiras estão mais ajustadas ao produto mais limpo", afirma Michel Alaby, diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Para ele, há um segundo fator para explicar a mudança de fornecedor. "Também pode ser uma estratégia para facilitar as exportações brasileiras de outros produtos a esses mercados. A Petrobras tem projetos na região, como em Marrocos. A Vale tem interesses em Omã, por exemplo, e a BR Foods tem estratégia de distribuir alimentos processados na área".
Em relação aos derivados, a maior utilização das refinarias brasileiras este ano e a baixa capacidade de refino árabe estão por trás de números mais tímidos do que o petróleo bruto, segundo analistas.
Este ano, o Brasil importou US$ 21,9 bilhões em petróleo e derivados em todo o mundo, valor 1,8% menor do que ano passado, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento. A Liga Árabe, por outro lado, vendeu US$ 6,7 bilhões, valor um quarto maior do o registrado entre janeiro e setembro de 2011.
A Nigéria continua sendo o maior fornecedor brasileiro de petróleo, apesar de registrar recuo na participação de mercado. Vendeu US$ 5,9 bilhões, US$ 500 milhões a menos que no ano anterior. Os Estados Unidos também venderam menos, assim como Guiné Equatorial e Peru. Angola e Congo não exportaram uma gota do produto ao Brasil em 2012.
Em contrapartida, Arábia Saudita (US$ 2,4 bilhões) e Argélia (US$ 862 milhões) ganharam espaço e hoje são os segundos e terceiros maiores fornecedores, respectivamente. O Iraque manteve o nível de US$ 650 milhões em vendas e permaneceu em quarto lugar entre os exportadores para o Brasil.
Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o petróleo é usado como arma nas estratégias comerciais dos países. "Ao mesmo tempo em que o Brasil passa a importar mais dos árabes, abre-se espaço para a exportação. A Nigéria é um grande fornecedor, mas a contrapartida dela em termos de comércio exterior é muito pequena", diz.
A especificidade política dos países árabes facilita esse movimento, afirma Castro. Segundo ele, os chefes políticos de países como Arábia Saudita, Qatar e Omã detêm o controle das empresas locais e escolhem os fornecedores. "O Brasil é superavitário com esses países e faz isso exatamente para contrabalançar o comércio".
De janeiro a setembro, o Brasil registrou um superávit de US$ 2,2 bilhões com a Liga Árabe, bloco formado por 21 países, entre eles Argélia, Sudão, Egito, Arábia Saudita e Iraque. Além disso, a estratégia de conseguir contrapartidas por meio do petróleo também vale para os vizinhos do Brasil. A Argentina, que ano passado não aparecia na balança do produto cru e vem colocando barreiras à manufatura brasileira, vendeu este ano US$ 193 milhões em petróleo.
Nos derivados de petróleo, como diesel, gasolina e querosene, também há aumento da presença da Liga Árabe e diminuição de outros países. O ritmo é menor em função de uma estratégia da Petrobras, de acordo com Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Neste ano, a empresa aumentou de 90% para 97% da capacidade máxima a operação nas refinarias, ajudando a segurar um pouco o nível de importação, que vem crescendo desde o ano passado. pressionado por forte demanda.
"O Brasil precisa produzir muita gasolina. Quando mais leve o petróleo que você importar, mais consegue-se extrair. Além do aumento do nível de operação nas refinarias, importou-se mais nafta, que é utilizado para o refino dos combustíveis", afirma Pires.

O petróleo árabe ganha espaço entre os fornecedores de combustível para o Brasil e já representa quase 40% de todo o óleo importado pelo país, deixando para trás mercados exportadores tradicionais, como países da África e Estados Unidos.


De janeiro a setembro deste ano, a importação total brasileira de petróleo cru diminuiu 4,3% em volume na comparação com igual período do ano passado. Os produtores árabes, no entanto, elevaram em 31% as vendas para o Brasil e faturaram US$ 4 bilhões. Movimento semelhante aconteceu com os derivados de petróleo, mas em menor intensidade: com queda de 5,8% no volume total, os árabes ainda conseguiram vender 2,7% mais no mesmo período.


"O petróleo árabe é mais leve e de melhor qualidade, e as refinarias brasileiras estão mais ajustadas ao produto mais limpo", afirma Michel Alaby, diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Para ele, há um segundo fator para explicar a mudança de fornecedor. "Também pode ser uma estratégia para facilitar as exportações brasileiras de outros produtos a esses mercados. A Petrobras tem projetos na região, como em Marrocos. A Vale tem interesses em Omã, por exemplo, e a BR Foods tem estratégia de distribuir alimentos processados na área".


Em relação aos derivados, a maior utilização das refinarias brasileiras este ano e a baixa capacidade de refino árabe estão por trás de números mais tímidos do que o petróleo bruto, segundo analistas.


Este ano, o Brasil importou US$ 21,9 bilhões em petróleo e derivados em todo o mundo, valor 1,8% menor do que ano passado, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento. A Liga Árabe, por outro lado, vendeu US$ 6,7 bilhões, valor um quarto maior do o registrado entre janeiro e setembro de 2011.


A Nigéria continua sendo o maior fornecedor brasileiro de petróleo, apesar de registrar recuo na participação de mercado. Vendeu US$ 5,9 bilhões, US$ 500 milhões a menos que no ano anterior. Os Estados Unidos também venderam menos, assim como Guiné Equatorial e Peru. Angola e Congo não exportaram uma gota do produto ao Brasil em 2012.


Em contrapartida, Arábia Saudita (US$ 2,4 bilhões) e Argélia (US$ 862 milhões) ganharam espaço e hoje são os segundos e terceiros maiores fornecedores, respectivamente. O Iraque manteve o nível de US$ 650 milhões em vendas e permaneceu em quarto lugar entre os exportadores para o Brasil.


Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o petróleo é usado como arma nas estratégias comerciais dos países. "Ao mesmo tempo em que o Brasil passa a importar mais dos árabes, abre-se espaço para a exportação. A Nigéria é um grande fornecedor, mas a contrapartida dela em termos de comércio exterior é muito pequena", diz.


A especificidade política dos países árabes facilita esse movimento, afirma Castro. Segundo ele, os chefes políticos de países como Arábia Saudita, Qatar e Omã detêm o controle das empresas locais e escolhem os fornecedores. "O Brasil é superavitário com esses países e faz isso exatamente para contrabalançar o comércio".


De janeiro a setembro, o Brasil registrou um superávit de US$ 2,2 bilhões com a Liga Árabe, bloco formado por 21 países, entre eles Argélia, Sudão, Egito, Arábia Saudita e Iraque. Além disso, a estratégia de conseguir contrapartidas por meio do petróleo também vale para os vizinhos do Brasil. A Argentina, que ano passado não aparecia na balança do produto cru e vem colocando barreiras à manufatura brasileira, vendeu este ano US$ 193 milhões em petróleo.


Nos derivados de petróleo, como diesel, gasolina e querosene, também há aumento da presença da Liga Árabe e diminuição de outros países. O ritmo é menor em função de uma estratégia da Petrobras, de acordo com Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Neste ano, a empresa aumentou de 90% para 97% da capacidade máxima a operação nas refinarias, ajudando a segurar um pouco o nível de importação, que vem crescendo desde o ano passado. pressionado por forte demanda.


"O Brasil precisa produzir muita gasolina. Quando mais leve o petróleo que você importar, mais consegue-se extrair. Além do aumento do nível de operação nas refinarias, importou-se mais nafta, que é utilizado para o refino dos combustíveis", afirma Pires.

 

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