Política

Governo vai contestar TCU sobre portos, diz Gleisi

Com as concessões em áreas de portos paralisadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nos estudos dos editais, o governo prepara uma reação e vai questionar pontos do acórdão da semana passada que aponta falhas nos estudos que embasam os editais. O

Agência Estado
17/12/2013 10:16
Visualizações: 361
Com as concessões em áreas de portos paralisadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nos estudos dos editais, o governo prepara uma reação e vai questionar pontos do acórdão da semana passada que aponta falhas nos estudos que embasam os editais. O Planalto avalia que o voto elaborado pela ministra Ana Arraes contém erro conceitual, retoma discussão já superada, ameaça criar um novo gargalo de infraestrutura no país e pode gerar tabelamento de preços no setor.

O voto de Ana, aprovado pelos demais ministros, condiciona a publicação dos editais de áreas nos portos de Santos (SP) e no Estado do Pará ao cumprimento de 19 condições. Não haverá avanço antes de janeiro, quando a Corte volta a se reunir. "Vamos terminar o ano sem ter como marcar data de leilão de portos", admitiu ao jornal 'O Estado de S. Paulo' a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

"Das 19 alterações determinadas, estávamos trabalhando antecipadamente em pelo menos 11, que o tribunal já tinha nos colocado", disse. "Mas surgiram outros, pelo menos cinco, que vieram do gabinete da ministra Ana e não da área técnica do tribunal. Esses, vamos precisar de mais tempo para analisar".

O relatório do TCU sobre os editais foi antecipado pela reportagem na semana passada.


Política

O embate sobre os editais de portos também possui um componente político. Ana Arraes é mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que deve disputar a eleição contra Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, Gleisi liderou a equipe que elaborou a MP da nova Lei dos Portos e pode usar a medida como sinônimo de renovação do setor durante sua campanha ao governo do estado do Paraná.

Procurada, Ana Arraes defendeu a decisão tomada pelo tribunal e evitou dar contornos políticos ao caso. "Ratifico o que há nos autos. Os autos contêm a visão do TCU no processo".

Gleisi também evita atribuir a decisão de Ana a uma agenda eleitoral. "Quero crer que não", disse, ao ser questionada se houve contaminação política. "O Tribunal tem se pautado por dar respostas ao país sem considerar aspectos menores".

O TCU mandou o governo justificar as tarifas fixadas em cada área portuária à luz de um estudo da USP sobre tarifas. Porém, o trabalho é sobre as tarifas que as companhias docas cobram dos usuários dos portos - e não sobre as tarifas que os operadores portuários cobrarão para movimentar as cargas destinadas a exportação e importação, que são objeto dos editais de concessão.

"É difícil fazer uma justificativa dessas tarifas com base nesse estudo", disse a ministra. "Por isso, avaliamos que houve erro conceitual." A intenção, nesse caso, é apresentar o esclarecimento ao tribunal.

Em outra frente, a Advocacia-Geral da União (AGU) estuda formas de questionar a lei aprovada pelo município de Santos, que proíbe a movimentação de grãos na área da Ponta da Praia. O acórdão do TCU manda o governo adaptar os estudos para seguir essa legislação. "Vamos impor um gargalo ao país?", disse Gleisi. "Por muito tempo ainda Santos operará grãos".


Assimetrias

Outro ponto do acórdão que surpreendeu o governo foi a ordem para concluir um estudo sobre assimetrias entre portos privados e públicos. Segundo Gleisi, essa análise foi determinada em um acórdão de 2009, que analisou as consequências do Decreto 6.620. Esse decreto restringia a instalação de portos privados e praticamente os proibia de movimentar cargas que não fossem da própria concessionária.

Ocorre que a nova Lei dos Portos mudou esse quadro. Um de seus principais pontos foi permitir que terminais privados movimentem carga de terceiros. "Então, é um estudo que já não terá utilidade prática", disse Gleisi. "Ele está superado".

Em outro ponto, o TCU mandou o governo fixar uma tarifa máxima para movimentação de carga nas áreas a serem licitadas - mesmo naquelas em que o vencedor do leilão será escolhido por outro critério. Segundo Gleisi, nos casos em que a tarifa não é o critério, o referencial de tarifa fixado pelo governo pode funcionar como tabelamento. "O teto vira piso", disse.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
BOGE 2026
Benel marca presença no Bahia Oil & Gas Energy e anuncia...
29/05/26
Investimentos
Petrobras anuncia aportes de mais de R$ 70 bilhões em Se...
29/05/26
PPSA
PPSA publica Relato Integrado e Carta Anual
29/05/26
Royalties
Valores referentes à produção de março para contratos de...
29/05/26
BOGE 2026
PetroReconcavo discute futuro de Óleo e Gás na Bahia Oil...
29/05/26
BOGE 2026
Lumina Group marca presença na Bahia Oil & Gas Energy 20...
29/05/26
Gás Natural
Naturgy destaca importância do gás natural na matriz ene...
29/05/26
IBP
Manifesto em defesa da regulação adequada na valoração d...
29/05/26
BOGE 2026
Bahia reúne indústria, inovação e negócios na abertura d...
28/05/26
Biometano
Equinor, Embrapii, Unicamp e CNPEM lançam projeto para a...
28/05/26
Royalties
Valores referentes à produção de março para contratos de...
28/05/26
BOGE 2026
Expansão do óleo e gás amplia demanda por hubs de transf...
28/05/26
Combustíveis
ANP participa da "Operação Fluxo Oculto" para combater d...
28/05/26
Investimentos
Retomada dos investimentos da Petrobras no Amazonas
27/05/26
BOGE 2026
BRAVA Energia marca presença no Bahia Oil & Gas Energy 2...
27/05/26
IBP
Brasil pode ampliar protagonismo como fornecedor global ...
27/05/26
Etanol de milho
Etanol de milho avança no país e muda a dinâmica de merc...
27/05/26
Parceria
Grupo Bravante anuncia associação à Abeemar e reforça co...
27/05/26
Firjan
No Dia da Indústria 2026, Firjan anuncia medidas para im...
27/05/26
Negócio
Vallourec conquista importantes contratos de line pipe c...
25/05/26
Bahia
Desenvolvimento Econômico impulsiona industrialização e ...
25/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25