Petróleo

Grandes produtores estão exportando menos

Valor Econômico
29/05/2008 14:15
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Os maiores produtores de petróleo do mundo estão se mostrando incapazes de fornecer mais barris a um mercado sedento, apesar dos preços estratosféricos, o que desafia a lógica tradicional e tende a continuar. 


Dados recentes do Departamento de Energia dos EUA mostram que no ano passado os principais exportadores mundiais despacharam 2,5% menos petróleo que em 2006, apesar da alta de 57% no preço, uma tendência que parece se confirmar também este ano. 


Há muitos motivos por trás do declínio da exportação líquida. O aumento dos lucros com o alto preço da commodity alimentou uma explosão de demanda por combustível na Arábia Saudita e no restante do Oriente Médio, o que deixou menos petróleo para ser exportado. Ao mesmo tempo, campos envelhecidos e pouco investimento fizeram as exportações caírem no México, na Noruega e na Rússia. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo também reduziu a produção no começo de 2007 e só se mexeu para elevar o suprimento quase no fim do ano. 


  
Ao todo, segundo dados dos EUA, a exportação líquida dos 15 principais fornecedores mundiais, que respondem por 45% de toda a produção, caiu quase 1 milhão de barris, para 38,7 milhões de barris/dia em 2007. A queda seria ainda maior se não fosse o aumento da produção em países menos desenvolvidos como Angola e Líbia, que ainda não se tornaram grandes consumidores de petróleo. 


Apesar do foco na maior demanda chinesa, a alta da demanda no Oriente Médio pode ser o desafio maior. No ano passado, os seis maiores exportadores de petróleo da região (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Kuait, Iraque e Qatar) reduziram sua produção em 544.00 barris/dia. Ao mesmo tempo, a demanda interna deles subiu em 318.000 barris/dia, o que levou à perda de 862.000 barris em exportação líquida. 


A demanda no Oriente Médio é um grande fator atualmente, diz Adam Robinson, analista de petróleo da Lehman Brothers, em Nova York. Ele prevê que a região vai representar mais de 40% no crescimento da demanda em 2009. 


A Arábia Saudita, em particular, tornou-se um enorme consumidor de petróleo. O reino vive uma imensa campanha de investimento para se tornar uma grande força mundial na indústria petroquímica, de alumínio e fertilizantes, que exigem grande quantidade de petróleo e gás natural. 


Desde 2004, o consumo saudita de petróleo cresceu perto de 23%, para 2,3 milhões de barris diários em 2007. Jeffrey Brown, geólogo de Dallas especializado em petróleo e que estuda números de exportações, calcula que, pela taxa atual de crescimento, a Arábia Saudita poderá consumir 4,6 milhões de barris por dia até 2020. 


Isso reduziria muito as exportações sauditas quando o mundo todo espera que seu maior fornecedor de petróleo ajude a cobrir a demanda crescente. O país tem quase um quarto das reservas mundiais comprovadas e supre cerca de 12% dos 86 milhões de barris que o mundo consome por dia hoje. 


Um motivo pelo qual os países do Oriente Médio estão usando mais petróleo é a escassez de gás natural, diz Bill Farren-Price, diretor de energia da firma de análise Medley Global Advisors. Isso é um problema maior no verão, quando os países mantêm os aparelhos de ar condicionado funcionando. 


Alguns produtores, como os Emirados Árabes, estão até reduzindo o que é uma prática crucial do setor: injetar gás natural nos poços de petróleo para aumentar a pressão nos reservatórios e elevar a extração. Suspender essas injeções acabaria por reduzir a produção e, em conseqüência, as exportações. 


A redução da venda de petróleo pelos maiores exportadores mundiais ilustra o papel central que participantes historicamente marginais do setor, como Brasil e Cazaquistão, provavelmente vão ter nos próximos anos. Três dos quatro países não integrantes da Opep entre os quinze principais exportadores de petróleo - Rússia, Noruega e México - estão relatando queda de produção este ano. O Cazaquistão mostra um pequeno ganho nas exportações líquidas. 


Nenhum grande exportador está tão em apuros quanto o México, cuja exportação líquida caiu 15% em 2007. Na segunda, autoridades mexicanas anunciaram que a produção do seu outrora poderoso campo marítimo de Cantarell caiu um terço em menos de um ano. 


Analistas dizem que há razões para otimismo. O governo russo está tentando mudar as taxas de juros que muitos dizem ter limitado o desenvolvimento de petróleo novo. Robinson estima que 65 novas plataformas sobre águas profundas devem ser abertas nos próximos três anos, depois de um período de cinco anos em que o setor ganhou apenas dez desses poços. 


Essas plataformas adicionais devem ajudar as petrolíferas a explorar algumas das mais promissoras, mas hoje inacessíveis, águas nas costas do Brasil, da Austrália, da África Ocidental e do Golfo do México. Esses campos marítimos podem trazer um grande impulso no fluxo de petróleo, mas eles não poderão oferecer alívio ainda por alguns anos. "A sensação no mercado é que o pico do petróleo já foi atingido e que as coisas só vão piorar", diz Robinson. "Mas o veredicto ainda não foi dado." 

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