Opinião

Governo deve adotar política que não deixe o etanol à deriva

Folha de São Paulo
16/09/2011 11:24
Visualizações: 683
Em 2007, com o anúncio da descoberta de petróleo na camada pré-sal, o etanol começou a perder importância dentro das políticas públicas do governo.

Durante todo o primeiro mandato de Lula, o etanol era uma das principais estrelas. Em todas as viagens ao exterior, o presidente sempre chamava a atenção para a necessidade de serem criados mecanismos para que o etanol tivesse maior participação na matriz mundial de combustíveis.

Com o pré-sal e a chegada da crise econômica de 2008, o etanol ficou à deriva. O petróleo passou a não ser tão sujo nem uma energia do passado. E mais: sua produção no Brasil resolveria todos os nossos problemas sociais, bem como iria modernizar a economia.

Trouxeram de volta o movimento "o petróleo é nosso", e o pré-sal foi usado e abusado para ajudar a eleger a presidente Dilma. Ao mesmo tempo, a crise de 2008 contribuiu para que os produtores de etanol ficassem numa situação econômico-financeira difícil, provocando a queda acentuada no crescimento da área plantada de cana.

A área, que cresceu 9,9% por ano de 2002 a 2008, passou a cair, e a produção de cana, que no mesmo período havia crescido 10,7% por ano, também desabou.

Concomitantemente, o governo criou enormes incentivos econômicos para aumentar a venda de veículos novos, principalmente flex, provocando desequilíbrio entre oferta e demanda de etanol e aumento do seu preço após 2008. Uma primeira pergunta: sem o pré-sal o governo teria deixado o etanol à deriva?

Não é a primeira vez que o governo se esquece de elaborar políticas públicas que permitam o crescimento sustentado do etanol. O carro a álcool, que era o mais vendido durante a década de 1980, de forma similar ao que ocorre atualmente com o carro flex, desapareceu na década de 1990. Uma segunda pergunta: será que o carro flex terá o mesmo destino do carro a álcool?

O etanol precisa de uma política pública que permita seu crescimento sustentado, acabando de vez com essa ciclotimia. Nesse sentido, o governo vem errando nas medidas anunciadas que só fazem perpetuar essa ciclotimia, ao aumentar o risco regulatório, mantendo congelado o preço da gasolina, mexendo no percentual da mistura antes da hora e obrigando a Petrobras a produzir mais.

Na realidade, o governo deveria elaborar políticas públicas de longo prazo, incentivando o aumento da área plantada de cana, promovendo novas tecnologias, adotando uma política tributária que refletisse o fato de o etanol ser uma energia limpa e optando por uma política de preços que reflita os movimentos do mercado.

É preciso que o Brasil se aproprie da vantagem de ser um grande produtor tanto de etanol como de petróleo. Terceira pergunta: o que queremos de participação do etanol na matriz de combustíveis: 30%, 40%, 50%?
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Bioenergia
Hora do jogo: começa hoje o 19º Congresso Nacional da Bi...
01/07/26
Firjan
ABDAN e FIRJAN lançam Agenda Nuclear para um Brasil Comp...
01/07/26
SOG 2026
Distribuição de gás em Sergipe entra na agenda estratégi...
30/06/26
Energy Summit
CPFL Energia está entre os destaques do Energy Summit Aw...
30/06/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados do setor regulado em 2025
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
Combustível
Etanol fecha a semana em alta e amplia recuperação no me...
29/06/26
Margem Equatorial
Aprovada a indicação de 86 blocos na Margem Equatorial p...
27/06/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP divulga empresas aptas a particip...
26/06/26
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.