Mercado

Novas petrolíferas já respondem por 20% da exportação de petróleo

Statoil, Sinochem, BG Brasil e GE Oil triplicaram vendas.

Valor Econômico
22/04/2013 10:46
Visualizações: 927

 

As petroleiras estrangeiras já respondem por pelo menos 20% das exportações brasileiras de petróleo. No ano passado, na comparação com 2011, o conjunto dessas companhias aumentou em cinco pontos percentuais sua participação no total exportado de óleo bruto pelo Brasil e trouxe US$ 5,5 bilhões para a balança comercial do país. Com a nacional OGX, a exportação das companhias privadas alcança US$ 5,7 bilhões, considerando a lista de maiores exportadores do país elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
O resultado é creditado ao aumento na produção de petróleo bruto por parte das estrangeiras, ao mesmo tempo em que a Petrobras diminuiu a exportação diária de barris. Pela atual configuração do setor, na visão de analistas, a participação estrangeira nas exportações deve seguir aumentando nos próximos anos.
Dados do Mdic mostram que mesmo com o aumento a Petrobras segue com folga como a principal exportadora do país. Dos US$ 27,8 bilhões gerados pelas exportações de companhias petrolíferas no ano passado, US$ 22,1 bilhões foram para o caixa da estatal (sem considerar as vendas da Petrobras Distribuidora). O valor foi 3,5% menor do que o registrado em 2011. O montante embarcado pelas estrangeiras, por outro lado, aumentou 38%, considerando as maiores exportadoras do setor.
Um movimento duplo no setor vem se desenhando no país nos últimos dois anos. O aumento da demanda interna por combustíveis fez a Petrobras utilizar mais petróleo bruto para refino, enfraquecendo as exportações. Ao mesmo tempo, a produção de barris de petróleo da estatal passa por um período de estagnação. Por meio da assessoria de imprensa, a empresa informou que a perspectiva deste ano é de "produção diária de 2 milhões de barris por dia, com variação de até 2% para cima ou para baixo". Ano passado, por exemplo, a empresa produziu 2% a menos de barris de petróleo bruto e aumentou o volume de refino em 4,5%, tomando parte do produto cru antes utilizado para a exportação.
As estrangeiras, que começaram a comprar blocos de operação do pré-sal em 2008, estão iniciando a produção, que fechou ano passado em cerca de 200 mil barris diários, segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). "O petróleo retirado por essas companhias é majoritariamente exportado, já que há um incentivo maior dos preços do mercado internacional. Os números em comparação com os da estatal são pequenos, mas para quem não produzia e exportava quase nada até alguns anos atrás os resultados são bons", avalia Pires.
Pelos números contabilizados pelo ministério, a Shell foi a empresa que mais exportou em 2012: US$ 1,4 bilhão, valor 34% maior do que no ano anterior. Contudo, quatro empresas no mínimo triplicaram as vendas ao exterior em 2012: Statoil (US$ 1,2 bilhão), Sinochem (US$ 808 milhões), BG Brasil (US$ 667 milhões) e GE Oil (US$ 292 milhões).
O incremento nas cifras das exportações anda junto com o aumento da atividade das petroleiras estrangeiras. A norueguesa Statoil era a segunda maior produtora de petróleo no fim de dezembro do ano passado, com produção média de 45 mil barris por dia (20% mais que no final de 2011), seguida pela Shell, com 32 mil barris.
Depois de terminar o ano passado com produção média de 28 mil barris por dia, neste ano a produção da BG Brasil está em 39 mil barris diários após a inauguração da segunda plataforma em janeiro, a Cidade de São Paulo, na bacia de Santos. Para este ano, uma terceira plataforma deve entrar em operação em maio na fluminense Paraty.
Com esses planos, a multinacional britânica espera terminar 2013 como a segunda maior produtora de petróleo do país, atrás apenas da Petrobras. "Em 2014 mais duas plataformas vão entrar em operação", diz o presidente Nelson Silva.
A perspectiva da BG é que até 2020 a empresa produza 600 mil barris diários em solo brasileiro, o que deve representar quase a metade da produção total da multinacional. "Foi tomada uma decisão há duas semanas na qual o país é responsável por toda a região sul-americana para a BG", afirma.
A nova diretriz da matriz é baseada na perspectiva futura brasileira de crescimento substantivo da produção em um horizonte de estabilidade econômica e jurídica para o setor. Além do Brasil, na América do Sul a BG atua na Bolívia e atualmente prospecta áreas no Uruguai.
A política de preços de petróleo e derivados praticada no Brasil vai fazer com que o aumento das exportações das estrangeiras seja a tendência a médio prazo, segundo Edmar de Almeida, coordenador do Grupo de Economia de Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com o descolamento entre os preços dos combustíveis praticados no mercado interno e no mercado internacional, as petroleiras não têm interesse em investir em refino no país.
"A Petrobras tem produção suficiente para atender a demanda e não precisa comprar o petróleo delas. Como não há incentivo para o refino, a maioria da produção vai para a exportação e aparece na balança", diz.
Até o fim da década, com os blocos de exploração do pré-sal em funcionamento, o também professor prevê que as estrangeiras estarão melhor capacitadas, pois seus resultados vão variar de acordo com os preços internacionais enquanto a Petrobras vai depender mais das orientações do governo quanto aos preços dos combustíveis. "A não ser que mude a política para a área de refino, buscando reequilibrar a relação de preços".

As petroleiras estrangeiras já respondem por pelo menos 20% das exportações brasileiras de petróleo. No ano passado, na comparação com 2011, o conjunto dessas companhias aumentou em cinco pontos percentuais sua participação no total exportado de óleo bruto pelo Brasil e trouxe US$ 5,5 bilhões para a balança comercial do país. Com a nacional OGX, a exportação das companhias privadas alcança US$ 5,7 bilhões, considerando a lista de maiores exportadores do país elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).


O resultado é creditado ao aumento na produção de petróleo bruto por parte das estrangeiras, ao mesmo tempo em que a Petrobras diminuiu a exportação diária de barris. Pela atual configuração do setor, na visão de analistas, a participação estrangeira nas exportações deve seguir aumentando nos próximos anos.


Dados do Mdic mostram que mesmo com o aumento a Petrobras segue com folga como a principal exportadora do país. Dos US$ 27,8 bilhões gerados pelas exportações de companhias petrolíferas no ano passado, US$ 22,1 bilhões foram para o caixa da estatal (sem considerar as vendas da Petrobras Distribuidora). O valor foi 3,5% menor do que o registrado em 2011. O montante embarcado pelas estrangeiras, por outro lado, aumentou 38%, considerando as maiores exportadoras do setor.


Um movimento duplo no setor vem se desenhando no país nos últimos dois anos. O aumento da demanda interna por combustíveis fez a Petrobras utilizar mais petróleo bruto para refino, enfraquecendo as exportações. Ao mesmo tempo, a produção de barris de petróleo da estatal passa por um período de estagnação. Por meio da assessoria de imprensa, a empresa informou que a perspectiva deste ano é de "produção diária de 2 milhões de barris por dia, com variação de até 2% para cima ou para baixo". Ano passado, por exemplo, a empresa produziu 2% a menos de barris de petróleo bruto e aumentou o volume de refino em 4,5%, tomando parte do produto cru antes utilizado para a exportação.


As estrangeiras, que começaram a comprar blocos de operação do pré-sal em 2008, estão iniciando a produção, que fechou ano passado em cerca de 200 mil barris diários, segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). "O petróleo retirado por essas companhias é majoritariamente exportado, já que há um incentivo maior dos preços do mercado internacional. Os números em comparação com os da estatal são pequenos, mas para quem não produzia e exportava quase nada até alguns anos atrás os resultados são bons", avalia Pires.


Pelos números contabilizados pelo ministério, a Shell foi a empresa que mais exportou em 2012: US$ 1,4 bilhão, valor 34% maior do que no ano anterior. Contudo, quatro empresas no mínimo triplicaram as vendas ao exterior em 2012: Statoil (US$ 1,2 bilhão), Sinochem (US$ 808 milhões), BG Brasil (US$ 667 milhões) e GE Oil (US$ 292 milhões).


O incremento nas cifras das exportações anda junto com o aumento da atividade das petroleiras estrangeiras. A norueguesa Statoil era a segunda maior produtora de petróleo no fim de dezembro do ano passado, com produção média de 45 mil barris por dia (20% mais que no final de 2011), seguida pela Shell, com 32 mil barris.


Depois de terminar o ano passado com produção média de 28 mil barris por dia, neste ano a produção da BG Brasil está em 39 mil barris diários após a inauguração da segunda plataforma em janeiro, a Cidade de São Paulo, na bacia de Santos. Para este ano, uma terceira plataforma deve entrar em operação em maio na fluminense Paraty.


Com esses planos, a multinacional britânica espera terminar 2013 como a segunda maior produtora de petróleo do país, atrás apenas da Petrobras. "Em 2014 mais duas plataformas vão entrar em operação", diz o presidente Nelson Silva.


A perspectiva da BG é que até 2020 a empresa produza 600 mil barris diários em solo brasileiro, o que deve representar quase a metade da produção total da multinacional. "Foi tomada uma decisão há duas semanas na qual o país é responsável por toda a região sul-americana para a BG", afirma.


A nova diretriz da matriz é baseada na perspectiva futura brasileira de crescimento substantivo da produção em um horizonte de estabilidade econômica e jurídica para o setor. Além do Brasil, na América do Sul a BG atua na Bolívia e atualmente prospecta áreas no Uruguai.


A política de preços de petróleo e derivados praticada no Brasil vai fazer com que o aumento das exportações das estrangeiras seja a tendência a médio prazo, segundo Edmar de Almeida, coordenador do Grupo de Economia de Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com o descolamento entre os preços dos combustíveis praticados no mercado interno e no mercado internacional, as petroleiras não têm interesse em investir em refino no país.


"A Petrobras tem produção suficiente para atender a demanda e não precisa comprar o petróleo delas. Como não há incentivo para o refino, a maioria da produção vai para a exportação e aparece na balança", diz.


Até o fim da década, com os blocos de exploração do pré-sal em funcionamento, o também professor prevê que as estrangeiras estarão melhor capacitadas, pois seus resultados vão variar de acordo com os preços internacionais enquanto a Petrobras vai depender mais das orientações do governo quanto aos preços dos combustíveis. "A não ser que mude a política para a área de refino, buscando reequilibrar a relação de preços".

 

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