Logística

MRS pretende triplicar sua capacidade até Santos

A MRS Logística anunciou oficialmente seus planos para ampliar a capacidade da sua linha de acesso até o porto de Santos - a chamada cremalheira - no trecho da serra entre São Paulo e o litoral. O sistema, único do mundo utilizado para carga, é composto de uma roda

Valor Econômico
25/02/2010 07:13
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A MRS Logística anunciou oficialmente seus planos para ampliar a capacidade da sua linha de acesso até o porto de Santos - a chamada cremalheira - no trecho da serra entre São Paulo e o litoral. O sistema, único do mundo utilizado para carga, é composto de uma roda dentada movimentada sobre um trilho especial, o que permite ao trem vencer a altura de 800 metros da Serra do Mar em menos de 10 km.

Inicialmente, serão investidos R$ 130 milhões na troca das locomotivas usadas hoje, 12 modelos Hitachi 1976, por sete máquinas suíças Stadler - atualmente a única fornecedora desse tipo de equipamento. Com a troca, prevista para 2012, o ganho de capacidade será de 50%, chegando a 12 milhões de toneladas ao ano.

Uma segunda fase mais ambiciosa do projeto também foi posta na mesa pela MRS. Uma vez desfeito o nó do tráfego ferroviário da capital paulista com o projeto do ferroanel, a operadora quer tirar da gaveta um projeto de R$ 260 milhões que triplicaria a capacidade atual da cremalheira. Isso permitiria diversificar a carga para atrair, principalmente, contêineres - hoje a carga levada pela MRS para Santos é praticamente toda minério de ferro.

Segundo o diretor de planejamento e finanças da MRS, Henrique Aché Pillar, o objetivo do investimento desta primeira fase é apenas ampliar a capacidade de atual de descida da cremalheira, já saturada. As atuais 8 milhões de toneladas ao ano são praticamente todas tomadas pelo minério de ferro levado de Minas Gerais até Cubatão, para atender a Cosipa - usina de aço da Usiminas, uma das acionistas da MRS. De acordo com Henrique Pillar, hoje 1 milhão de toneladas de minério precisam descer a Serra do Mar de caminhão.

Com a capacidade ampliada em 50%, diz o executivo, deverá haver um excedente de capacidade, que pode ser aproveitado para descer até Santos granéis agrícolas como soja e açúcar. Já a subida pode ser aproveitada para cargas como fertilizantes, sal, trigo e contêineres.

A segunda fase da reforma da cremalheira, diz o executivo, envolverá, além de novas locomotivas, reforma na linha e na infraestrutura da rede, e deverá custar o dobro do investido na primeira fase. Mas a capacidade de carga total, somada a descida e a subida da Serra, chegaria a 56 milhões de toneladas - 3,5 vezes a atual. Essa fase, diz o executivo, só seria colocada em prática caso o "nó" do tráfego ferroviário dentro da capital paulistana seja resolvido.

A MRS tem uma malha que atravessa o centro da região metropolitana de São Paulo e é vista como ideal para a criação de uma rede de distribuição dentro da capital - em especial, levando contêineres de Santos para dentro de São Paulo. Mas, compartilhada entre MRS e CPTM, a rede está saturada. Caso o problema seja resolvido, a MRS pretende utilizar a capacidade excedente e criar um grande centro de distribuição dentro da cidade - o terreno, na Moóca, já está definido.

O problema é que hoje o projeto do ferroanel está parado. É um dos projetos mais atrasados do PAC, e não deve andar até junho deste ano, quando fica pronto um estudo do Banco Mundial encomendado pelo governo para esclarecer o tema. Há três projetos de traçados diferentes para desviar o tráfego que passa pela capital, mas apenas um deles resolve o problema da MRS - a ideia de segregação, que cria uma linha paralela aos trilhos da CPTM para acomodar os trens de carga. De 15 milhões de toneladas hoje, a capacidade da MRS em São Paulo passaria para cerca de 45 milhões com a segregação.

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