Preços

Mercado só vê petróleo acima de US$ 50 em 2021

Redação/Boletim SCA
30/09/2020 12:01
Visualizações: 1333

O preço do barril de petróleo deve voltar a superar a marca dos US$ 50 apenas ao término de 2021, afirmaram analistas em evento on-line sobre commodities, promovido pelo jornal "Financial Times". Especialistas da WoodMackenzie, Andurand Capital e Trafigura projetam que, até o fim do próximo ano, a demanda global de petróleo esteja perto dos 100 milhões de barris por dia - em cenário com a existência de vacina contra covid-19 e que pode ser afetado por novas ondas de contaminação nos próximos meses. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) apontam que o consumo mundial hoje está em 91,7 milhões, menor nível desde 2013.

"Trabalhamos com a hipótese de vacinação ao fim do primeiro trimestre de 2021. Isto levaria a demanda por combustíveis aéreos de volta aos níveis de 2019 somente em 2023. Por enquanto, o crescimento do consumo destes combustíveis virá principalmente da China, em voos domésticos", afirmou Ann-Louise Hittle, vice-presidente de pesquisa da consultoria WoodMackenzie.

Já Pierre Andurand, CEO da Andurand Capital, gestora de fundos de hedge especializada no mercado de petróleo, acredita que o pico da demanda global por óleo pode ocorrer entre 2022 e 2026. Para Andurand, a pandemia mostrou os aspectos frágeis da economia global e apontou que melhorar rentabilidade é algo desejado no setor de petróleo. O especialista acredita que, cada vez mais, petroleiras levarão em conta taxações, por emissões de carbono, nas decisões de investimentos. "A pandemia expôs fragilidades do sistema econômico. Isso deveria lembrar a todos que as mudanças climáticas serão muito piores do que o que vivemos hoje, pois não haverá vacina", alertou Andurand.

Revista TN PetróleoDe olho nas novas dinâmicas do mercado, a Shell demonstrou interesse em ampliar a participação de energia renovável em seu portfólio. O chefe do departamento de energia da Shell Energy Europe, Rupen Tanna, afirmou no evento que há espaço para hidrogênio, gás natural, eólica offshore e energia fotovoltaica no portfólio da empresa, além de discussões em curso sobre carros elétricos e baterias. "Vemos esses negócios como chaves em nosso caminho para alcançar a meta de zerar as emissões", afirmou Tanna. A Shell pretende neutralizar as emissões de carbono totais até 2050.

Também presente na discussão virtual, a chefe da divisão de pesquisa em óleo e gás da Sumitomo Mitsui Banking Corporation, Stavroula Papageorgiou, explicou que as petroleiras terão papel crucial na transição energética. "Estas companhias são bem preparadas e têm acesso a capital, então há espaço para elas na transição, do contrário, não conseguiremos alcançar as metas [de redução de emissões]", afirmou.

Em paralelo, enquanto buscam aumentar a exposição às fontes alternativas, as companhias veem alguns de seus negócios tradicionais ameaçados. Ben Luckock, co-chefe de comercialização de petróleo da Trafigura, comentou que, na crise atual o refino foi um dos mais afetados, e tem trabalhado com margens apertadas. "Haverá uma racionalização no refino e começamos a ver isso. No futuro, para algumas [empresas] sobreviverem, outras precisarão morrer", explicou.

Os especialistas abordaram também um possível impacto da corrida eleitoral americana, nos preços do barril e no setor de petróleo como um todo. Para eles, as eleições nos Estados Unidos não devem ter forte impacto no mercado a curto prazo. Uma possível vitória democrata e o afrouxamento das sanções ao Irã, por exemplo, teriam efeitos apenas a médio prazo, observaram os analistas.

Por sua vez, Hittle, vice-presidente de pesquisa da consultoria WoodMackenzie, acrescentou que a produção de países como Irã e Venezuela ainda terá espaço no mercado até 2030. Isso porque o aumento da produção de petróleo dos Estados Unidos não será suficiente para compensar quedas em outras regiões, por enquanto. "Estes países só precisam se preocupar [com a queda da demanda] ao final da próxima década", disse.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
30/04/26
Etanol
E32 impulsiona etanol e reforça liderança do Brasil em b...
30/04/26
Meio Ambiente
Brasil aparece entre maiores emissores de metano em ater...
30/04/26
Oferta Permanente
Audiência pública debate inclusão de novos blocos no edi...
30/04/26
Exportações
Setor de óleo e gás e parlamentares discutem Imposto de ...
29/04/26
Evento
PortosRio participa do Rio de Janeiro Export 2026 e dest...
29/04/26
Royalties
Valores referentes à produção de fevereiro para contrato...
29/04/26
Resultado
Foresea registra melhor ano de sua história e consolida ...
29/04/26
Internacional
OTC Houston: ANP participa de painéis e realiza evento c...
29/04/26
Apoio Offshore
Wilson Sons revoluciona logística offshore com entrega p...
29/04/26
Internacional
PPSA e ANP promovem evento em Houston para apresentar o...
28/04/26
Segurança no Trabalho
Gasmig bate recorde de 1300 dias sem acidentes do trabalho
28/04/26
Workshop
ANP realiza workshop sobre proposta de novo modelo de li...
28/04/26
GLP
Subvenção ao GLP: ANP publica roteiro com orientações ao...
27/04/26
Diesel
Subvenção ao óleo diesel: ANP altera cálculo do preço de...
27/04/26
Combustíveis
E32 reforça estratégia consistente do Brasil em seguranç...
27/04/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Partilha (OPP): ANP aprova estudos ...
27/04/26
Royalties
Hidrelétricas da ENGIE Brasil repassam R$ 49,8 milhões e...
23/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste te...
23/04/26
Oportunidade
Firjan SENAI tem mais de 11 mil vagas gratuitas em quali...
22/04/26
Combustíveis
Etanol aprofunda queda na semana e amplia perdas no acum...
20/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23