Tecnologia

Marinha desenvolve submarino nuclear e base em Sepetiba

 Idealizado há 30 anos, o projeto do submarino brasileiro de propulsão nuclear começou a se tornar realidade com a assinatura do acordo militar entre Brasil e França, em setembro.

DCI
22/04/2010 03:04
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 Idealizado há 30 anos, o projeto do submarino brasileiro de propulsão nuclear começou a se tornar realidade com a assinatura do acordo militar entre Brasil e França, em setembro.

 

O acordo viabilizou um projeto de 6,8 bilhões de euros (cerca de R$ 20 bilhões) que inclui o submarino nuclear, quatro submarinos convencionais e a construção de um estaleiro e de uma base naval, na Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro. O "pacote" inclui transferência de tecnologia.

 

Os submarinos convencionais, da classe Scorpène, servirão de base para o desenvolvimento do futuro submarino nuclear brasileiro. O propulsor, que não está incluído no acordo, será desenvolvido pela Marinha.

 

Segundo a Marinha, quase 1,9 bilhão de euros será destinado ao projeto e à construção do estaleiro e da base naval. A execução do programa propriamente consumirá 4,9 bilhões de euros, sendo 1 bilhão na aquisição de torpedos e da tecnologia de projeto tanto do submarino convencional como do nuclear. "A transferência de tecnologia representa aspecto decisivo e crucial, sobretudo pela dificuldade de se encontrarem parceiros internacionais que realmente estejam dispostos a concretizar tal transferência, o que possibilitará projetar, no futuro, os nossos próprios submarinos", informou a Marinha.

 

 

O projeto e a construção do futuro submarino nuclear - casco, sistemas, reator e planta da propulsão - está orçado em 2 bilhões de euros. Os quatro submarinos convencionais custarão 1,66 bilhão de euros, 415 milhões cada. A Marinha também prevê gastos de 240 milhões de euros com a compra de itens sobressalentes para apoio logístico. Os submarinos Scorpène e a parte não nuclear de um submarino de propulsão atômica serão fornecidos pelo estaleiro francês DCNS, junto com um programa de transferência de tecnologia. O estaleiro e a base naval serão erguidos pela Odebrecht.

Para a construção dos submarinos foi constituída a Itaguaí Construções Navais, joint venture formada pelo DCNS (41%) e pela Odebrecht (59%) na qual a Marinha detém uma golden share com poder de veto em questões consideradas estratégicas.

 

"O Brasil escolheu o DCNS para dispor de submarinos de alta tecnologia, perfeitamente adaptados às necessidades de proteção e defesa dos 8.500 quilômetros do litoral brasileiro", declarou o comandante da Marinha Júlio Soares de Moura Neto.

 

Segundo o cronograma da Marinha, as atividades de transferência de tecnologia e de desenvolvimento do submarino nuclear começam este ano. A construção do estaleiro e da base deve ter início em 2011. Também para o próximo ano está previsto o início da construção do primeiro submarino Scorpène, que deverá ficar pronto em 2015. A construção do submarino nuclear deve ser iniciada em 2016, com previsão de término em 2022. Cerca de 30 empresas brasileiras fornecerão mais de 36 mil itens para cada um dos quatro submarinos previstos.

 

 

De acordo com o gerente do Departamento de Política e Estratégia do Ministério da Defesa no período de 2003 a 2005, Luis Alexandre Fuccille, a importância do submarino nuclear cresce com a descoberta do pré-sal: "A diferença em relação a um submarino convencional é gigantesca em termos de operação; ele alcança maior profundidade e não necessita emergir, ficando fora do alcance dos sonares".

 

 

Fonte: DCI/Iara Gomes

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