Manifestação

Greenpeace protesta contra o retorno das térmicas a carvão aos leilões de energia

Protesto ocorreu hoje em frente ao prédio do MME.

Redação TN/ Ascom Greenpeace
28/08/2013 16:16
Visualizações: 442

 

Uma tonelada e meia de briquete de carvão foi derramada em frente ao prédio do MME (Ministério de Minas e Energia), em Brasília, na manhã de hoje (28). Sujos dos pés à cabeça por uma poeira negra, ativistas abriram uma faixa com a mensagem: “Lobão, carvão no leilão não!”. Outro ativista, vestido com uma máscara do ministro Edson Lobão, escalou a pilha de carvão para leiloar, pessoalmente, uma das piores fontes energéticas que existem.
O protesto foi um recado do Greenpeace ao ministro contra a volta do carvão ao leilão de energia A-5 – empreendimentos com início de operação em até cinco anos –, que acontece nesta quinta-feira, 29. Para deixar claro o que a organização pensa sobre o uso dessa fonte de energia, uma grande pepita de carvão com uma carta a Lobão foi protocolada na entrada no edifício.
Há quatro anos sem serem ofertadas ao mercado elétrico, as usinas térmicas movidas por essa fonte voltam com força ao cenário energético brasileiro, em um retrocesso histórico do governo. De todos os combustíveis fósseis, o carvão é o que mais emite gases do efeito estufa. Para cada kWh de eletricidade produzida, um quilo de CO2 é despejado na atmosfera. Para efeitos comparativos, a cadeia de produção da energia eólica emite 12 gramas de CO2 para cada kWh produzido.
“A decisão de trazer o carvão de volta à matriz energética é injustificável. O governo insiste em retroceder a largos passos e evidencia uma visão míope e limitada ao curto prazo”, critica Renata Nitta, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Enquanto o mundo inteiro busca formas mais limpas de gerar energia, o Brasil ignora seu imenso potencial de fontes renováveis – como solar, eólica e biomassa – para optar pela fonte mais suja de todas.”
Recentemente, o Banco Mundial e o Banco Europeu de Investimentos anunciaram restrições ao financiamento de usinas a carvão. A recomendação era injetar dinheiro nessas plantas “somente em raras circunstâncias”, nos casos em que o país “não tenha alternativa”. Em 2009, o próprio governo brasileiro baniu o carvão dos leilões energéticos, justamente pelos altos níveis de poluição do ar e de emissões de gases estufa.
Agora, a fonte volta com tudo: 41% da energia oferecida no leilão do dia 29 é de carvão. A explicação oficial para a retomada dessa fonte é a segurança energética do país. Com uma matriz muito dependente de hidrelétricas, o governo decidiu diversificar a matriz com energia suja. Como se faltassem alternativas renováveis. Investimentos importantes para o desenvolvimento de fontes limpas já estão sendo desviados para financiar o carvão, como a recente decisão de zerar os impostos para a compra desta matéria prima. Junto com a poeira, a pergunta que fica no ar é: quem está ganhando com isso?
“É claro que o Brasil precisa diversificar sua matriz e reduzir a dependência das hidrelétricas. Mas usar térmicas a carvão é leviano, quando se tem um potencial mal explorado de outras energias renováveis”, diz Nitta. “Se aproveitarmos entre 5% e 10% do nosso potencial solar, já seria suficiente para atender à atual demanda nacional de energia. A cogeração a partir do bagaço de cana geraria o equivalente a três usinas de Belo Monte. E a recente explosão da produção eólica no país tornou o preço da fonte muito competitivo. No último leilão, seu preço atingiu R$110 o MW. Agora, o carvão está saindo a R$ 140”.
Ela acrescenta que essas fontes têm toda capacidade de complementar o atual sistema. Durante o período de seca, quando normalmente os níveis dos reservatórios caem, é quando se tem o maior volume de radiação solar e de ventos. Além disso, a possibilidade que as renováveis oferecem de geração perto dos centros consumidores torna mais segura e econômica sua distribuição, evitando o pesadelo dos apagões.
Este cenário de soluções o Greenpeace apresentou na véspera do protesto, em uma coletiva de imprensa onde foi divulgado o relatório [R]evolução Energética. O documento mostra que nas próximas quatro décadas, o país pode ter os setores elétrico, industrial e de transporte alimentados majoritariamente por energia limpa: 66,5% de sua matriz pode ser movida por fontes como vento, sol e biomassa. Quando se considera apenas a matriz elétrica, essa possibilidade salta para 92%. “É uma questão de escolha: queremos olhar para o futuro e fazer uma revolução energética ou continuar presos a fontes sujas e ultrapassadas?”, questiona Nitta.

Uma tonelada e meia de briquete de carvão foi derramada em frente ao prédio do MME (Ministério de Minas e Energia), em Brasília, na manhã de hoje (28). Sujos dos pés à cabeça por uma poeira negra, ativistas abriram uma faixa com a mensagem: “Lobão, carvão no leilão não!”. Outro ativista, vestido com uma máscara do ministro Edson Lobão, escalou a pilha de carvão para leiloar, pessoalmente, uma das piores fontes energéticas que existem.


O protesto foi um recado do Greenpeace ao ministro contra a volta do carvão ao leilão de energia A-5 – empreendimentos com início de operação em até cinco anos –, que acontece nesta quinta-feira, 29. Para deixar claro o que a organização pensa sobre o uso dessa fonte de energia, uma grande pepita de carvão com uma carta a Lobão foi protocolada na entrada no edifício.


Há quatro anos sem serem ofertadas ao mercado elétrico, as usinas térmicas movidas por essa fonte voltam com força ao cenário energético brasileiro, em um retrocesso histórico do governo. De todos os combustíveis fósseis, o carvão é o que mais emite gases do efeito estufa. Para cada kWh de eletricidade produzida, um quilo de CO2 é despejado na atmosfera. Para efeitos comparativos, a cadeia de produção da energia eólica emite 12 gramas de CO2 para cada kWh produzido.


“A decisão de trazer o carvão de volta à matriz energética é injustificável. O governo insiste em retroceder a largos passos e evidencia uma visão míope e limitada ao curto prazo”, critica Renata Nitta, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Enquanto o mundo inteiro busca formas mais limpas de gerar energia, o Brasil ignora seu imenso potencial de fontes renováveis – como solar, eólica e biomassa – para optar pela fonte mais suja de todas.”


Recentemente, o Banco Mundial e o Banco Europeu de Investimentos anunciaram restrições ao financiamento de usinas a carvão. A recomendação era injetar dinheiro nessas plantas “somente em raras circunstâncias”, nos casos em que o país “não tenha alternativa”. Em 2009, o próprio governo brasileiro baniu o carvão dos leilões energéticos, justamente pelos altos níveis de poluição do ar e de emissões de gases estufa.


Agora, a fonte volta com tudo: 41% da energia oferecida no leilão do dia 29 é de carvão. A explicação oficial para a retomada dessa fonte é a segurança energética do país. Com uma matriz muito dependente de hidrelétricas, o governo decidiu diversificar a matriz com energia suja. Como se faltassem alternativas renováveis. Investimentos importantes para o desenvolvimento de fontes limpas já estão sendo desviados para financiar o carvão, como a recente decisão de zerar os impostos para a compra desta matéria prima. Junto com a poeira, a pergunta que fica no ar é: quem está ganhando com isso?


“É claro que o Brasil precisa diversificar sua matriz e reduzir a dependência das hidrelétricas. Mas usar térmicas a carvão é leviano, quando se tem um potencial mal explorado de outras energias renováveis”, diz Nitta. “Se aproveitarmos entre 5% e 10% do nosso potencial solar, já seria suficiente para atender à atual demanda nacional de energia. A cogeração a partir do bagaço de cana geraria o equivalente a três usinas de Belo Monte. E a recente explosão da produção eólica no país tornou o preço da fonte muito competitivo. No último leilão, seu preço atingiu R$110 o MW. Agora, o carvão está saindo a R$ 140”.


Ela acrescenta que essas fontes têm toda capacidade de complementar o atual sistema. Durante o período de seca, quando normalmente os níveis dos reservatórios caem, é quando se tem o maior volume de radiação solar e de ventos. Além disso, a possibilidade que as renováveis oferecem de geração perto dos centros consumidores torna mais segura e econômica sua distribuição, evitando o pesadelo dos apagões.


Este cenário de soluções o Greenpeace apresentou na véspera do protesto, em uma coletiva de imprensa onde foi divulgado o relatório [R]evolução Energética. O documento mostra que nas próximas quatro décadas, o país pode ter os setores elétrico, industrial e de transporte alimentados majoritariamente por energia limpa: 66,5% de sua matriz pode ser movida por fontes como vento, sol e biomassa. Quando se considera apenas a matriz elétrica, essa possibilidade salta para 92%. “É uma questão de escolha: queremos olhar para o futuro e fazer uma revolução energética ou continuar presos a fontes sujas e ultrapassadas?”, questiona Nitta.

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