Gesel

Hidrelétricas, modelo saturado

Jornal do Commercio
28/09/2009 03:24
Visualizações: 288
O Brasil precisa expandir a oferta de energia elétrica para os próximos anos, por ser um país em desenvolvimento que aumentará bastante o seu consumo de energia. Para isso, o País tem que definir em que bases essa expansão irá acontecer. O pesquisador sênior do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que faz parte do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), Guilherme de Azevedo Dantas, afirma que o modelo hidrelétrico está saturado e o Brasil terá que investir em fontes de energia alternativas, como eólica, bioeletricidade e termelétrica.
 
 
“Temos hoje uma matriz completamente hidrelétrica. Noventa por cento da nossa geração vêm de fontes hídricas, baseadas em grandes reservatórios situados em áreas de planalto, já amplamente ocupadas. Ainda existe enorme potencial elétrico em áreas de planície, ainda pouco exploradas. Além disso, ficou muito mais rígida essa questão de licenciamento ambiental, que em certos casos é paradoxal. Hoje em dia, por exemplo, é uma dificuldade aprovar hidrelétricas de grande porte, mas, em contrapartida, é mais simples aprovar usinas superpoluentes, como as termelétricas”, diz.
 
 
O pesquisador explica que é mais difícil mensurar os impactos sócio-ambientais de uma usina hidrelétrica, por haver fatores como a remoção de moradores locais e desmatamento, do que a de uma termelétrica, na qual sabe-se quanto carbono irá emitir e todas as outras variáveis envolvidas. Ele afirma também que desde que as licenças ambientais passaram a ser “autorais”, elas ficaram mais difíceis de ser obtidas, porque quem deu a licença pode agora ser processado criminalmente caso saia algo errado com o projeto aprovado.
 
 
“Além do mais, o alagamento de uma grande área para a construção de hidrelétrica é um chamariz maior para ações de órgãos ligados à defesa do meio ambiente do que a construção de diversas pequenas termelétricas, que produzem bem mais carbono e cuja poluição afeta o mundo todo. É difícil criar mobilização para projetos menores”, afirmou.
 
 
Dantas concorda com a observação do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, que a matriz energética brasileira é praticamente limpa de emissão de CO2. Estudos indicam que o Brasil é o quinto maior emissor de gás carbônico do mundo, devido, principalmente, às queimadas de vegetação nativa.
 
 
risco ambiental. Ele defende uma mudança nos critérios de avaliação de risco ambiental. “O problema do Brasil é o desmatamento. Mesmo com a matriz energética limpa, estamos em quinto lugar no ranking de emissores de CO2, mas atualmente, a grande quantidade de empecilhos técnicos criados para licenciar uma hidrelétrica acaba justificando os investimentos em usinas térmicas”, afirma.
 
 
Para ele, o Brasil tem que realizar estudo de suas potencialidades hidrelétricas. De acordo com Dantas, por conta de esse estudo não ter sido realizado na década de 90, houve mais oferta de leilões de energia térmica do que hidrelétrica. “Agora, o modelo baseado em grandes hidrelétricas está saturado e, segundo um estudo da EPE, a participação desse tipo de energia na matriz brasileira vai ir de 90% para 75% em 2030″.
 
 
Dantas explica que é necessário o investimento em fontes alternativas, para complementar a hidrelétrica. “A questão que se coloca é a seguinte, qual é a melhor fonte para se efetuar essa complementação? Porque temos que ter usinas que geram energia o tempo todo? Com hidrelétricas, vamos precisar de usinas complementares. Devido às questões ambientais que restringem tamanho dos reservatórios, no período seco do ano você vai precisar de outras fontes de energia, porque não vai ter carga suficiente para atender à demanda futura só com usinas hídricas”, disse.
 
 
Ele explica que as usinas que tem que ser contratadas para complementar a emissão de energia para o consumo de base são aquelas com custo variável baixo, como as térmicas.
 
 
natureza. “Outras duas fontes que são apropriadas para complementar o parque hídrico brasileiro, porque a natureza foi muito bondosa com o Brasil, foram a bioeletricidade e a energia eólica. Venta mais no período seco e a safra de cana-de-açúcar ocorre no período seco. Nossos estudos mostram que a aparente falta de competitividade desse tipo de energia tem mais a ver com as regras de contratação e metodologia utilizadas no leilão. Fora isso, elas são competitivas. Além do mais, historicamente a bioeletricidade era criada para queimar o bagaço da cana e não tinha a geração de energia como prioridade”, completou Dantas.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
Energia Solar
Newave Energia e Gerdau inauguram Complexo Solar de Barr...
19/03/26
Combustíveis
Diesel chega a R$ 7,17 com conflito entre EUA e Irã, apo...
19/03/26
Petrobras
Museu do Petróleo e Novas Energias irá funcionar no préd...
19/03/26
Pesquisa e Inovação
MODEC impulsiona inovação e P&D com ideias que apontam o...
19/03/26
Etanol
Geopolítica e energia redesenham o papel do etanol no ce...
19/03/26
Energia Elétrica
Copel vence leilão federal e vai aumentar em 33% a capac...
19/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy: debates focam no papel estratégico do gás ...
18/03/26
Economia
Firjan vê início da queda da Selic como positivo para a ...
18/03/26
Internacional
Petrobras confirma nova descoberta de gás na Colômbia
18/03/26
Publicações
IBP fortalece editora institucional, amplia publicações ...
18/03/26
Macaé Energy
Acro Cabos de Aço participa da Macaé Energy 2026
18/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 consolida município como capital nacio...
17/03/26
Macaé Energy
Com recorde de público, feira e congresso do Macaé Energ...
17/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy debate segurança energética e inovação no s...
16/03/26
Macaé Energy
Firjan: congresso técnico é um dos pontos altos do Macaé...
16/03/26
Combustíveis
Etanol mantém leve alta no indicador semanal, enquanto P...
16/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23