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Estiagem

O limite da energia

17/10/2014 | 10h06

 

A estiagem em diversos pontos do país não traz problemas apenas no que respeita à oferta de água para a população. Também a produção de energia se vê afetada pela falta de chuvas ?e isso, mais uma vez, prejudicará o consumidor.
Os reservatórios do sistema elétrico se aproximam dos níveis mais baixos desde o ano 2000. Com a seca, uma fatia maior da energia precisou ser gerada em usinas térmicas, mais caras que as hidrelétricas.
Como as distribuidoras compram energia a preços mais ou menos livres, mas vendem a valores regulados, um grande aumento de custo na produção se traduz como deficit nas contas. O rombo neste ano já alcança R$ 19 bilhões.
No intuito de evitar que o cenário se repita em 2015, o governo pretende alterar os preços que podem ser cobrados pela energia no mercado de curto prazo. O valor máximo cairia dos atuais R$ 822,83/MWh para R$ 388,04/MWh, enquanto o mínimo subiria de R$ 15,62 para R$ 30,26/MWh.
O objetivo do teto mais baixo é incentivar as empresas geradoras a ofertar energia em contratos de longo prazo no próximo leilão, marcado para 5 de dezembro. Se fizerem isso, ajudarão a reduzir o risco das distribuidoras, hoje bastante expostas às oscilações.
Não se trata, porém, de panaceia. Se não chover o suficiente para recuperar os reservatórios, a utilização de usinas térmicas continuará impondo altos custos.
Uma parte desses valores ficará a cargo das distribuidoras, mas só até o novo limite sugerido pelo governo; o restante cairá no colo do consumidor, que pagará a diferença entre o teto e o gasto efetivo com a geração de energia.
Em resumo, a fatura mudaria de mãos, mas não desapareceria. O paliativo pode ajudar as distribuidoras, diminuindo o buraco em que se encontram, mas não reorganizará o sistema, bagunçado desde que a presidente Dilma Rousseff (PT), ainda em 2012, tentou reduzir a conta de luz por decreto.
Ao longo deste ano, o governo organizou empréstimos de R$ 17,8 bilhões às distribuidoras, a fim de adiar o impacto ao consumidor. Reconhece agora que é temerário insistir no malabarismo financeiro.
A redução do teto no mercado livre de energia é, na prática, um passo rumo ao que especialistas do setor consideram inevitável. Salvo um milagre de são Pedro, a conta de luz vai subir ainda mais em 2015.

A estiagem em diversos pontos do país não traz problemas apenas no que respeita à oferta de água para a população.

Também a produção de energia se vê afetada pela falta de chuvas.

E isso, mais uma vez, prejudicará o consumidor.

Os reservatórios do sistema elétrico se aproximam dos níveis mais baixos desde o ano 2000.

Com a seca, uma fatia maior da energia precisou ser gerada em usinas térmicas, mais caras que as hidrelétricas.

Como as distribuidoras compram energia a preços mais ou menos livres, mas vendem a valores regulados, um grande aumento de custo na produção se traduz como deficit nas contas.

O rombo neste ano já alcança R$ 19 bilhões.

No intuito de evitar que o cenário se repita em 2015, o governo pretende alterar os preços que podem ser cobrados pela energia no mercado de curto prazo.

O valor máximo cairia dos atuais R$ 822,83/MWh para R$ 388,04/MWh, enquanto o mínimo subiria de R$ 15,62 para R$ 30,26/MWh.

O objetivo do teto mais baixo é incentivar as empresas geradoras a ofertar energia em contratos de longo prazo no próximo leilão, marcado para 5 de dezembro.

Se fizerem isso, ajudarão a reduzir o risco das distribuidoras, hoje bastante expostas às oscilações.

Não se trata, porém, de panaceia.

Se não chover o suficiente para recuperar os reservatórios, a utilização de usinas térmicas continuará impondo altos custos.

Uma parte desses valores ficará a cargo das distribuidoras, mas só até o novo limite sugerido pelo governo; o restante cairá no colo do consumidor, que pagará a diferença entre o teto e o gasto efetivo com a geração de energia.

Em resumo, a fatura mudaria de mãos, mas não desapareceria.

O paliativo pode ajudar as distribuidoras, diminuindo o buraco em que se encontram, mas não reorganizará o sistema, bagunçado desde que a presidente Dilma Rousseff (PT), ainda em 2012, tentou reduzir a conta de luz por decreto.

Ao longo deste ano, o governo organizou empréstimos de R$ 17,8 bilhões às distribuidoras, a fim de adiar o impacto ao consumidor.

Reconhece agora que é temerário insistir no malabarismo financeiro.

A redução do teto no mercado livre de energia é, na prática, um passo rumo ao que especialistas do setor consideram inevitável.

Salvo um milagre de são Pedro, a conta de luz vai subir ainda mais em 2015.

 



Fonte: Folha de São Paulo
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