Mercado

Indústria automobilística no Brasil deve produzir 5 milhões de veículos/ano para ser competitiva

A indústria automobilística brasileira precisa de um mercado interno forte e produzir pelo menos cinco milhões de veículos por ano para ganhar competitividade. O alerta é do presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, que apresentou a palestra de abertura do Simpósio Tendências e Inovaç

Redação
03/09/2009 09:43
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A indústria automobilística brasileira precisa de um mercado interno forte e produzir pelo menos cinco milhões de veículos por ano para ganhar competitividade. O alerta é do presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, que apresentou a palestra de abertura do Simpósio Tendências e Inovação, promovido pela SAE BRASIL dia 31 de agosto, em São Paulo.

 

O dirigente afirmou que há muitos desafios importantes para o setor, como o estímulo à formação de engenheiros, a criação de pólos de pesquisa e desenvolvimento, a utilização de energias renováveis e o desenvolvimento de carros mais eficientes. Belini revelou que no ano passado 43 mil engenheiros saíram das universidades brasileiras, contra 430 mil da Índia e 440 mil da Rússia.

 

“O Brasil caminha para ser o segundo maior mercado entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), mas ainda faltam política industrial integrada e investimentos em inovação. As oportunidades de crescimento são boas, já que o Brasil tem um veículo para pouco mais de sete habitantes. Para chegar à mesma situação da Europa, por exemplo, precisamos elevar a nossa frota em 75 milhões de veículos", destacou.

 

Marcos de Oliveira, presidente da Ford para o Mercosul, acredita que a produção de 5 milhões de veículos será viável em 10 anos. “Vários fatores poderão colaborar, como queda na taxa de juros, melhora do poder aquisitivo e acesso ao crédito”, ressaltou.

 

Jackson Schneider, presidente da Anfavea, reiterou que o excesso de capacidade produtiva mundial, da ordem de 21 milhões de unidades, tem despertado interesse crescente pelo mercado brasileiro, onde há uma demanda reprimida. Enquanto as importações crescem, as exportações despencam. Este ano o Brasil deve vender no Exterior apenas 400 mil veículos, contra 735 mil em 2008. Para o executivo, o desafio de elevar a competitividade do setor exige melhor estrutura tributária, infraestrutura logística, eficiência administrativa e acordos comerciais.

 

Roberto Cortes, presidente da MAN América Latina, anunciou a produção local de caminhões pesados da marca no Brasil, em paralelo com os atuais veículos da Volkswagen Caminhões. A empresa está selecionando os fornecedores para atender a montagem dos novos caminhões, que seguirá o modelo do consórcio modular.

 

Guido Vildozo, diretor da IHS Global Insight para a América Latina, analisou os cenários globais para a indústria automobilística e disse que o Brasil é um dos três mercados em crescimento, ao lado de China e Alemanha. “O Brasil recuperou o fôlego nas vendas automotivas, graças à redução do IPI”, afirmou.

 

Suprimentos – Para Letícia Costa, vice-presidente da Booz & Company, o crescimento global virá dos países emergentes. Ela prevê que as montadoras tradicionais detentoras em 2006 de 91% do mercado global, cairão para 68% em 2020, o que implicará em mudança na base de clientes das autopeças.

 

“A cadeia de suprimentos tem de se preparar para fornecer para estes novos players”, disse. Letícia afirmou que no Brasil o desafio é evitar a redução na nacionalização e conter o déficit na balança comercial do setor, que este ano pode chegar a US$ 2,7 bilhões. “É preciso investir em produtos e processos para gerar maior competitividade, diversificar o mercado e alavancar a posição do setor entre os BRICs”, aconselhou.

 

Paulo Butori, presidente do Sindipeças, explicou que o déficit se agravou nos últimos anos devido à queda na alíquota de importação de autopeças. “Não é a falta de investimentos, inovações e trabalho do setor.

 

Alíquota é uma proteção para a produção nacional e se ela é retirada o País fica mais exposto ao mercado internacional”, avaliou.

 

André Carioba, vice-presidente sênior da AGCO Corp para a América do Sul, destacou que é preciso melhorar a competitividade do fornecedor. “Alemanha, França e Itália são países competitivos porque investem em tecnologia e em produtividade”, lembrou o dirigente.

 

Na visão de Vagner Galeote, diretor de Compras da Ford, há casos gritantes de desperdício na cadeia de produção, reduzindo a competitividade das empresas locais. “Temos também uma estrutura de impostos e deficiências logísticas históricas que afetam o desempenho setorial”, ressaltou o executivo.

 

Tecnologias – A FPT Powertrain Technologies lançou no simpósio o conceito do motor Multiair, capaz de gerenciar de modo mais eficiente o fluxo de ar nas câmaras de combustão. O sistema reduz a emissão de CO2, traz ganho de potência da ordem de 10% e assegura diminuição de 10% a 25% no consumo, segundo o fabricante, que aplicará a tecnologia em veículos produzidos inicialmente na Itália.

 

Lucio Bernard, diretor do Centro de Pesquisa e Tecnologia da FPT, destacou também os esforços para desenvolvimento de motores menores e mais eficientes, capazes de atender as novas e rígidas leis de emissões européias.

 

Mão-de-obra - Se inovar é condição básica para preservar a competitividade das marcas e está relacionado à capacidade da engenharia competir globalmente, para Milton Lubraico, engenheiro-chefe de Desenvolvimento de Produto da Ford, falta pessoal especializado para o Brasil avançar na área de desenvolvimento e inovação. “A carência é grande, incluindo cientistas e doutores”, advertiu.

 

A General Motors ampliou em mais de 50% o quadro de engenheiros com recém-formados. “Temos um plano para torná-los experientes o mais rápido possível”, contou Pedro Manuchakian, vice-presidente de Engenharia de Produtos das Operações na América do Sul. “Precisamos de profissionais jovens, com experiência e versáteis”, disse Reinaldo Muratori, diretor de Engenharia da Mitsubishi Motors. Renato Mastrobuono, diretor de Engenharia da Iveco, acrescentou que falta às universidades adequarem o conteúdo de seus programas às necessidades do mercado automotivo.

 

 

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