Gás natural

Nova lei na Bolívia ameaça resultado das distribuidoras

Valor Econômico
31/05/2005 00:00
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O aumento do custo do gás da Bolívia, depois da aprovação da Lei de Hidrocarbonetos, poderá resultar na redução da margem de lucro bruto das distribuidoras das regiões Sul e Sudeste neste ano, caso a Petrobras decida repassar o aumento para as empresas, segundo avaliação da Lafis Consultoria.
O analista André Campos de Azevedo explicou que as empresas têm restrições, pois só podem aumentar as tarifas a cada 12 meses. Até lá, teriam que arcar com o custo extra provocado pelo reajuste da Petrobras. O problema afetaria mais as distribuidoras de São Paulo e da região Sul, por dependerem significativamente do gás importado da Bolívia. Segundo Azevedo, Sulgás (RS), Compagas e SCGás (SC) são mais vulneráveis porque dependem do gás boliviano. Já a Comgás, maior distribuidora do país, importa em torno de 70% do gás que distribui em São Paulo.
O diretor-presidente da Sulgás, distribuidora do Rio Grande do Sul, Artur Lorentz, disse que a Petrobras ainda não decidiu se vai ou não repassar o aumento provocado pela nova legislação boliviana. Ele contou que esteve reunido com representantes da estatal, na semana passada, e que eles não foram "tão categóricos" em negar o reajuste dos preços. A Petrobras prometeu a ele uma resposta ainda nesta semana. Procurada pelo Valor, a assessoria da Petrobras informou que o diretor responsável pela área não poderia atender porque estava fora da empresa.
Lorentz informou que o reajuste, se de fato ocorrer, será em torno de 5%. E que a Sulgás não vai repassá-lo para os clientes porque tem condições de absorver o custo. No início do ano, a empresa já reajustou a tarifa em 7,1%. "Nossa visão para este ano é de absoluta tranqüilidade".
As distribuidoras Comgás, Compagás, CEG e SCGás também foram procuradas, mas não deram retorno. O diretor financeiro da Comgás, Roberto Lage, disse, por meio da assessoria de imprensa, considerar "prematuro" falar sobre o assunto.
O estudo da Lafis identificou também um ritmo de crescimento menor da indústria de gás neste ano. As vendas das distribuidoras deverão subir 18,4%, alcançando 42,5 milhões de metros cúbicos por dia, abaixo do crescimento de 2004, de 23,4%.
A produção interna também vai crescer menos do que no ano passado, 5,5%, chegando a 49 milhões de metros cúbicos por dia - em 2004, a expansão foi de 7,5%. Apenas 60% da produção nacional vão para a venda final - só a Petrobras consome 27% da produção. Para Azevedo, "problemas institucionais" estariam dificultando o aumento da produção. Entre eles, existe o problema de transporte do gás, já que não há uma integração das malhas de gasodutos entre as regiões produtoras e as consumidoras.
Mesmo com as indefinições, a Lafis estima que a importação de gás boliviano aumente 25% neste ano, chegando a 27,6 milhões de metros cúbicos por dia.
Um segmento que deverá registrar um aumento significativo da demanda por gás é o automotivo - ele poderá representar até 6,5% do consumo total nacional. Segundo a Lafis, a marca de um milhão de veículos movidos a Gás Natural Veicular (GNV) deverá ser ultrapassada antes do fim deste ano. A consultoria prevê também um conseqüente aumento do número de postos para o fornecimento de GNV. Segundo Lorentz, no Rio Grande do Sul apenas 1% das vendas da Sulgás vai para o setor automobilístico. "É um mercado restrito, mas cativo."
Mas a maior parte do consumo, ainda segundo a consultoria, continuará com o setor industrial (67,8%) e as termelétricas (21,5%).

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