Economia

Meta fiscal de 1,9% do PIB está mais distante, diz BC

Governo acumula déficit primário de R$ 13 bilhões entre maio e junho.

Valor Econômico
01/08/2014 10:20
Visualizações: 840

 

Para o Banco Central (BC), o cumprimento da meta de superávit fiscal de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 está mais distante e mais difícil, após o governo acumular déficit primário de R$ 13 bilhões entre maio e junho. No entanto, isso não quer dizer que o resultado não possa ser alcançado, disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel. "O Tesouro trabalha nesse sentido", afirmou.
Após um déficit de R$ 11 bilhões em maio, o setor público consolidado registrou déficit de R$ 2,1 bilhões em junho, pior resultado para o mês na série iniciada em 2001. Em 12 meses, o esforço fiscal representou 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB), menor desde outubro de 2009, quando estava em 0,97%. No acumulado do primeiro semestre, o superávit é de R$ 29,380 bilhões, o menor registrado na série histórica. A meta é de R$ 99 bilhões.
Mesmo assim, o BC ainda não tem elementos suficientes para alterar a avaliação sobre a variável fiscal dentro de seus modelos. De acordo com Maciel, o BC trabalha com o conceito de superávit primário estrutural - que desconta receitas não recorrentes e considera parâmetros como PIB potencial. A partir dessa métrica a autoridade monetária calcula o impulso fiscal, que é a variação do superávit estrutural no tempo. Ele pode ser positivo, negativo ou neutro.
Segundo Maciel, o resultado atual é que o impulso fiscal é próximo a zero, ou seja, caminha para a neutralidade. "Nesse sentido, o BC vem mencionando que o indicador fiscal caminha para a neutralidade e os resultados na margem não têm alterado isso", disse ele, lembrando que ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho reafirmou a percepção de que o impulso fiscal converge para a neutralidade no horizonte relevante para a política monetária.
Menor esforço fiscal, aliado a maior conta de juros, resulta em elevado déficit nominal. No semestre, o déficit no conceito nominal soma R$ 90,866 bilhões, contra R$ 65,935 bilhões registrados em igual período do ano passado. Em 12 meses, esse déficit equivale a 3,63% do PIB, e a conta de juros consome o equivalente a 5% do PIB. A conta de juros não está ainda maior, porque o BC tem feito um dinheiro extra com as operações de swap, que equivalem à venda de dólar no mercado futuro.
Com a perda de força do dólar, o BC embolsou no ano R$ 20,174 bilhões. Em junho, essas operações renderam R$ 3,387 bilhões. Por outro lado, quanto maior a queda de valor da moeda americana, menor o valor das reservas internacionais quando convertidas para real. Assim, a dívida líquida em relação ao PIB sobe. Em junho, a dívida líquida do setor público atingiu 34,9% do PIB, contra 34,6% em maio e 33,6% no fim de 2013. Para julho, o BC estima um retorno da relação para 34,6%.
A dívida bruta também subiu na passagem de maio para junho de 58% para 58,5% do PIB. O BC esperava um recuo para 57,8%. A projeção para julho é de 58,3%.
De acordo com Maciel existe a possibilidade de os Estados e municípios darem uma contribuição maior para o superávit primário do setor público em 2014. "O superávit esperado para 2014 é R$ 18 bilhões e eles já cumpriram R$ 15 bilhões", disse.
No entanto, disse Maciel, é bom considerar que uma parte relevante do esforço fiscal dos Estados e municípios costuma ocorrer no primeiro semestre, reflexo das receitas de tributos como IPTU e IPVA. Em junho, Estados, municípios e suas respectivas companhias estatais apresentaram superávit primário de R$ 447 milhões.

Para o Banco Central (BC), o cumprimento da meta de superávit fiscal de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 está mais distante e mais difícil, após o governo acumular déficit primário de R$ 13 bilhões entre maio e junho. No entanto, isso não quer dizer que o resultado não possa ser alcançado, disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel. "O Tesouro trabalha nesse sentido", afirmou.

Após um déficit de R$ 11 bilhões em maio, o setor público consolidado registrou déficit de R$ 2,1 bilhões em junho, pior resultado para o mês na série iniciada em 2001. Em 12 meses, o esforço fiscal representou 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB), menor desde outubro de 2009, quando estava em 0,97%. No acumulado do primeiro semestre, o superávit é de R$ 29,380 bilhões, o menor registrado na série histórica. A meta é de R$ 99 bilhões.

Mesmo assim, o BC ainda não tem elementos suficientes para alterar a avaliação sobre a variável fiscal dentro de seus modelos. De acordo com Maciel, o BC trabalha com o conceito de superávit primário estrutural - que desconta receitas não recorrentes e considera parâmetros como PIB potencial. A partir dessa métrica a autoridade monetária calcula o impulso fiscal, que é a variação do superávit estrutural no tempo. Ele pode ser positivo, negativo ou neutro.

Segundo Maciel, o resultado atual é que o impulso fiscal é próximo a zero, ou seja, caminha para a neutralidade. "Nesse sentido, o BC vem mencionando que o indicador fiscal caminha para a neutralidade e os resultados na margem não têm alterado isso", disse ele, lembrando que ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho reafirmou a percepção de que o impulso fiscal converge para a neutralidade no horizonte relevante para a política monetária.

Menor esforço fiscal, aliado a maior conta de juros, resulta em elevado déficit nominal. No semestre, o déficit no conceito nominal soma R$ 90,866 bilhões, contra R$ 65,935 bilhões registrados em igual período do ano passado. Em 12 meses, esse déficit equivale a 3,63% do PIB, e a conta de juros consome o equivalente a 5% do PIB. A conta de juros não está ainda maior, porque o BC tem feito um dinheiro extra com as operações de swap, que equivalem à venda de dólar no mercado futuro.

Com a perda de força do dólar, o BC embolsou no ano R$ 20,174 bilhões. Em junho, essas operações renderam R$ 3,387 bilhões. Por outro lado, quanto maior a queda de valor da moeda americana, menor o valor das reservas internacionais quando convertidas para real. Assim, a dívida líquida em relação ao PIB sobe. Em junho, a dívida líquida do setor público atingiu 34,9% do PIB, contra 34,6% em maio e 33,6% no fim de 2013. Para julho, o BC estima um retorno da relação para 34,6%.

A dívida bruta também subiu na passagem de maio para junho de 58% para 58,5% do PIB. O BC esperava um recuo para 57,8%. A projeção para julho é de 58,3%.

De acordo com Maciel existe a possibilidade de os Estados e municípios darem uma contribuição maior para o superávit primário do setor público em 2014. "O superávit esperado para 2014 é R$ 18 bilhões e eles já cumpriram R$ 15 bilhões", disse.

No entanto, disse Maciel, é bom considerar que uma parte relevante do esforço fiscal dos Estados e municípios costuma ocorrer no primeiro semestre, reflexo das receitas de tributos como IPTU e IPVA. Em junho, Estados, municípios e suas respectivas companhias estatais apresentaram superávit primário de R$ 447 milhões.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Elétrica
USP desenvolve modelos para reduzir curtailment e amplia...
29/03/26
Biocombustíveis
Acelen Renováveis e Dia Mundial da Água: cultivo da maca...
29/03/26
iBEM26
Goldwind avança na Bahia com fábrica em Camaçari e proje...
27/03/26
iBEM26
Bahia apresenta potencial da bioenergia e reforça protag...
27/03/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de janeiro para...
26/03/26
IBEM26
Práticas ESG do setor de energias renováveis são destaqu...
26/03/26
IBEM26
Jerônimo Rodrigues destaca potencial da Bahia na transiç...
26/03/26
Bacia de Campos
Petrobras irá investir R$ 25,4 milhões em novos projetos...
26/03/26
IBEM26
ABPIP destaca papel dos produtores independentes na inte...
25/03/26
Workshop
Governo de Sergipe e FGV Energia debatem futuro do offsh...
25/03/26
iBEM26
Bahia Gás aposta em gás natural e biometano para impulsi...
25/03/26
iBEM26
iBEM 2026 começa em Salvador com debates sobre segurança...
25/03/26
Indústria Naval
BR Offshore lança pedra fundamental de complexo logístic...
24/03/26
Resultado
Constellation Oil Services registra EBITDA ajustado de U...
24/03/26
Bacia de Campos
Equinor inicia campanha de perfuração do projeto Raia
24/03/26
Macaé Energy
Atlas Copco Rental tem participação destaque na Macaé En...
24/03/26
Energia Eólica
Equinor fortalece portfólio de energia no Brasil
23/03/26
Macaé Energy
LAAM Offshore fortalece presença estratégica no Macaé En...
23/03/26
IBEM26
iBEM 2026 reúne especialistas e discute futuro da energia
23/03/26
Crise
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona cus...
20/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23