Eletricidade

MG está perto de se tornar autossuficiente em energia

Correio Braziliense
27/09/2010 10:10
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Projeto pioneiro de cogeração de energia desenvolvido em Minas Gerais caminha para ser o primeiro do Brasil a tornar uma Estação de Esgoto (ETE) praticamente autossuficiente em produção elétrica. Elaborado pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa- MG), o sistema de reaproveitamento de biogás já está em fase de teste e deve entrar em operação em outubro na ETE Arrudas, no bairro Caetano Furquim, na capital mineira.
 
 
Se tudo sair de acordo com o planejado, será produzida quantidade de quilowatts suficiente para suprir 90% da energia usada na estação de tratamento do esgoto da capital. A carga que será gerada pela nova usina termelétrica é equivalente ao gasto de uma cidade de aproximadamente 15 mil habitantes.
 

O superintendente de gestão de energia da Copasa, Marcelo Monachesi Gaio, afirma que o processo, além de representar uma economia de R$ 2,7 milhões por ano na conta de energia, contribuirá com o meio ambiente. O tratamento do esgoto resulta na formação de um biogás, que tem em sua composição 68% de gás metano (CH4), altamente tóxico e prejudicial à camada de ozônio. “O que fazíamos era queimar o metano, transformando-o em gás carbônico (CO2), que é 22 vezes menos prejudicial. Mas, ainda assim, o CO2 era lançado na atmosfera”, explica Gaio. Com a cogeração, em vez de os gases serem emitidos na natureza, eles passam por um processo de limpeza e depois são direcionados para as microturbinas, onde servirão de combustão para produzir energia.

 
Mas a produção dessa energia ecologicamente correta custa caro. Um montante de aproximadamente R$ 65 milhões foi aplicado no projeto. A iniciativa da Copasa já teve um precedente. Em São Paulo, foi desenvolvido um projeto piloto semelhante ao instalado em Minas. Mas, devido aos altos custos, ele não foi viabilizado economicamente justamente porque também se baseava no uso das microturbinas.
 
 
A especialista em energia Suani Coelho, da Universidade de São Paulo, explica que existem sistemas de aproveitamento do biogás em que, em vez das microturbinas, são usados motores, que apresentam custo bastante inferior, mas que têm emissão alta de óxido de nitrogênio, prejudicial à camada de ozônio. “Você resolve um problema ambiental, mas cria outro.”
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