Gás Natural
Valor Econômico
O governo mineiro apresentou à Petrobras uma proposta para construir, em um consórcio provavelmente liderado pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), um ramal do gasoduto Brasil -Bolívia de 817 quilômetros, ligando São Carlos (SP) a Uberaba (MG). O investimento, que somaria R$ 1,3 bilhão, viabilizaria a instalação da terceira fábrica de amônia e uréia da empresa. A região do Triângulo Mineiro possui grandes jazidas de fosfato, insumo para fertilizantes, e está próxima de polos de cafeicultores, os principais consumidores dos produtos nitrogenados.
"A Petrobras nos colocou, no dia 3 de novembro, a decisão de construir a terceira fábrica, mas sem construir o gasoduto, e o governador Aécio Neves (PSDB) assumiu então a decisão de realizar a obra , em troca da unidade industrial", afirmou o secretário estadual de Desenvolvimento , Sérgio Barroso. A nova fábrica de fertilizantes, que deve produzir 1 milhão de toneladas e processar 2,7 milhões de metros cúbicos por dia, representaria investimento de US$ 2 bilhões.
A movimentação do governo mineiro é uma reação às declarações feitas na terça-feira pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, de que a nova fábrica pode ser construída no Mato Grosso do Sul. A obra é disputada pela capital Campo Grande e por Corumbá e Três Lagoas, no interior do Estado. O investimento chegou a ser confirmado em entrevista coletiva para a imprensa do Mato Grosso do Sul pelo governador André Puccinelli (PMDB), mas, procurada pelo Valor, a Petrobras não se manifestou nem sobre o anúncio antecipado feito por Stephanes e Puccinelli, e nem sobre a oferta de Aécio.
No início do ano, a Petrobras divulgou um plano de negócios que previa a instalação de uma nova unidade produtora de amônia e uréia. Atualmente, é grande a dependência do mercado brasileiro de importações de fertilizantes que usam o fosfato como matéria-prima. Segundo o ministério da Agricultura, a produção doméstica não chega a atender a 30% da demanda, que é de 2,4 milhões de toneladas.
Segundo Barroso, a construção de outra fábrica de amônia e uréia iria inviabilizar a unidade em negociação para a região de Uberaba. "O mercado brasileiro só comporta uma fábrica a mais destes fertilizantes." A fábrica em Minas é objeto de discussões desde 2003. Inicialmente, a empreitada seria feita pelo Fosfértil, mas a iniciativa esbarrou no desinteresse da Petrobras em construir o ramal do gasoduto.
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