Estudo

No Brasil, resíduos da cana poderiam gerar mais energia do que a Usina de Itaipu

O estudo, desenvolvido e divulgado pelo Ipea, mostra que a queima do bagaço de cana geraria 16.464 megawatts por ano, o que também solucionaria os problemas de destinação desse resíduo, classificado como volumoso e de difícil transporte. O documento aponta que serão necessários incentivos ec

Redação/ Agência
25/04/2012 17:19
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De acordo com o estudo "Plano Nacional de Resíduos Sólidos: Diagnóstico dos Resíduos Urbanos, Agrosilvopastoris e a Questão dos Catadores", divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os resíduos secos do cultivo de cana-de-açúcar no Brasil poderiam gerar mais energia do que a potência instalada da Usina de Itaipu. O documento mostra que a geração chegaria a 16.464 megawatts por ano.

O levantamento do Ipea levou em consideração 13 culturas agrícolas - seis temporárias e sete permanentes - selecionadas entre as de maior área cultivada no Brasil. Foram elas: soja em grão, milho em grão, cana-de-açúcar, feijão em grão, arroz em casca, trigo em grão, café em grão, cacau (amêndoas), banana (cacho), laranja, coco-da-baía, castanha de caju e uva. O potencial energético foi estimado apenas para os resíduos de base seca, não sendo estimado para as culturas da banana, laranja e uva.

A cana-de-açúcar foi a que gerou maior volume de resíduos, 201 milhões de toneladas por ano, incluindo subprodutos como o bagaço que tem alto potencial energético e vinhaça com melhor aproveitamento como adubo na própria plantação.

O setor já é considerado autossuficiente em termos energéticos, atendendo a mais de 98% da sua própria demanda de energia. Segundo o instituto, existe grande potencial para geração de excedentes energéticos que ainda é muito pouco utilizado.

“Para viabilizar uma maior disponibilização dessa energia para a rede elétrica, entretanto, será necessário vencer várias barreiras de ordem técnica, econômica e regulatória, sendo necessários mais incentivos econômicos para motivar os investimentos do setor privado nessa área”, destaca o documento.

Além do potencial energético, a queima do bagaço soluciona, também, a questão de destinação do resíduo, que é muito volumoso e de difícil transporte.

“O aproveitamento desses resíduos, além de evitar potenciais impactos negativos causados pelo descarte inadequado no ambiente, pode gerar muitos benefícios econômicos para o país”, destaca o estudo.

Os resíduos da agricultura, pecuária e florestas também poderiam atender às necessidades de energia elétrica do setor e ainda ser comercializada no mercado. O documento mostra que, na pecuária, as criações de bovinos, suínos e aves geram cerca de 1,7 bilhão de toneladas de dejetos por ano. Desse total, 365 milhões de toneladas de dejetos são produzidas a partir de criações confinadas, que poderiam virar energia reduzindo os impactos sobre o meio ambiente. A criação de bovinos responde por quase 90% deste volume.
 
 
Leia o documento: www.ipea.gov.br
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