Biocombustível

Importar biocombustíveis pode ser mais sustentável para países desenvolvidos

Importar biocombustíveis de países como o Brasil pode ser mais sustentável e econômico para nações do Hemisfério Norte do que investir na melhoria de uma produção própria. É o que aponta um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Wageningen, da Holanda, que será divulgado na p

Unica
03/05/2010 09:32
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Importar biocombustíveis de países como o Brasil pode ser mais sustentável e econômico para nações do Hemisfério Norte do que investir na melhoria de uma produção própria. É o que aponta um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Wageningen, da Holanda, que será divulgado na próxima edição da revista científica “Biomass and Bioenergy”. O artigo conclui que os biocombustíveis produzidos em regiões de clima tropical são atualmente os mais sustentáveis.

 


“A sustentabilidade dos bicombustíveis produzidos no hemisfério norte poderia ser melhorada. Contudo, isso não é necessariamente desejável já que pode ser mais sustentável e econômico para esses países importarem biocombustível do Brasil ou do sudeste da Ásia, onde os custos com transporte, de emissões de gases de efeito estufa e a necessidade de energia são geralmente menores,” afirma o trabalho.

 

O estudo, cujo título é “Resource use efficiency and environmental performance of nine major biofuel crops, processed by first-generation conversion techniques” (“Eficiência na utilização de recursos e desempenho ambiental das nove principais matérias-primas de biocombustíveis processadas por técnicas de conversão de primeira geração”, em tradução livre), compara a eficiência na utilização de recursos naturais e o desempenho ambiental de nove biocombustíveis de primeira geração - etanol de milho, trigo, mandioca, sorgo doce, cana-de-açúcar, beterraba e biodiesel de óleo de palma, canola e soja.

 

Para a assessora sênior do presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) para assuntos internacionais, Géraldine Kutas, este tipo de trabalho comparativo é fundamental para mostrar as vantagens ambientais do etanol de cana-de-açúcar. “A pesquisa holandesa confirma a sustentabilidade do etanol brasileiro, focando principalmente nas boas práticas agrícolas do setor que permitem um manejo sustentável das plantações e uma maior redução de gases de efeito estufa em comparação a outros biocombustíveis.”

 

Desempenho

 


A pesquisa utiliza como base para comparação indicadores de sustentabilidade que focam na qualidade do solo, produção de energia e emissão de gases de efeito estufa. Os biocombustíveis produzidos de óleo de palma (localizados no sudeste da Ásia), cana-de-açúcar (do Brasil) e sorgo doce (da China) foram considerados os mais sustentáveis, pois estas matérias-primas fazem uso mais eficiente da terra, água, e outros recursos naturais e de energia, além do uso de pesticida ser baixo.

 

“Considerando-se que os cálculos não levaram em conta as emissões ligadas a Efeitos Indiretos do Uso da Terra (Indirect Land Use Changes – ILUC), as emissões de gases de efeito estufa destes três biocombustíveis são amplamente reduzidas em comparação aos combustíveis fósseis,” salienta o artigo.

 

O milho (utilizado nos EUA) e o trigo (do noroeste da Europa), também usados como matéria-prima para a produção de etanol, tiveram fraco desempenho em quase todos os indicadores. Isto porque não conseguem alcançar seu objetivo primordial, que é a redução do uso de energia fóssil e das emissões de gases de efeito estufa. A beterraba (noroeste da Europa), mandioca (Tailândia), canola (noroeste da Europa) e a soja (Estados Unidos) apresentaram desempenho médio.

 

 

 

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