Ásia e Oceania

Importação de energia gera déficit comercial inédito para o Japão

Superávits já haviam chegado ao fim em 2011.

Valor Econômico
28/01/2014 09:54
Visualizações: 453

 

Importação de energia gera déficit comercial inédito para o Japão
O Japão registrou déficit recorde em 2013, afetado pela conta com a importação de fontes de energia. Uma mudança num país cujos superávits comerciais cada vez maiores nos anos 80 alimentaram a ira americana e o salvaram de uma estagnação mais profunda durante duas décadas de deflação.
Os 30 anos de superávits já haviam chegado ao fim em 2011, quando os problemas em Fukushima levaram à desativação de usinas nucleares no país. Em 2013, houve alta de 16% nas remessas de petróleo bruto ao Japão, o que levou o déficit comercial para 11,5 trilhões de ienes (US$ 113 bilhões), quase o dobro que em 2012, segundo o Ministério das Finanças.
"A esta altura, é difícil antecipar quando o Japão vai poder sair dos déficits comerciais", disse Takeshi Minami, economista-chefe do Norinchukin Research Institute. "Se o déficit resultante dos altos custos da importação de energia fizer com que o Japão se pareça a um país de custos elevados, isso pode desencorajar iniciativas de empresas para ter centros de produção no Japão, minando a Abenomics."
A reativação das usinas nucleares não é dada como certa, o que sublinha ainda mais os obstáculos à recuperação do país, que vão do endividamento, mais de duas vezes o tamanho da economia, ao declínio recorde na população. O ex-premiê Morihiro Hosokawa, candidato a governador de Tóquio, faz campanha para que o fechamento dos reatores seja permanente.
As importações subiram 25% em dezembro em relação ao mesmo mês de 2012, enquanto as exportações avançaram 15%, levando o déficit mensal para 1,3 trilhão de ienes, o 18º mês consecutivo de déficits, outro recorde. A situação das exportações, em parte, pode refletir a transferência de atividades das empresas japonesas ao exterior, assim como uma queda de competitividade, segundo minutas da reunião de dezembro do Banco do Japão, autoridade monetária do país, divulgada ontem.
Alguns exportadores japoneses enfrentam dificuldades mesmo depois de o iene ter se desvalorizado cerca de 25% nos últimos dois anos em relação ao dólar. Neste mês, por exemplo, a Nintendo projetou prejuízo operacional e reduziu a previsão de vendas do aparelho de videogame Wii U.
Nas minutas, os membros do conselho previram que as exportações deverão subir "moderadamente" à medida que as economias externas melhorem. "Não há como negar que 2013 foi um ano ruim para o comércio", segundo relatório de Izumi Devalier, economista para o Japão do HSBC, em Hong Kong. "A depreciação expressiva e prolongada do iene traz esperanças de que as remessas tenham um impulso mais para o fim do ano e ajudem a encolher o déficit comercial. Os volumes exportados caíram em 2013."
Devalier disse que o déficit comercial pode encolher a partir do segundo trimestre, refletindo tanto a redução da demanda doméstica resultante da alta de um imposto sobre as vendas quanto o impulso às exportações decorrente da recuperação dos EUA e da região do euro. Além disso, à medida que as empresas se sentem mais confiantes com as perspectivas do câmbio, promovem descontos mais profundos nos preços de exportação.

O Japão registrou déficit recorde em 2013, afetado pela conta com a importação de fontes de energia. Uma mudança num país cujos superávits comerciais cada vez maiores nos anos 80 alimentaram a ira americana e o salvaram de uma estagnação mais profunda durante duas décadas de deflação.

Os 30 anos de superávits já haviam chegado ao fim em 2011, quando os problemas em Fukushima levaram à desativação de usinas nucleares no país. Em 2013, houve alta de 16% nas remessas de petróleo bruto ao Japão, o que levou o déficit comercial para 11,5 trilhões de ienes (US$ 113 bilhões), quase o dobro que em 2012, segundo o Ministério das Finanças.

"A esta altura, é difícil antecipar quando o Japão vai poder sair dos déficits comerciais", disse Takeshi Minami, economista-chefe do Norinchukin Research Institute. "Se o déficit resultante dos altos custos da importação de energia fizer com que o Japão se pareça a um país de custos elevados, isso pode desencorajar iniciativas de empresas para ter centros de produção no Japão, minando a Abenomics."

A reativação das usinas nucleares não é dada como certa, o que sublinha ainda mais os obstáculos à recuperação do país, que vão do endividamento, mais de duas vezes o tamanho da economia, ao declínio recorde na população. O ex-premiê Morihiro Hosokawa, candidato a governador de Tóquio, faz campanha para que o fechamento dos reatores seja permanente.

As importações subiram 25% em dezembro em relação ao mesmo mês de 2012, enquanto as exportações avançaram 15%, levando o déficit mensal para 1,3 trilhão de ienes, o 18º mês consecutivo de déficits, outro recorde. A situação das exportações, em parte, pode refletir a transferência de atividades das empresas japonesas ao exterior, assim como uma queda de competitividade, segundo minutas da reunião de dezembro do Banco do Japão, autoridade monetária do país, divulgada ontem.

Alguns exportadores japoneses enfrentam dificuldades mesmo depois de o iene ter se desvalorizado cerca de 25% nos últimos dois anos em relação ao dólar. Neste mês, por exemplo, a Nintendo projetou prejuízo operacional e reduziu a previsão de vendas do aparelho de videogame Wii U.

Nas minutas, os membros do conselho previram que as exportações deverão subir "moderadamente" à medida que as economias externas melhorem. "Não há como negar que 2013 foi um ano ruim para o comércio", segundo relatório de Izumi Devalier, economista para o Japão do HSBC, em Hong Kong. "A depreciação expressiva e prolongada do iene traz esperanças de que as remessas tenham um impulso mais para o fim do ano e ajudem a encolher o déficit comercial. Os volumes exportados caíram em 2013."

Devalier disse que o déficit comercial pode encolher a partir do segundo trimestre, refletindo tanto a redução da demanda doméstica resultante da alta de um imposto sobre as vendas quanto o impulso às exportações decorrente da recuperação dos EUA e da região do euro. Além disso, à medida que as empresas se sentem mais confiantes com as perspectivas do câmbio, promovem descontos mais profundos nos preços de exportação.

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