Agroenergia

Grupo chinês na briga por usinas no Brasil

Valor Econômico
06/09/2010 09:36
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A Cofco Ltd., um dos maiores grupos de agronegócios e alimentos da China, com faturamento de US$ 26 bilhões em 2009, entrou na disputa por usinas sucroalcooleiras no Brasil. Na mira na empresa estão duas unidades da Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), que pertence a um pool de fundos de investimentos - entre os quais o Riverstone e o Goldman Sachs -, e também já atraíram o interesse de outros players.
 

Entre outros negócios, a Cofco é a maior produtora de açúcar de beterraba da China, e em razão de sucessivas quebras de safra em seu país passou a ampliar as importações do produto do Brasil, derivado da cana. Se a Cofco levar as duas usinas da CNAA, localizadas em Goiás e Minas Gerais e com capacidade conjunta para processar 4 milhões de toneladas de cana por safra, será o primeiro negócio chinês no segmento fora da Ásia.
 

Fundada em 1949, a Cofco Ltd. tem capital estatal e é a maior importadora e processadora de commodities agrícolas da China. Além do açúcar, realiza nesta frente negócios com soja, milho e trigo. O grupo também atua no ramo imobiliário e em bioenergia. Ao todo, tem nove subsidiárias, entre as quais a Cofco Tunhe, que atua nas áreas de cultivo agrícola, processamento e comercialização de açúcar de beterraba, tomate e frutas. A empresa é a líder na China em processamento de açúcar de beterraba, com 36% da produção do país.
 

São nove fábricas com capacidade total para 500 mil toneladas por ano, vendidas para subsidiárias chinesas de multinacionais como Coca-Cola e Kraft.
 
 
O interesse chinês no Brasil não é novo, mas o foco estava centrado na aquisição de terras para a produção de grãos. Como há dois anos a oferta de matéria-prima para produção de açúcar está em declínio na China por causa de problemas climáticos, o segmento sucroalcooleiro entrou no radar.
 
 
A China normalmente importava açúcar da Tailândia, mas os produtores locais também enfrentaram problemas. Com isso, os chineses já compraram 514 mil toneladas de açúcar brasileiro em 2010. Estima-se no mercado que as importações da China, de todas as origens, poderão alcançar até 2 milhões de toneladas em 2011.
 

"A Cofco é uma das empresas chinesas que mais estão importando açúcar do Brasil", diz uma fonte do segmento. Procurado, o grupo chinês não respondeu aos pedidos de entrevista. A CNAA pode ser parte da solução da Cofco para equilibrar seu abastecimento com açúcar. As negociações estão difíceis porque a empresa brasileira gastou muito para construir as duas usinas e por isso, segundo a mesma fonte, está pedindo um preço elevado por seus ativos.
 

O plano da CNAA, segundo informações disponíveis em balanço de resultados do período findo em 31 de março de 2009, era investir R$ 1,8 bilhão para construir três usinas e atingir moagem total de 7,5 milhões de toneladas de cana. Procurada pelo Valor, a CNAA informou, em nota, que já investiu R$ 2 bilhões entre 2006 e 2009 nos projetos de produção de açúcar, álcool e cogeração de energia, "que compreendem as duas unidades e uma terceira, a de Campina Verde (MG), que está em fase de prospecção de recursos". A terceira unidade ainda não foi concluída.
 

A reportagem apurou que a CNAA tem pouca margem para alongar sua dívida, porque boa parte dela é com o fundo Riverstone, que estaria colocando como condição para uma eventual venda de ativos a quitação desse débito, que em março de 2009 era de R$ 672,8 milhões. "Quem comprar, não poderá alongar dívida com bancos, pois o débito existente é majoritariamente com o fundo", diz uma fonte. Em 31 de março de 2009, a dívida total da CNAA era de R$ 1 bilhão. Nesta safra, a empresa deve moer 4 milhões de toneladas de cana nas usinas de Ituiutaba (MG) e Itumbiara (GO).
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