Abreu e Lima

Licitações da refinaria são canceladas

Jornal do Commercio
02/04/2009 04:28
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Ganhou, mas não levou. Essa é a situação de empreiteiras que apresentaram preços excessivos para a construção de grandes estruturas da Refinaria Abreu e Lima. A Petrobras decidiu cancelar as licitações de sete pacotes da refinaria, incluindo o coração do processo – que são as unidades de destilação, hidrorefino e coqueamento retardado. Essas são as unidades responsáveis por transformar o óleo bruto em derivados como diesel, gasolina e querosene. A decisão pode resultar numa demora inicial mas garantir que a unidade fique dentro de um preço razoável e enfrente menos problemas no Tribunal de Contas da União (TCU), que já investiga o contrato da terraplenagem.

 

Entre novembro e dezembro do ano passado, a Petrobras enviou ao mercado carta-convites para empreiteiras apresentarem os preços de construção e montagens de todas as estruturas da refinaria. Os resultados surpreenderam a equipe de implantação da Abreu e Lima pelo valor elevado. Os valores somados chegavam a R$ 23 bilhões, conforme antecipou o JC, enquanto o orçamento inicial da unidade era de R$ 10,1 bilhões.

 

A Petrobras entrou num processo de negociação direta com as empresas que apresentaram os menores preços para cada tipo de construção licitada. Mas a maior parte dessas tratativas não foram bem sucedidas. No final do mês passado, a estatal de petróleo tomou a decisão de relicitar as unidades que tiveram inicialmente sobrepreço. Novos convites foram emitidos e os processos estão em andamento. Esse é o caso da estação de tratamento de despejos industriais, que havia sido ganha pela CR Almeida, GEL e Passarelle por R$ 1,1 bilhão, mas foi cancelado e nova proposta deverá ser recebida no final deste mês.

 

A unidade de coqueamento retardado apresentou o maior valor na primeira licitação: R$ 5,978 bilhões, segundo proposta da Camargo e CNEC. A concorrência também foi cancelada e uma nova proposta será entregue em 28 de abril. Com uma diferença significativa. Para estimular a concorrência, a Petrobras dividiu esse pacote em dois, um para o pátio de coque e outro para a unidade de coqueamento.

 

Também foram cancelados a unidade de hidrorefino (que havia apresentado preço de R$ 4,226 bilhões pela Odebrecht e OAS), a unidade de destilação atmosférica (também OAS e Odebrecht, com R$ 1,899 bilhão), tubovias (Queiroz Galvão e IESA, por R$ 4,986 bilhões) e as interligações elétricas (que havia sido ganha pelo consórcio Schain/Estacom/Findes/DM por R$ 253,9 milhões).

 

No mês passado a Petrobras assinou cinco grandes contratos, totalizando R$ 2,89 bilhões. Já foram contratadas as edificações da unidade, a construção dos tanques, o contrato global de elétrica e a Estação de Tratamento de Água (ETA). Ainda no ano passado foi assinado o contrato da Casa de Força, uma termelétrica com capacidade para 200 MW que vai abastecer a refinaria com energia e ar-comprimido.

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