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Fórum Estratégico Latino-Americano

Grandes projetos internacionais exigem infraestrutura de pesquisa

02/05/2019 | 11h40

Colaborações científicas de longo prazo exigem grande infraestrutura de pesquisa. Um bom exemplo disso está na Europa, o Large Hadron Collider (LHC). Considerada a maior máquina do mundo, levou uma década para ser construída, envolvendo milhares de cientistas de 111 países.

Para debater a importância das colaborações e da infraestrutura em diversas áreas do conhecimento, pesquisadores da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern) – responsável pela construção do LHC –, do Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), nos Estados Unidos, e do Science and Technology Facilities Council, no Reino Unido, reúnem-se com pesquisadores e dirigentes de agências de fomento da América Latina em evento que termina nesta quarta-feira (1º de maio) no Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista, em São Paulo.

Sediado pelo Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental (ICTP-SAIFR), o primeiro Fórum Estratégico Latino-Americano para Infraestrutura na Pesquisa (LASF4RI) debate a possibilidade de cooperações de longo prazo que exijam grandes infraestruturas no contexto da América Latina.

“Os problemas científicos da América Latina são complexos e exigem big science. É preciso colaboração para a construção de infraestrutura científica necessária. Afinal, as soluções para problemas complexos não vão sair de um único laboratório e um único lugar”, disse Lidia Brito, diretora do Escritório Regional em Montevidéu (Uruguai) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Segundo Brito, é preciso que os financiamentos à pesquisa na América Latina atravessem fronteiras. “Uma solução seria a criação de um financiamento de pesquisa comum entre os países. Dessa forma, seria possível desenvolver capital humano pronto para trabalhar no contexto regional”, disse.

Fernando Quevedo, diretor do ICTP-Trieste, na Itália, ressaltou que a colaboração científica internacional em grandes projetos que exigem importante infraestrutura de pesquisa é uma maneira de garantir resultados e otimizar esforços financeiros.

“Atingimos um nível de infraestrutura de pesquisa altamente competitiva, em projetos de infraestrutura de destaque, como os telescópios e observatórios Pierre Auger (Argentina), HAWC (México), Andes (Argentina-Chile), Ligo (Estados Unidos) e a nova fonte de luz síncroton no Brasil”, disse.

A nova fonte síncrotron é o Sirius, considerado um projeto estruturante para o Brasil, uma vez que, quando estiver pronto, será um dos equipamentos mais avançados no mundo.

“O Sirius terá um impacto enorme na internacionalização da ciência, por ser um equipamento abrangente, que atua em todas as áreas do conhecimento, permitindo experimentos na escala fundamental dos átomos”, disse Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), responsável pelo projeto do Sirius.

Roque da Silva comentou que o Sirius teve 85% do investimento financeiro executado no Brasil, com empresas brasileiras. “Mas muitos dos pesquisadores que utilizarão o Sirius, assim como ocorre hoje com a fonte de luz atual no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, serão estrangeiros. A maior parte, da América Latina. É uma grande oportunidade de colaboração internacional em pesquisa e de fazer programas relevantes para toda a região”, disse.

Desenvolvimento tecnológico

A FAPESP busca três objetivos principais em situações que envolvem colaborações internacionais em infraestrutura de pesquisa: o protagonismo de pesquisadores do Estado de São Paulo, o desenvolvimento econômico e trazer a colaboração de jovens pesquisadores do exterior. A avaliação foi feita por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, durante o evento do ICTP-SAIFR.

“Queremos nossos pesquisadores em proeminência na discussão sobre como a infraestrutura científica será construída e como atingirá seus objetivos em novas descobertas científicas. Queremos também trazer oportunidade para empresas paulistas, independentemente do seu porte, para o desenvolvimento de tecnologias que serão usadas em facilities [infraestrutura de pesquisa]”, disse.

Para Brito Cruz, dois exemplos em que isso pode ser observado são o Southern Astrophysical Research Telescope (SOAR), que a FAPESP apoia desde 1997, e o próprio Sirius. “Só no projeto Sirius contamos com uma dúzia de empresas no Estado de São Paulo apoiadas pela FAPESP para desenvolver tecnologia que será instalada no acelerador”, disse.

De acordo com Mark Thomson, presidente-executivo do Science and Technology Facilities Council (STFC), no Reino Unido, pesquisa e inovação se tornaram atividades globais e o Reino Unido quer ser ator importante nesse processo, ao oferecer novas oportunidades de financiamento em pesquisa.

“O Reino Unido pretende integrar todas as atividades de pesquisa, independentemente da área de conhecimento – engenharia, arte, biologia, genômica, filosofia. O objetivo é construir essas conexões entre diferentes atividades de pesquisa. Nosso governo tem uma política cujo objetivo é aumentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento no Reino Unido para 2,4% do PIB. Atualmente está em 1,7%”, disse.

Thomson mencionou o lançamento recente do UK Research and Innovation Infrastructure Roadmap, documento com estratégias de longo prazo para o desenvolvimento da infraestrutura de pesquisa no Reino Unido.

“Nossos investimentos podem ser para infraestrutura em pesquisa no Reino Unido ou para conectar com atividades internacionais, seja em relações bilaterais, seja no engajamento com grandes projetos internacionais”, disse à Agência FAPESP.

O Fórum Estratégico Latino-Americano para Infraestrutura na Pesquisa terá transmissão ao vivo pelo endereço: www.youtube.com/watch?v=8fEbya0xg70.

 



Fonte: Agência FAPESP, 01/05/2019
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