Gás natural

Mitsui faz aposta ousada em energia

Valor Econômico
12/06/2006 00:00
Visualizações: 747

Na contramão de grandes grupos internacionais, que estão batendo em retirada do setor energético brasileiro, a Mitsui Brasileira está com apetite. A subsidiária da gigante trading japonesa Mitsui tem planos ambiciosos na área de gás, termoeletricidade e energia eólica e também pretende investir em exportação de etanol para o mercado japonês.

A empresa concluiu em maio, por US$ 250 milhões, a compra da Gaspart, empresa pertencente ao grupo Enron que detinha participações em sete distribuidoras de gás canalizado no Brasil. "Decidir sobre investimentos é mais difícil do que simplesmente financiar, mas essa é a determinação da matriz", afirmou ao Valor Takao Omae, presidente da Mitsui Brasileira.

A maior parte dos investimentos energéticos tem sido discutida com a Petrobras. Um dos principais projetos é o que prevê a construção de um terminal que receberá gás natural liquefeito (GNL) importado por navios. Esta unidade, cujo investimento estimado é de US$ 1 bilhão, servirá como alternativa ao abastecimento interno de gás, que hoje é importado da Bolívia. O terminal deve ser construído na região Nordeste. "A Petrobras e o governo brasileiro têm capacidade de lidar com a questão boliviana, mas nossa expectativa é que a estatal desenvolva alternativas", disse Omae.

Outra aposta da Mitsui é o desenvolvimento de projeto para exportação de etanol para o Japão. "As vendas externas desse combustível ainda são modestas, porque não há infra-estrutura adequada. Não há vagões para cargas líquidas e a malha ferroviária é deficiente". No ano passado, a empresa exportou 2 milhões de quilolitros de etanol para o mercado japonês. Recentemente, a empresa, em conjunto com a Petrobras e a Cia. Vale do Rio Doce - outra tradicional parceira - assinou um memorando para estudar a viabilidade de aumento da produção e escoamento do álcool combustível para países que buscam alternativas aos derivados de petróleo.

Em maio também foi concluído o financiamento à Petrobras de US$ 900 milhões para a modernização da Refinaria Henrique Lage (Revap) em São José dos Campos (SP). Liderado pela Mitsui, o empréstimo foi concedido por um pool de bancos japoneses como o Commercial Bank, o JBIC (agência de fomento) e o grupo Itochu.

Ainda na área de energia, Omae disse acreditar no potencial brasileiro para geração de energia termoelétrica a gás e eólica no médio prazo. O que restringe investimentos pesados nesses nichos é a falta de estabilidade regulatória. Nos Estados Unidos, por exemplo, a empresa já possui um parque eólico.

O Brasil é o segundo maior pólo de investimentos da Mitsui. O país está à frente de China e Indonésia na lista de prioridades dos próximos anos. Na Rússia, onde estão os maiores aportes, ela participa do gigantesco projeto de GNL Sakhalin-2, que deverá entrar em operação no ano que vem e exigirá investimentos de US$ 20 bilhões. Só o grupo japonês deve injetar US$ 5 bilhões na empreitada. Sakhalin-2 tem ainda como sócios a Shell e Mitsubishi.

A Mitsui quer estabelecer novas parcerias no país, nos mesmos moldes da que mantém com a Petrobras e outros grupos de peso como Vale, Votorantim e Camargo Corrêa. Ela pretende desenvolver seus outros nichos de negócio: logística, agronegócios e transportes urbanos. As operações brasileiras representam entre 7% e 8% do faturamento da companhia. No ano fiscal de 2006 encerrado em 31 de março, a empresa teve faturamento de 4,1 trilhões de ienes (equivalentes a US$ 36,3 bilhões). Presente no país desde a década de 1960, os investimentos e financiamentos no país somam cerca de US$ 2 bilhões.

Com a MRC Serviços Ferroviários e Participações, braço de investimentos em ferrovias, a Mitsui pretende ampliar sua atuação em terminais de carga, portos e em armazéns ao longo das linhas. Hoje, a principal atividade da MRC é a locação de vagões para operadores, como a ALL Logística. A Mitsui também estuda - há anos - o modelo de construção de uma linha ferroviária que ligará o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) à capital.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de janeiro para...
26/03/26
IBEM26
Práticas ESG do setor de energias renováveis são destaqu...
26/03/26
IBEM26
Jerônimo Rodrigues destaca potencial da Bahia na transiç...
26/03/26
Bacia de Campos
Petrobras irá investir R$ 25,4 milhões em novos projetos...
26/03/26
IBEM26
ABPIP destaca papel dos produtores independentes na inte...
25/03/26
Workshop
Governo de Sergipe e FGV Energia debatem futuro do offsh...
25/03/26
iBEM26
Bahia Gás aposta em gás natural e biometano para impulsi...
25/03/26
iBEM26
iBEM 2026 começa em Salvador com debates sobre segurança...
25/03/26
Indústria Naval
BR Offshore lança pedra fundamental de complexo logístic...
24/03/26
Resultado
Constellation Oil Services registra EBITDA ajustado de U...
24/03/26
Bacia de Campos
Equinor inicia campanha de perfuração do projeto Raia
24/03/26
Macaé Energy
Atlas Copco Rental tem participação destaque na Macaé En...
24/03/26
Energia Eólica
Equinor fortalece portfólio de energia no Brasil
23/03/26
Macaé Energy
LAAM Offshore fortalece presença estratégica no Macaé En...
23/03/26
IBEM26
iBEM 2026 reúne especialistas e discute futuro da energia
23/03/26
Crise
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona cus...
20/03/26
P&D
Pesquisadores da Coppe desenvolvem técnica inovadora par...
20/03/26
Leilão
TBG avalia como positivo resultado do LRCAP 2026 e desta...
20/03/26
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23