Siderurgia

Mantega ameaça siderúrgicas

Jornal do Commercio
22/09/2009 06:10
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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo poderá recuar da decisão tomada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) em junho deste ano, que elevou as alíquotas de importação de oito tipos de aço para 15% depois de três anos em que as taxas estavam zeradas. A Camex adotou a medida para equilibrar o mercado e estabilizar os preços, mas meses depois a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciaram a seus clientes aumentos no insumo entre 10% e 13%. Fontes atribuíram a elevação à recuperação de preços da matéria-prima no exterior.



Uma das indústrias que seriam afetadas por esse aumento é a automobilística, que recuperou as vendas com a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) desde dezembro do ano passado. Mantega reiterou que a evolução da alíquota desse tributo manterá o cronograma já divulgado, com subida a partir de outubro, até voltar ao percentual original em janeiro. O governo havia zerado as alíquotas de importação de uma série de tipos de aço em 2005, em um momento de consumo e preços dos produtos siderúrgicos em alta. Com a desaceleração da economia global no final de 2008, a demanda por aço caiu em todo o mundo. A retomada da atividade nos últimos meses tem reaquecido a demanda por produtos siderúrgicos, levantando receio pelas indústrias consumidoras de reajuste de preços.



"Eu andei vendo o preço do aço se movimentando, e nós poderemos reduzir de novo a alíquota de importação do aço para aqueles setores que pretendem aumentar os preços. Ainda não houve aumento, mas vi algum anúncio de aumento do aço. Eu desaconselho as empresas a fazerem isso porque não se justifica", afirmou, depois de proferir a palestra de abertura do 6º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.



Mantega ameaçou voltar a zerar a alíquota de importação do aço para impedir que os preços do insumo subam. "As empresas ainda estão com capacidade ociosa. Está sobrando aço no mundo, e, se houver aumento, nós reduziremos a alíquota de importação. Podemos zerá-la, ela estava zerada", declarou. "Se houver isso, vou baixar a alíquota de importação de modo a fomentar a concorrência e não permitir que o aço suba", acrescentou. A medida já vinha sendo estudada há pouco mais de uma semana, segundo antecipou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.



Para o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, o corte da alíquota poderá comprometer os investimentos de longo prazo do setor siderúrgico. "Seria um problema para os investimentos de que o setor precisa", disse em evento promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).



CUIDADO. O executivo afirmou que o governo "deve entender" que ainda existe um grande excesso de produção de aço no mundo, e que existem muitos produtos "boiando" em todos os continentes. "O Brasil precisa tomar cuidado para não importar empregos de fora", afirmou. Apesar de defender a manutenção da alíquota, o empresário disse que as importações não caíram desde que ela foi retomada, em junho deste ano.



Segundo Steinbruch, cabe ao ministro manter a pressão para impedir altas de preço. "Os clientes falam com o governo e fazem pressão, mas ela não é legitima porque o preço do aço não subiu para nenhum cliente industrial", afirmou. Steinbruch afirmou ontem que os reajustes de 10% praticados pela CSN a partir de setembro se concentram na distribuição, que atende a pequena e média indústria e representa um terço das vendas de aço do Brasil.



Steinbruch confirmou que a empresa aumentou em cerca de 10% os preços do aço para o setor de distribuição. Segundo ele, este reajuste começou a ser feito neste mês e será aplicado gradualmente até o final do ano. O executivo explicou que o setor de distribuição concentrou as maiores quedas de preço durante a crise, com queda de até 30%, e por isso está sofrendo os reajustes neste momento. "A distribuição trabalha com estoques e foi o segmento mais afetado pelo excesso de oferta de aço", afirmou.



Os distribuidores de aço, que atendem a pequena e média indústria, representam cerca de um terço do consumo de aço do País. De acordo com Steinbruch, a CSN não aumentou preços para seus clientes industriais (como montadoras e empresas da linha branca) e nem poderá fazê-lo até dezembro porque os contratos existentes expiram apenas no final do ano. Segundo ele, as conversas com a indústria de grande porte, que faz suas encomendas diretamente com as usinas, já estão acontecendo no momento, mas novos preços serão anunciados apenas a partir de dezembro.



O empresário afirmou que aumentos de preço para a indústria vão depender do comportamento do mercado no quarto trimestre. "Se a melhora ocorrer como todos estão falando, deve haver uma correção", disse.

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