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Fontes de Energia

Gás natural, incerteza da matriz energética brasileira

26/09/2014 | 09h57

 

Até o início da década de 90, o gás natural era praticamente desprezível na matriz energética brasileira. Somente após a questão ambiental se consolidar na nossa sociedade, e da edição da nova Lei do Petróleo, é que o combustível passou a ser uma alternativa.
Na mesma época, foi construído o gasoduto Brasil-Bolívia, ofertando ao país considerável quantidade firme de gás natural e abrindo caminho para o desenvolvimento do mercado.
A crise do setor elétrico gerou uma grande oportunidade. À época, construíram- se térmicas com o objetivo de serem despachadas eventualmente, isto é, sempre que o período de secas assim o recomendasse, funcionando como um seguro para o sistema elétrico brasileiro.
Assim, foi criado, em tese, um mercado flexível de gás natural. Simultaneamente, foi descoberto o campo de Mexilhão, com perspectivas de produção extraordinárias. Criou-se um programa de massificação do gás que teve como consequência, por exemplo, o programa de gás veicular do Rio de Janeiro, um dos maiores programas do mundo, que hoje conta com uma frota de quase 600 mil veículos.
Começaram, então, os problemas. O campo de Mexilhão tornou-se muitas vezes menor do que o esperado. O sistema elétrico, de forma inesperada, começou a despachar as térmicas com frequência muito maior do que a planejada. Na verdade, hoje as térmicas estão na base do sistema elétrico. Por diversos fatores, o gás, que seria abundante, passou a ser escasso.
Por outro lado, a política de liberalização do mercado de petróleo previa que houvesse concorrência. E, de forma a atrair outras empresas para o mercado brasileiro, foi liberado o preço do gás natural. Aprovou-se também a Lei do Gás, como objetivo de dar segurança jurídica a outras empresas para entrar no mercado brasileiro. Outra providência foi tornar a infraestrutura disponível a quem quisesse utilizá-la.
Atese de tornar competitivo o mercado brasileiro permitiu que o agente dominante, a Petrobras, fizesse o preço do jeito que lhe aprouvesse. E, com a mudança do modelo de concessão para partilha, ao invés de se ampliar a competição no mercado, se fortaleceu o monopólio.
Foi criada, desse modo, uma jabuticaba bem brasileira: um monopólio de fato, com preços livres. No qual o agente dominante atua de acordo com suas conveniências. E, quanto mais os preços de seus outros produtos, como diesel e gasolina, são deprimidos, mais a Petrobras é forçada (ou tentada) a aumentar o preço do gás natural.
A descoberta do pré-sal, cujas reservas são de petróleo leve, dá a expectativa de que o Brasil tenha um aumento relevante na produção de gás natural. É importante observar que o gás do pré-sal é associado com o petróleo, ou seja, terá que ser necessariamente produzido, independente do custo de infraestrutura.
A Agência Internacional de Energia prevê que a produção brasileira subirá de cerca de 55milhões de metros cúbicos/ dia, em2014, para cerca de 104 milhões de metros cúbicos/dia em2020, e 250 milhões de metros cúbicos diários já em2035. Mas são apenas estimativas.
Das incertezas relativas à disponibilidade e ao preço do gás, derivam questões fundamentais para o crescimento do país. Duas nos parecem as mais determinantes:
1—Quanto de gás natural estará disponível para a geração térmica no Brasil? Se não houver gás suficiente, teremos que discutir a partir de que combustível deveremos alimentar as térmicas. As alternativas, como nuclear, carvão e óleo combustível, são muito mais impactantes do ponto de vista socioambiental.
2— O preço do gás natural permitirá desenvolver a petroquímica brasileira? O preço do shale gas praticado nos EUA põe uma enorme pressão sobre a indústria petroquímica brasileira, que precisa ter preços reduzidos para ser competitiva. Os preços praticados hoje no Brasil são cerca de três vezes os preços do gás americano, o que inviabiliza a nossa indústria.
As questões estão colocadas. Das respostas, depende o futuro da matriz energética brasileira.

Até o início da década de 90, o gás natural era praticamente desprezível na matriz energética brasileira.

Somente após a questão ambiental se consolidar na nossa sociedade, e da edição da nova Lei do Petróleo, é que o combustível passou a ser uma alternativa.

Na mesma época, foi construído o gasoduto Brasil-Bolívia, ofertando ao país considerável quantidade firme de gás natural e abrindo caminho para o desenvolvimento do mercado.

A crise do setor elétrico gerou uma grande oportunidade.

À época, construíram- se térmicas com o objetivo de serem despachadas eventualmente, isto é, sempre que o período de secas assim o recomendasse, funcionando como um seguro para o sistema elétrico brasileiro.

Assim, foi criado, em tese, um mercado flexível de gás natural.

Simultaneamente, foi descoberto o campo de Mexilhão, com perspectivas de produção extraordinárias.

Criou-se um programa de massificação do gás que teve como consequência, por exemplo, o programa de gás veicular do Rio de Janeiro, um dos maiores programas do mundo, que hoje conta com uma frota de quase 600 mil veículos.

Começaram, então, os problemas. O campo de Mexilhão tornou-se muitas vezes menor do que o esperado.

O sistema elétrico, de forma inesperada, começou a despachar as térmicas com frequência muito maior do que a planejada.

Na verdade, hoje as térmicas estão na base do sistema elétrico.

Por diversos fatores, o gás, que seria abundante, passou a ser escasso.

Por outro lado, a política de liberalização do mercado de petróleo previa que houvesse concorrência.

E, de forma a atrair outras empresas para o mercado brasileiro, foi liberado o preço do gás natural.

Aprovou-se também a Lei do Gás, como objetivo de dar segurança jurídica a outras empresas para entrar no mercado brasileiro.

Outra providência foi tornar a infraestrutura disponível a quem quisesse utilizá-la.

Atese de tornar competitivo o mercado brasileiro permitiu que o agente dominante, a Petrobras, fizesse o preço do jeito que lhe aprouvesse.

E, com a mudança do modelo de concessão para partilha, ao invés de se ampliar a competição no mercado, se fortaleceu o monopólio.

Foi criada, desse modo, uma jabuticaba bem brasileira: um monopólio de fato, com preços livres.

No qual o agente dominante atua de acordo com suas conveniências.

E, quanto mais os preços de seus outros produtos, como diesel e gasolina, são deprimidos, mais a Petrobras é forçada (ou tentada) a aumentar o preço do gás natural.

A descoberta do pré-sal, cujas reservas são de petróleo leve, dá a expectativa de que o Brasil tenha um aumento relevante na produção de gás natural.

É importante observar que o gás do pré-sal é associado com o petróleo, ou seja, terá que ser necessariamente produzido, independente do custo de infraestrutura.

A Agência Internacional de Energia prevê que a produção brasileira subirá de cerca de 55milhões de metros cúbicos/ dia, em2014, para cerca de 104 milhões de metros cúbicos/dia em2020, e 250 milhões de metros cúbicos diários já em2035. Mas são apenas estimativas.

Das incertezas relativas à disponibilidade e ao preço do gás, derivam questões fundamentais para o crescimento do país. Duas nos parecem as mais determinantes:

1—Quanto de gás natural estará disponível para a geração térmica no Brasil? Se não houver gás suficiente, teremos que discutir a partir de que combustível deveremos alimentar as térmicas. As alternativas, como nuclear, carvão e óleo combustível, são muito mais impactantes do ponto de vista socioambiental.

2— O preço do gás natural permitirá desenvolver a petroquímica brasileira? O preço do shale gas praticado nos EUA põe uma enorme pressão sobre a indústria petroquímica brasileira, que precisa ter preços reduzidos para ser competitiva. Os preços praticados hoje no Brasil são cerca de três vezes os preços do gás americano, o que inviabiliza a nossa indústria.

As questões estão colocadas. Das respostas, depende o futuro da matriz energética brasileira.

 



Fonte: Valor Econômico
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