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Comércio Exterior

Importação de derivados supera a de petróleo

10/08/2010 | 09h20
As importações de combustíveis voltaram a crescer e a fazer estragos na balança comercial brasileira. Até junho foram gastos US$ 6,1 bilhões na importação de derivados, aumento de 220% em relação a igual período de 2009. Mesmo na comparação com o primeiro semestre de 2008, quando a economia estava aquecida, há um aumento de 17% nos gastos com importações de combustíveis.
 

Também pela primeira vez na década, os gastos com derivados superaram (também em 17%) o valor gasto na importação de petróleo, que somou US$ 5,2 bilhões até junho. Em 2009 e 2008, por exemplo, a importação de derivados correspondeu a menos de 70% da importação de óleo bruto.
 

O aumento das despesas com derivados (nafta, gás liquefeito, óleo diesel, gasolina e outros) reduziu o impacto do aumento que as exportações de petróleo poderiam ter no saldo da balança comercial. No primeiro semestre, o Brasil exportou US$ 8 bilhões em óleo bruto, valor US$ 2,6 bilhões superior ao gasto com importações. Quando os derivados são agregados ao resultado, o superávit cai para US$ 200 milhões. As exportações e importações não incluem apenas os resultados da Petrobras, mas também de outras companhias que passaram a produzir no Brasil, como a Shell.
 

As mudanças na balança comercial decorrem de um conjunto de fatores, como o crescimento da economia brasileira, o aumento do preço médio do petróleo no mercado internacional (cuja média de preço passou de US$ 52,01 por barril no primeiro semestre de 2009 para US$ 81,65 por barril no primeiro semestre deste ano), e a parada de algumas refinarias da Petrobras, o que resultou em queda de 0,4% na produção nacional de derivados, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
 

"No ano passado a economia brasileira não cresceu, tudo caiu. Também não foi necessário ligar térmicas a óleo e a comparação também se dá com uma base baixa, principalmente os primeiros meses de 2009", observa o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura. No primeiro semestre, as importações de nafta foram 89% superiores às de igual período de 2008, outro ano de forte crescimento econômico, e cresceram 191% em relação ao mesmo período de 2009.
 

As importações de óleos (incluindo diesel e óleo combustível) aumentaram 226% em volume, o que elevou de US$ 472,26 milhões para US$ 2,2 bilhões os gastos do Brasil com importações entre 2009 e 2010, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento. Esse aumento significou um salto de 367,40% de janeiro a junho deste ano comparado com o mesmo período de 2009. "Esses dados praticamente confirmam que o diesel e a nafta continuam sendo o calcanhar-de-aquiles do Brasil em termos de derivados. Além disso se vivia uma grande crise e agora o Brasil deu uma bela recuperada", acrescenta Pires.
 

Outra hipótese para o crescimento da importação de derivados de petróleo neste ano é o preço do etanol usado como combustível nos veículos flex. Isso porque houve aumento das exportações de açúcar no período de entressafra da cana (de outubro a março), gerando uma substituição do consumo do etanol, mais escasso e caro, pela gasolina.
 

A diminuição da oferta de etanol no mercado nacional fez com que o governo reduzisse de 25% para 20% o percentual obrigatório de álcool na gasolina no período de 1º de fevereiro a 1º de maio. A pressão dos preços do etanol levou a Petrobras a importar gasolina no começo do ano pela primeira vez em cerca de 40 anos. "A produção de etanol despencou, e isso mexeu com o percentual de mistura na gasolina, aumentando a necessidade de consumo deste combustível", diz Marco Antônio Almeida, secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia.
 
 
Segundo ele, o crescimento da economia também deve ter influenciado a alta da importação de outros derivados de petróleo, como o querosene para aviação, 100% importado. "O Brasil não está com falta de capacidade de refino, mas está passando por uma adaptação de perfil das refinarias, para começar a refinar produtos que o país necessita", diz ele.
 

Segundo a ANP, o consumo do querosene para aviação aumentou 5,6% no primeiro semestre deste ano. Almeida destaca também que o crescimento da produção do petróleo nacional deve marcar uma tendência de crescimento mais fraco da importação do petróleo, diminuindo a diferença com a importação de derivados.
 

Os dados da ANP também mostram que aumentaram de forma expressiva as importações de GLP (60%) e querosene de aviação (32%). Para a ANP, o aumento do consumo interno foi o grande responsável pela maior importação. Os dados da agência mostram que as vendas de gasolina C (mistura de gasolina pura com álcool) subiram 20,3%, enquanto as vendas de óleo diesel cresceram 12,8% e as de querosene de aviação aumentaram 14,9%.


Fonte: Valor Econômico
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