Etanol

ONG canadense elogia produção sustentável de cana no Brasil

Redação/Assessoria Unica
11/08/2016 11:17
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“Por mais de quatro décadas, o Brasil tem trabalhado na vanguarda das mudanças para uma maior sustentabilidade no setor de açúcar. O País serve de modelo de sucesso com colhedeiras e usinas de ponta, assim como iniciativas em Pesquisa e Desenvolvimento.”

O trecho descrito acima faz parte do relatório “Certification and Beyond: transforming the sugarcane sector” divulgado no primeiro semestre deste ano (04/16) pela ONG International Institute for Sustainable Development (IISD, em inglês), entidade canadense dedicada à promoção de projetos que combinem desenvolvimento socioambiental e econômico em mais de 70 países.

O material, publicado pela organização fundada em 1990 e financiada pela ONU, enfatiza a importância da adoção de boas práticas na agricultura mundial com vistas à criação de uma cadeia de commodities de valor agregado, em especial no segmento sucroenergético. Ao longo de oito páginas, o documento, com dados do setor, faz diversas referências positivas à indústria sucroenergética nacional. Logo nos primeiros parágrafos, o texto dá a receita para a nossa bem-sucedida produção:

“O Brasil tem priorizado o aumento da eficiência da cana para alimentação e combustível desde os choques do petróleo da década de 1970. A criação de uma narrativa sustentável para o setor de açúcar tem sido baseada em um objetivo de longo prazo envolvendo todas as partes interessadas. Empresários, fornecedores e compradores, bem como formuladores de políticas públicas e institutos de pesquisas têm desempenhado o seu papel na construção de uma bioeconomia dinâmica à base de cana nos últimos 40 anos.”

Certificação

Diante do crescimento da população projetado pela ONU até 2030, quando o planeta abrigará aproximadamente 8,5 bilhões de pessoas, o relatório do IISD argumenta que será imprescindível que a cana, importante para a cadeia de abastecimento global, intensifique a sua produção de maneira responsável.

Para aferir a legitimidade deste processo, a ONG canadense ressalta a importância de mecanismos de certificação no setor. Cita como exemplo o Bonsucro, iniciativa reconhecida internacionalmente que já certificou 56 unidades canavieiras ao redor do mundo. Destas, 43 são empresas brasileiras – 36 associadas à UNICA.

“Fornecimento de alimentos e energia para uma população em expansão é o desafio da agricultura do século 21. Para nós, é imperativo aumentar a eficiência e produtividade, utilizando menos insumos agrícolas (terra, água, fertilizantes, pesticidas). Isso deve ser feito de uma forma que se crie valor duradouro para pessoas, comunidades e ecossistemas em todas as origens de cultivo da cana. É uma tarefa complexa que vai exigir inovação, diversificação, agregação de valor e mercados em expansão. Alcançar tal transformação no setor é o objetivo do Bonsucro”, exalta o documento.

Inovação e melhores práticas

Outro ponto destacado na análise feita pelo IISD se refere ao sucesso na transição de uma economia dependente de petróleo importado na década de 1970 e que hoje ostenta uma matriz energética 40% renovável, contra uma média mundial de apenas 13%, e que possui o maior programa de substituição de combustíveis fósseis por um de origem limpa, o etanol.

Atual líder na produção de cana-de-açúcar, considerada a matéria-prima mais sustentável para fabricação de biocombustíveis, o Brasil deve este status principalmente às pioneiras tecnologias de produção resultantes de inúmeros trabalhos científicos conduzidos por renomadas instituições de pesquisa no País, entre elas o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).

Dentre as inovações concebidas pela expertise brasileira, destacam-se o aprimoramento genético de variedades de cana mais adaptadas a determinados tipos de clima e solo, o controle biológico integrado no combate de pragas e doenças com menor aplicação de defensivos químicos, o uso de subprodutos como torta de filtro e vinhaça na fertirrigação e o melhor aproveitamento da água. Em 40 anos, a taxa média de captação do recurso hídrico foi reduzida da faixa de 15 a 20 m3/t de cana para a faixa de 1 a 2 m3/t, ou seja, uma queda de 95%.

Requalificação profissional

Além dos avanços na área produtiva, o relatório do IISD cita a implementação de ações de cunho ambiental e social que proporcionaram aumento de produtividade e profissionalização nas lavouras nacionais. O uso crescente de máquinas para a realização da colheita no Centro-Sul, região que vem eliminando em ritmo acelerado o uso do fogo controlado nos canaviais, trouxe benefícios não apenas ao meio ambiente. Em oito anos, evitou-se a emissão de 5,7 milhões de toneladas de GEEs na atmosfera e houve significativos avanços na qualificação da mão de obra rural.

“Um exemplo deste processo é tipificado no Projeto RenovAção, que requalificou milhares de trabalhadores agrícolas deslocados pela introdução da mecanização e o fim da queima no Estado de São Paulo. O foco do Brasil nesta capacitação profissional vem fornecendo oportunidades de emprego, aumentando a produtividade e reduzindo os impactos ambientais”, afirma outro trecho do relatório.

Criado em 2010, o RenovAção, coordenado pela UNICA e pela Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), só foi possível graças à parceria das multinacionais Syngenta, FMC, Jonh Deere, Case IH, Iveco, e ao apoio de organizações internacionais como a Fundação Solidaridad e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Em cinco anos, foram requalificadas mais de 6.600 pessoas ligadas direta ou indiretamente ao setor sucroenergético paulista, além da formação de outros 20 mil novos trabalhadores em iniciativas semelhantes, e que tiveram o RenovAção como modelo de referência. Cerca de 78% dos participantes dos 30 cursos oferecidos pelo RenovAção já se recolocaram no mercado de trabalho, obtendo um aumento médio na renda de até 75%.

 

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