Indústria

Ganho de produtividade é movido por importação de equipamentos

A aquisição de máquinas e equipamentos no exterior tem sido a principal rota da inovação no Brasil, levando a um crescimento acelerado das importações e, consequentemente, redução do superávit comercial do país. Em 2012, o

Valor Econômico
19/04/2013 13:48
Visualizações: 868
A aquisição de máquinas e equipamentos no exterior tem sido a principal rota da inovação no Brasil, levando a um crescimento acelerado das importações e, consequentemente, redução do superávit comercial do país. Em 2012, o saldo foi positivo foi de US$ 19,43 bilhões entre importações e exportações. Foi o menor superávit em dez anos. Boa parte desse resultado pode ser atribuída à indústria de transformação, na qual se inserem as máquinas e equipamentos importados pelas empresas para seus processos de inovação.

De acordo com estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a balança comercial de bens tipicamente produzidos pela indústria de transformação registrou em 2012 um déficit recorde de US$ 50,6 bilhões, comparado a um resultado negativo de US$ 48,7 bilhões no ano anterior. Dez anos atrás, em 2002, o intercâmbio comercial do setor havia sido superavitário em US$ 7 bilhões.

Abertura mais detalhada dos números revela que os maiores déficits estão centrados nos bens de média e alta intensidade tecnológica como máquinas e equipamentos elétricos e mecânicos, produtos químicos e materiais de transportes. "Não apenas aumentamos as importações de bens de capital como diminuímos as exportações de bens manufaturados", destaca Daniel Keller de Almeida, consultor do Iedi.

De acordo com a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a compra de máquinas e equipamentos responde por 78,1% dos investimentos em inovação das empresas, enquanto o percentual dedicado à Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) recebe a menor parcela (cerca de 15%).

A Pintec é de 2008, mas o cenário pouco mudou, segundo Almeida: "Grande parte da inovação que resulta em ganhos de produtividade tem a ver com aquisição de máquinas e equipamentos". A necessidade das empresas em acelerar a inovação para enfrentar a acirrada competição com produtos de outros países mais adiantados em termos tecnológicos está por trás desse movimento.

Em outro estudo, no qual compara o estágio de desenvolvimento tecnológico do Brasil ao da China - hoje o maior concorrente no comércio mundial - o Iedi aponta as desvantagens do Brasil. Entre 2000 e 2009, o gasto da China em P&D passou de 0,9% do PIB para 1,7%, enquanto o Brasil foi de 1,0% para 1,2% do PIB. "Mas, esse número conta apenas parte da história. Como o PIB da China multiplicou-se por três naquele período e o do Brasil cresceu pouco mais de 60%, o crescimento do gasto da China foi, de fato, muito maior", aponta o estudo do Iedi.

As estatísticas mostram, porém, que tem havido um investimento crescente em P&D, porém ainda não suficiente para encarar a concorrência. "Estamos em um processo de acirramento grande do ambiente de competitividade como reflexo da crise [financeira internacional]", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A ampliação da P&D como instrumento de inovação poderia reduzir a necessidade de compra de máquinas e o governo tem feito um esforço nesse sentido, com programas de incentivo cujo exemplo mais recente é o Inova Empresa. José Alfredo Delgado, diretor de tecnologia da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reitera: "Importar máquinas não é inovação". Para o representante dos fabricantes de máquinas, as empresas deveriam investir em P&D tendo o maquinário como acessório. Delgado afirma que as aquisições de máquinas e equipamentos que afetam a balança comercial não têm tanto a ver com inovação, mas sim com o câmbio favorável (à importação).

O executivo da Abimaq garante que o setor não é contra a importação de equipamentos sem similar nacional para estimular o processo inovador no país. Mas no longo prazo, a importação generalizada, sem um foco preciso em inovação, provoca a desindustrialização do país. "A aquisição de máquinas e equipamentos sempre será maior que o investimento em P&D [quando se trata de inovação] em qualquer país", completa Lucchesi. No entanto, diz o especialista, os investimentos em P&D, que deveriam ser a base da inovação tecnológica nas empresas brasileiras, ainda são muito baixos, tanto em relação aos países industrializados quanto em comparação com aqueles que estão no mesmo estágio de desenvolvimento do Brasil, especialmente os chamados BRICs. Só estamos na frente dos vizinhos latino-americanos.

Almeida não vê saída: "Temos de aceitar o déficit acentuado na balança de bens de capital", diz, lembrando que o investimento em P&D ainda é muito baixo.

A solução para esse dilema, concordam Keller de Almeida e Rafael Lucchesi, é o desenvolvimento da indústria nacional de bens de capital, com o estímulo às exportações. "Do lado das importações, é preciso pensar em reduzir as compras de bens não associados ao desenvolvimento tecnológico", sugere o consultor do Iedi. Os especialistas também cobram do governo uma agenda que inclua a política cambial.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Drilling
Norbe IX, da Foresea, conclui parada programada de manut...
31/03/26
Etanol
Produtor de cana avança com novas estratégias para reduz...
31/03/26
Firjan
Estado do Rio pode receber mais de R$ 526 bilhões em inv...
31/03/26
Combustíveis
Preço médio do diesel S-10 sobe 14% em março e atinge o ...
31/03/26
iBEM26
No iBEM 2026, Pason destaca apostas da empresa em digita...
31/03/26
Pessoas
Bow-e anuncia Ciro Neto como CEO
31/03/26
Apoio Offshore
SISTAC amplia contrato com Petrobras para manutenção de ...
31/03/26
IBEM26
Encontro internacional de energia vai abrir calendário m...
30/03/26
Biodiversidade
Maior projeto de biodiversidade marinha inicia na região...
30/03/26
Drilling
BRAVA Energia inicia campanha de perfuração em Papa-Terr...
30/03/26
Combustíveis
Etanol recua no indicador semanal e fecha a sexta-feira ...
30/03/26
Diesel
ANP aprova medidas relativas à subvenção ao óleo diesel
29/03/26
Pessoas
Ocyan anuncia seu novo diretor Jurídico e de Governança
29/03/26
Energia Elétrica
USP desenvolve modelos para reduzir curtailment e amplia...
29/03/26
Biocombustíveis
Acelen Renováveis e Dia Mundial da Água: cultivo da maca...
29/03/26
iBEM26
Goldwind avança na Bahia com fábrica em Camaçari e proje...
27/03/26
iBEM26
Bahia apresenta potencial da bioenergia e reforça protag...
27/03/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de janeiro para...
26/03/26
IBEM26
Práticas ESG do setor de energias renováveis são destaqu...
26/03/26
IBEM26
Jerônimo Rodrigues destaca potencial da Bahia na transiç...
26/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23