Biodiesel

Há espaço para desenvolvimento científico e tecnológico na indústria de biodiesel, diz Ubrabio

Redação/Assessoria
10/07/2020 09:51
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“Apesar de já termos 50 indústrias, há no biodiesel um espaço muito maior de desenvolvimento científico e tecnológico do que na indústria do petróleo, por exemplo”. A afirmação foi feita pelo diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski, durante live promovida pela Embrapa Agroenergia nesta quinta-feira (09/07).

O objetivo do encontro foi apresentar as contribuições da ciência e tecnologia para o desenvolvimento da cadeia de biocombustíveis no Brasil e como investimentos em inovação podem ajudar na expansão dos renováveis.

Sob a moderação do chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Alexandre Alonso, o evento online contou ainda com a participação do Diretor de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Miguel Ivan Lacerda; do presidente da Unica, Evandro Gussi e do professor da Unicamp, Gonçalo Pereira.

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Segundo Tokarski, as ações da Embrapa contribuíram muito para a implementação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), que é hoje uma política de Estado sustentável técnica e economicamente, com qualidade, preços competitivos, e produção a partir de diferentes fontes de oleaginosas e em diversas regiões do país.

Desafios tecnológicos

“A ações voltadas à PD&I podem contribuir na superação dos desafios tecnológicos identificados na área de biodiesel”, afirmou o diretor superintendente da Ubrabio.

Dentre os desafios, Tokarski elencou sete: 1) diversificar as fontes de matérias-primas; 2) aumentar o uso de materiais graxos de baixa qualidade e de menor custo; 3) otimizar tecnologias de produção de biodiesel e de derivados graxos; 4) simplificar metodologias de controle da qualidade; 5) garantir a qualidade do biodiesel durante o transporte e armazenamento; 6) aumentar os percentuais de mistura com óleo diesel, com garantia de qualidade na produção, pós-produção e uso em motores e veículos; e 7) agregar valor aos coprodutos provenientes da cadeia de produção e uso.

“No campo de qualidade, a Ubrabio defende inclusive um Programa de Qualidade Unificado. Vale também lembrar que o nosso biodiesel já tem qualidade, diante das exigências das resoluções da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), superior às especificações da Europa ou EUA”, destacou.

Rastreabilidade da soja

A questão da rastreabilidade e elegibilidade da soja, e de outras matérias primas, essenciais a produção de biodiesel foi outro ponto abordado pelo superintendente da Ubrabio.

“A certificação de origem da soja está muito prejudicada análise de ciclo de vida da Renovacalc, o que dificulta muito a possibilidade de emissões de CBios neste importante programa que é o RenovaBio. Entretanto, já alinhamos com a Embrapa para elaborarmos uma metodologia para trabalhar a elegibilidade e, em um segundo momento, a rastreabilidade da soja”, revelou.

InstitucionalNovas matérias-primas alternativas à soja

“Só no Cerrado, segundo a própria Embrapa, temos mais de 12 mil espécies de plantas e com certeza várias dessas espécies poderiam ser utilizadas na produção de óleos, assim como em outros biomas”, conta Tokarski.

Para ele, é preciso que o CNPq promova prioritariamente linhas de pesquisa para biocombustíveis facilitando bolsas para mestrado e doutorado.

Além disso, ele acredita que associações ligadas aos biocombustíveis como a Ubrabio e a Unica deveriam ter representantes nos Conselhos Científicos do CNPq e da CAPES a fim de nortear os reais interesses e desafios científicos a serem resolvidos.

“A maior fonte de recursos para C&T no Brasil são recursos provenientes das empresas produtoras de petróleo (Petrobras, Shell, Total, Galp, Sinochem, Equinor etc). Deveríamos apoiar que um percentual mínimo (20%, por exemplo) seja aplicado em biocombustíveis”, completou.

Bioquerosene e diesel verde (HVO)

A introdução de novos biocombustíveis na matriz energética também teve espaço no diálogo.

De acordo com Tokarski, a grande discussão é como fazer o bioquerosene e o HVO (diesel verde) entrarem no mercado e para isso é preciso um Marco Regulatório que contemple os diversos elos dessas cadeias, garantindo previsibilidade de longo prazo.

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