Biocombustível

Mais empregos com o etanol

O aumento da produção do etanol em 15% para atender a demanda pelo combustível deverá gerar cerca de 170 mil postos de trabalho em toda a cadeia produtiva. A outra boa notícia é que a qualificação desses postos de trabalho também tem aumentado. A análise, a partir de estudo coordenado por

FAPESP
26/03/2010 11:17
Visualizações: 804

O aumento da produção do etanol em 15% para atender a demanda pelo combustível deverá gerar cerca de 170 mil postos de trabalho em toda a cadeia produtiva. A outra boa notícia é que a qualificação desses postos de trabalho também tem aumentado. A análise, a partir de estudo coordenado por Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), foi apresentada na Convenção Latino-Americana do Projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada esta semana na sede da FAPESP.


A cana-de-açúcar é a cultura que mais emprega no Brasil, sendo responsável atualmente por 629 mil postos de trabalho, o que equivale a mais de um quinto da mão de obra empregada na agricultura do país, segundo Márcia, que é ligada ao Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.


Mesmo com a mecanização da lavoura, o número de postos de trabalho aumentou no período de 1981 a 2008, especialmente por conta da expansão do setor a fim de abastecer o mercado de combustíveis, apontou o estudo. Atualmente, cerca de metade da produção agrícola é mecanizada enquanto o restante permanece com técnicas manuais.


“A mecanização tende a aumentar graças à agenda de proibição da queima da cana para a colheita, prevista em lei”, disse a pesquisadora, referindo-se à Lei n° 11.241 do Estado de São Paulo, que determina a redução gradual da queima até a sua extinção total no ano de 2031.


O aumento da mecanização levará a perdas de postos de trabalho, segundo cálculos da pesquisa. Eles apontam o desaparecimento de oito vagas, em média, para cada máquina adquirida. “A mecanização pode significar o corte de 50 mil a 100 mil postos de trabalho”, disse Márcia.


Mesmo assim, o aumento da produção de etanol deve suplantar essas perdas, gerando 170 mil postos de trabalho nos próximos anos, o que equivaleria a um aumento de R$ 236 milhões na economia.


O estudo também comparou os impactos sociais com os da indústria do petróleo, que empregava 73 mil trabalhadores no ano de 2007. “É um número seis vezes menor do que os empregados da cana-de-açúcar, que eram 465 mil naquele ano”, disse.


Além de mais numerosos, os empregos gerados pela cana são mais bem distribuídos pelo país em comparação aos do petróleo. Enquanto a produção petrolífera se concentra em uma parte da faixa litorânea, a indústria da cana está espalhada por vários Estados brasileiros, o que ajuda a estender os benefícios econômicos e sociais a mais lugares.

 

A desigualdade entre as regiões, no entanto, perdura dentro do próprio setor sucroalcooleiro. Enquanto no Estado de São Paulo o trabalhador recebe em média US$ 456 por mês (o equivalente a R$ 820), no Nordeste a média salarial fica em torno de US$ 349 (R$ 630). Em todo caso, o setor paga, em média, 51% a mais do que o salário mínimo nacional.


A diferença no tempo de escolaridade também é latente no setor e considerada baixa em todo o país. Os empregados com maior tempo de estudo atuam em São Paulo e possuem em média 5,4 anos de estudo. No Nordeste, a média cai para 3,1 anos.


“O setor também concentra um grande número de empregados analfabetos, totalizando 24% de toda a mão de obra, uma multidão de 120 mil trabalhadores”, ressaltou Márcia.


Treinamento e ensino


Mas a pesquisa também levantou que a qualificação do trabalhador e a qualidade do emprego do setor têm aumentado. A cana-de-açúcar possui 81% de seus trabalhadores formalmente contratados, uma exceção no setor agrícola nacional, que tem apenas 40% de sua mão de obra com carteira de trabalho assinada.


“Isso significa que eles estão protegidos pela legislação e gozam de direitos como férias remuneradas, seguro social e fundo de garantia”, apontou a professora da Esalq.


O trabalho infantil no setor também foi praticamente erradicado desde 1981, segundo o estudo. Naquele ano, 15,3% dos trabalhadores da cultura de cana-de-açúcar tinham entre 10 e 15 anos de idade. Em 2008, os menores de idade eram 0,09%. “Isso se deve a políticas governamentais de incentivo, a uma fiscalização mais acirrada e a uma pressão do próprio mercado”, disse Márcia.


A necessidade de aumento na qualificação, no entanto, permanece. A pesquisadora citou o esforço da União Nacional da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que recentemente promoveu o treinamento de 7 mil trabalhadores a fim de que se qualificassem para operar máquinas agrícolas.


Segundo Márcia, a baixa escolaridade ainda presente pode significar um gargalo importante na expansão do setor e, para contorná-lo, serão necessárias tanto estratégias da iniciativa privada como políticas públicas específicas.
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ANP
Em novembro o Brasil produziu 4,921 milhões de barris boe/d
05/01/26
Negócio
KPMG: fusões e aquisições em petróleo têm recuo de quase...
05/01/26
Etanol
Anidro e hidratado iniciam o ano em alta pelo Indicador ...
05/01/26
Pré-Sal
Com a FPSO P-78, Petrobras inicia produção de Búzios 6
02/01/26
Pré-Sal
Seatrium conquista primeiro marco do escopo completo da ...
02/01/26
Biometano
Edge e Orizon obtêm autorização da ANP para comercializa...
02/01/26
Biodiesel
ANP prorroga suspensão da comercialização de biodiesel e...
30/12/25
Portos
Governo Federal aprova estudos finais para arrendamento ...
30/12/25
Petrobras
Brasil avança para atender demanda de combustível susten...
29/12/25
Leilão
Petrobras coloca em leilão online as plataformas P-26 e P-19
29/12/25
Automação
A capacitação da tripulação e a conectividade são os ver...
29/12/25
Royalties
Valores referentes à produção de outubro para contratos ...
24/12/25
PD&I
ANP aprimora documentos relativos a investimentos da Clá...
23/12/25
CBios
RenovaBio: prazo para aposentadoria de CBIOS por distrib...
23/12/25
GNV
Sindirepa aguarda redução no preço do GNV para o início ...
23/12/25
Apoio Offshore
OceanPact firma contrato de cerca de meio bilhão de reai...
23/12/25
Sergipe
Governo de Sergipe e Petrobras debatem infraestrutura e ...
23/12/25
Drilling
Foresea é eleita a melhor operadora de sondas pela 4ª ve...
22/12/25
Certificação
MODEC celebra 10 anos da certificação de SPIE
22/12/25
Pré-Sal
ANP autoriza início das operações do FPSO P-78 no campo ...
22/12/25
IBP
Congresso Nacional fortalece papel da ANP
22/12/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.