Redução
Jornal do Commercio
Após quase dois anos de aumentos seguidos no preço do gás natural boliviano, a Petrobras reduziu em 11,5% o valor do insumo comercializado para as distribuidoras de gás canalizado. Desde o primeiro dia de janeiro deste ano, o gás é vendido pela estatal às concessionárias estaduais ao valor US$ 8,29/MMBTU, número inferior em relação aos US$ 9,37/MMBTU praticados durante o quarto trimestre de 2008. "Até agora, porém, nenhuma distribuidora repassou essa queda para os consumidores", informou uma fonte.
A redução de 11,5% no preço do gás boliviano reflete a queda na cotação do barril do petróleo a partir de setembro de 2008, com o estouro da crise financeira global. Isso porque a fórmula de reajuste, que atualiza o preço do gás a cada trimestre, está atrelada a uma cesta de óleos internacionais.
Como o mecanismo de reajuste praticado pela Petrobras considera um preço médio do petróleo nos últimos seis meses, o cálculo do novo preço do insumo já foi influenciado pelas cotações mais recentes do barril, que giram em torno de US$ 40 a US$ 50. O gás boliviano abastece Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os consumidores paulista, no entanto, não irão sentir os efeitos da redução do preço da molécula de gás, já que em São Paulo, diferentemente dos outros estados, o modelo de concessão prevê reajustes anuais.
Os novos preços da Petrobras não incluem as margens das distribuidoras. Na quarta-feira, o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras anunciaram a redução em 11 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) na importação de gás boliviano, de 30 de milhões de m³/d para 19 milhões de m³/d. O motivo alegado pelo governo para essa redução é o desligamento das térmicas movidas a gás natural, já que, com as chuvas das últimas semanas, os reservatórios das hidrelétricas estão em níveis elevados, dispensando a necessidade de que as térmicas produzam energia para garantir a segurança energética do sistema.
De acordo com a fonte, no entanto, a redução no consumo total de gás no Brasil neste início de ano foi de 18 de milhões de m³/d. "Além de reduzir a importação de gás boliviano, a Petrobras reduziu também a produção nacional do insumo", disse a fonte, baseada em informações repassadas pelo próprio MME. Desse volume de 18 milhões de m³/d, cerca de 5 milhões de m³/d estão relacionados ao mercado não-térmico (que inclui indústrias, gás natural veicular, residências e comércio). "O grosso da redução desse consumo está ligado à menor demanda do setor industrial, em função da crise econômica internacional", justificou.
Segundo a mesma fonte, o governo boliviano estaria "desesperado" com a redução da importação dos 11 milhões de m³/d por conta da perda de receita. De fato, fontes afirmaram que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, receberá membros do governo de Evo Morales.
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