Gás

Nova imagem para o GLP

Jornal do Commercio
26/05/2008 09:18
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As distribuidoras de Gás Liqüefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido pelo uso como gás de cozinha, querem mudar a percepção - que consideram errônea - de que seu produto é ultrapassado, perigoso e de oferta escassa no mercado. Tradicionalmente retraídas, postura atribuída a intervenções governamentais ao longo das últimas décadas, as empresas preparam uma campanha para reconstrução de imagem, atentas ao crescimento da produção interna de GLP.

 

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Gás Liqüefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, a demanda por energia no País oferecerá oportunidades para o setor nos próximos anos, inclusive na atividade industrial. Para aproveitar essas oportunidades, contudo, as empresas entendem que precisam reposicionar a imagem do GLP para uma fonte de energia limpa, segura, moderna e economicamente atraente.

 

"Como somos escravos de imagem de que temos um produto antiquado, destinado exclusivamente à cozinha e a classes sociais menos favorecidas, não somos percebidos como um energético moderno, de fácil armazenagem", afirma o presidente do Sindigás, entidade que reúne as empresas Amazongás, Fogás, Minasgás, Nacional Gás Butano, Liquigás e Supergasbrás, que representam mais de 65% do mercado brasileiro de GLP.

 

A mudança de postura das distribuidoras partiu do resultado de um estudo encomendado pelo Sindigás à consultoria internacional Booz Allen Hamilton. Mello explica que o resultado foi animador. "A pesquisa trouxe a notícia de que haverá abundância de oferta (de GLP) na América Latina. Portanto, não existe razão para adotarmos uma postura defensiva, de sobrevivência. Daí nasceu o conceito todo de fazer campanha de mudança de imagem", conta.

 

O sindicato pretende investir pelo menos R$ 15 milhões, nos próximos cinco anos, em campanhas publicitárias. A idéia é iniciar a campanha no terceiro trimestre deste ano, com foco no consumidor final e nos formadores de opinião. A seleção da agência que comandará a empreitada está em fase final. O presidente do Sindigás admite que o orçamento é pequeno para os objetivos das empresas, mas frisa que trata-se de uma primeira etapa.

 

A reconstrução da imagem da marca está sendo colocada como condição sine qua non para o sucesso de um segundo objetivo da campanha: convencer os consumidores a substituir o chuveiro elétrico pelo GLP. Um dos argumentos será o bolso do consumidor. Segundo o Sindigás, dependendo da cidade em que vive, uma família pouparia R$ 300 a R$ 600 por ano se usasse GLP em vez do chuveiro elétrico, valor que custearia o investimento no aquecedor movido a GLP.

 

"No mundo inteiro, o GLP é amplamente utilizado para aquecimento de água residencial. No Brasil, no entanto, 68% da água doméstica são aquecidos por eletricidade. Em parte pela cultura de medo do gás, que diminuiu muito no momento em que ocorreu a entrada do gás natural", afirma o presidente do Sindigás, lançando mão ainda de argumentos de redução da demanda por energia elétrica no País, cada vez mais cara e de difícil desenvolvimento de projetos.

 

O Brasil consome hoje 6,6 milhões de toneladas de GLP por ano, com uma produção de 6 milhões. A diferença é importada da Argentina. Segundo cálculo da Booz Allen Hamilton, com base nos dados da Petrobras, o consumo chegará a 7,6 milhões de toneladas em 2015, com uma produção de 9,7 milhões. Neste cenário de sobreoferta, o governo propõe a exportação do excedente. O Sindigás entende que o produto deveria ser destinado ao mercado interno.

 

"O GLP será um combustível de uso doméstico com oferta abundante, mas nada está sendo preparado em termos de estado para aproveitar isso. Estamos sempre presentes, pedindo revisão de carga tributária, lançamento de programas. Percebemos, no entanto, que fica a impressão no governo que somos simplesmente defensores de um grupo de interesse. Claro que defendemos nossos interesses, mas não se resume a isso", diz Mello.

 

Ele lembra que a lenha ainda ocupa a liderança no consumo de energia nas residências brasileiras. Segundo dados do Balanço Energético Nacional (BEN), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ela responde por 36,4% do total, frente a 34,6% da eletricidade e 25,8% do GLP. A lenha é utilizada principalmente na produção de alimentos. São gravetos e pedaços de madeira recolhidos nas imediações das residências.

 

"Seria importante para combater o uso da lenha, que provoca problemas de saúde e risco de incêndio, rever a carga tributária do GLP e fazer o que chamamos de readequação. Não dá para incentivar a substituição com um botijão que tem no preço final 22% a 25% de impostos. O gás deveria estar taxado como feijão e arroz, como gasolina. Para combater a lenha precisa efetivamente de revisão da carga tributária ou programa especifico", afirma ele.

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