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Shale Gas

Na China, exploração de gás de xisto pode estar ligada a terremotos

22/03/2019 | 14h13

O primeiro terremoto atingiu este vilarejo agrícola na província de Sichuan antes do raiar do dia 24 de fevereiro. Outros dois foram sentidos no dia seguinte. Sichuan é dada a terremotos, incluindo um sismo de grandes proporções em 2008 que deixou quase 70 mil mortos, mas, para os aldeões de Gaoshan, esses tremores foram resultado da ação do homem.

"Foi a perfuração", disse Yu Zhenghua entre lágrimas enquanto olhava ao redor pelo interior de sua casa.

A perfuração à qual Yu se refere é a fragmentação hidráulica, também conhecida como fracking. Essa tecnologia, que revolucionou a produção de gás natural e petróleo nos Estados Unidos, criou uma expansão da indústria também na China e, com ela, trouxe muitas das controvérsias que acompanharam essa prática em outros lugares.

Nas horas que se seguiram aos terremotos, milhares de moradores se reuniram diante de um edifício do governo no condado de Rong para protestar contra a fragmentação em suas colinas e vales. Os manifestantes enfrentaram a segurança e só se dispersaram depois que as autoridades anunciaram a suspensão das operações de fragmentação hidráulica até saírem os resultados de um levantamento do governo. Mas as operações de fragmentação prosseguem em outras partes da região.

Como os EUA e outros países, a China aceitou a revolução da fragmentação hidráulica na esperança de reduzir sua dependência em relação a fontes de energia estrangeiras. Mas a indignação pública vista em Gaoshan sublinha os desafios sociais e ambientais enfrentados pelo país - mesmo dentro de um sistema político rigorosamente controlado.

"Sichuan é uma região de muitos terremotos e, por isso, o risco é claro", disse o geólogo Philip Andrews-Speed, de Cingapura.

Os três terremotos deixaram dois mortos e 13 feridos. Mais de 20 mil lares em três vilarejos sofreram danos e nove desabaram completamente, de acordo com as autoridades do condado. Cerca de 1.600 pessoas ficaram desabrigadas, obrigadas a viverem com parentes ou em alguma das 470 barracas azuis distribuídas pelas autoridades.

Na casa de Yu, a parede principal que escorava a propriedade dela no íngreme aclive de uma montanha cedeu. Rachaduras profundas se abriram nas paredes de tijolo e estuque do sobrado que o filho dela construiu com o próprio salário. "Minha casa foi construída há apenas 12 anos e agora está assim".

As autoridades prometeram consertar o estrago.

A China está situada sobre as maiores reservas recuperáveis de gás de xisto em todo o mundo, de acordo com o Departamento de Informações de Energia dos EUA, e o governo estabeleceu metas ambiciosas de expansão para os próximos anos.

Mas a esperança da China de imitar o boom americano trazido pela fragmentação hidráulica enfrenta obstáculos. Os depósitos de xisto tendem a ser mais profundos no país - no condado de Rong, ficam a 3,5 quilômetros da superfície. Com isso, sua exploração é mais cara. O processo requer também muita água, escassa em algumas regiões.

A densidade demográfica da China é muito maior, e muitos de seus melhores depósitos de xisto ficam sob áreas densamente povoadas, como Sichuan, habitada por mais de 80 milhões de pessoas.

As 15 plataformas do condado de Rong têm 39 poços distintos em fase de perfuração ou já em operação. Por causa do equipamento pesado envolvido, as estradas até os locais de exploração estão abarrotadas e às vezes quase intransitáveis. Longos tubos escuros se estendem por paisagens antes pitorescas e bem cuidadas. Como ocorre em outros lugares, os moradores do condado de Rong dizem ter observado um aumento na frequência dos tremores de terra após o início da produção.

O mais recente terremoto parece ter incendiado uma indignação que há muito se acumulava. Um vídeo do protesto foi publicado inicialmente pela Rádio Ásia Livre. Os moradores locais também manifestaram suas preocupações no Weibo, rede social chinesa semelhante ao Twitter. "O que vocês querem de nós?", escreveu uma mulher. "Por acaso vão levar o assunto a sério somente quando vidas forem perdidas?".



Fonte: The New York Times, 22/03/2019
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