Setor Elétrico

Governo muda regra para evitar novo fracasso em leilão de energia

Portaria do Ministério de Minas e Energia alterou a regra vigente.

Folha de São Paulo
21/11/2014 09:52
Visualizações: 392

Na tentativa de evitar a repetição dos problemas que atingiram o setor elétrico nos últimos dois anos, o governo só vai divulgar os preços da energia que será vendida às distribuidoras cinco dias antes do leilão A-1, a ser realizado em 5 de dezembro. Portaria do Ministério de Minas e Energia alterou a regra vigente, que prevê que os valores sejam divulgados 15 dias antes da licitação. Com isso, os valores, que deveriam sair até hoje (21), só serão conhecidos no dia 28.

O Broadcast, serviço de notícias em tempo real apurou que a decisão do ministério está relacionada a duas medidas que serão anunciadas na próxima semana, relacionadas ao preço e à demanda das empresas. Elas serão fundamentais para definir se a licitação será ou não bem-sucedida.

No dia 25, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai decidir os novos piso e teto do preço da energia no mercado de curto prazo (PLD). Atualmente, o valor máximo do PLD está em R$ 822,83 por megawatt/hora (MWh). A proposta da Aneel prevê reduzi-lo a R$ 388,04. Essa definição é essencial para balizar os preços do leilão A-1, que tem como objetivo atender a demanda das distribuidoras por energia a partir de 1º de janeiro de 2015.

Se o preço do leilão A-1, ainda a ser definido, for considerado muito baixo pelos geradores, eles não terão interesse em vender a energia às distribuidoras na licitação e poderão optar por liquidá-la no mercado à vista, onde podem obter um lucro maior. Foi exatamente o que ocorreu no fim do ano passado. Dessa vez, o governo não quer incorrer no mesmo erro.

Enquanto o preço-teto do leilão foi de R$ 192 por MWh no leilão do ano passado, na mesma época, a energia atingia R$ 300 por MWh no mercado à vista. Com isso, os geradores não apareceram e as distribuidoras conseguiram contratar menos da metade do que precisavam no leilão. Faltaram 3,3 mil MW médios para atender os consumidores.

A seca agravou a situação, que já era delicada. A estiagem levou ao acionamento de todas as usinas térmicas e fez com que o preço da energia batesse todos os recordes no mercado spot. Em fevereiro, o valor chegou ao teto de R$ 822,83 por MWh, permanecendo nesse patamar por várias semanas.

Sem recursos em caixa para fazer frente a essa despesa, as distribuidoras recorreram ao governo. O Ministério da Fazenda intermediou um empréstimo com um conjunto de bancos, que totalizou R$ 17,8 bilhões. Ao longo de 2013, pelas mesmas razões, o Tesouro Nacional foi obrigado a aportar R$ 9,8 bilhões para socorrer as distribuidoras.

Para evitar a repetição desse problema pelo terceiro ano consecutivo, o governo propôs a redução do PLD em 53% a partir de 1º de janeiro de 2015. Se essa decisão for sacramentada na terça-feira, os ganhos dos geradores no mercado à vista serão muito inferiores a partir do ano que vem, o que pode atrai-los a participar do leilão A-1.

Também na próxima semana, a Aneel vai definir como vai dividir, entre as distribuidoras, a energia produzida pelas usinas mais antigas e que estão com contratos de concessão próximos do vencimento. Ao todo, 4,5 mil MW médios serão redistribuídos. Essa energia virá de usinas que hoje pertencem à Cesp, Cemig e Copel, cujos contratos vencem no ano que vem.

A proposta apresentada pelo órgão regulador prioriza o recebimento pelas concessionárias com maior exposição ao mercado de curto prazo. Depois que as distribuidoras mais necessitadas forem atendidas, a energia será dividida conforme o tamanho do mercado de cada uma das empresas.

Se a proposta da Aneel não sofrer nenhuma modificação, a necessidade das distribuidoras no leilão será de 629 MW médios. Com essa divisão, pelo menos 18 empresas precisarão comprar energia no leilão A-1 de 5 de dezembro. A ideia é garantir uma demanda que não seja tão grande a ponto de impedir um deságio na licitação.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Leilão
PPSA comercializa cargas de Atapu e de Bacalhau em junho
18/05/26
Participação especial
Valores referentes à produção do primeiro trimestre de 2...
18/05/26
Apoio Offshore
Petrobras assina contrato de R$ 11 bilhões para construç...
18/05/26
Logística
Wilson Sons planeja expansão do Tecon Rio Grande para at...
18/05/26
Combustíveis
Etanol mantém baixa na semana, mas Paulínia esboça reaçã...
18/05/26
Fertilizantes
Fafen celebra retomada da produção de fertilizantes na Bahia
18/05/26
Conteúdo Local
ANP abre consulta prévia sobre regras de preferência a f...
15/05/26
Etanol
Alteração de normas sobre comercialização de etanol anid...
15/05/26
Descomissionamento
ANP aprova realização de consulta e audiência públicas p...
15/05/26
Resultado
Vallourec registra alta eficiência operacional no Brasil...
15/05/26
Energia Elétrica
Encontro das Indústrias do Setor Elétrico reúne mais de ...
15/05/26
Apoio Marítimo
Wilson Sons lança novo rebocador para operar no Porto de...
14/05/26
Hidrogênio
ANP e OCDE realizam wokshop sobre gerenciamento de risco...
14/05/26
Pré-Sal
Campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, recebe tec...
13/05/26
Resultado
No primeiro trimestre de 2026 Petrobras registra lucro l...
13/05/26
Biometano
CNPE fixa meta inicial de 0,5% para biometano no gás nat...
13/05/26
Mão de Obra
Setor de Óleo & Gás enfrenta apagão de talentos diante d...
13/05/26
Evento
"Mato Grosso vai se tornar a Califórnia brasileira", diz...
13/05/26
Evento
Tauil & Chequer Advogados associado a Mayer Brown realiz...
13/05/26
Combustíveis
ANP fará consulta e audiência públicas sobre serviço de ...
12/05/26
Evento
IBP promove evento em São Paulo para debater futuro da e...
12/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23