Biotecnologia

Fungos da Amazônia podem descontaminar o solo após vazamentos de petróleo

O fungo Aspergillus utiliza os carbonos presentes no petróleo para obter energia e crescer. "O microrganismo usa o óleo para sobreviver e, ao mesmo tempo, limpa o ambiente”, diz pesquisadora.

Redação
12/12/2005 00:00
Visualizações: 1644

Uma pesquisa do Centro de Pesquisa Leônidas e Maria Deane (CPqLMD), unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Manaus, visa substituir a utilização de produtos químicos por microrganismos no tratamento de solos contaminados por resíduos tóxicos.

A técnica chamada de biorremediação tem sido experimentada na Amazônia com fungos autóctonos como o Aspergillus, que é abundante na região.

O estudo é impulsionado pela criação de um oleoduto da Petrobrás na bacia de Urucu, para levar petróleo extraído do município de Coari à refinaria em Manaus.

"Como acidentes são passíveis de ocorrer em oleodutos, nosso objetivo é investigar microrganismos encontrados na região amazônica que possam vir a ser utilizados na descontaminação do meio ambiente por derramamento de petróleo e derivados", disse Ormezinda Celeste Fernandes, coordenadora do projeto, à Agência Fapesp.

Os pesquisadores isolaram 57 amostras do solo e realizaram testes enzimáticos qualitativos. Os fungos do gênero Aspergillus se mostraram eficientes no combate à degradação dos solos. Segundo a bióloga, das amostras de Aspergillus pesquisadas, 93% demonstraram produzir enzimas de interesse biotecnológico. “Entre todos os fungos analisados, o Aspergillus niger foi o que apresentou maior viabilidade de produção de enzimas, como as celulases e as fenoloxidases”, conta Ormezinda.

As celulases são utilizadas para tratamento de efluentes da indústria têxtil, por exemplo, enquanto as fenoloxidases podem ser usadas para a biorremediação de petróleo. “Esses fungos produzem enzimas que podem evitar a degradação dos solos por resíduos de petróleo. Além disso, o procedimento é muito mais barato e menos tóxico do que a utilização de produtos químicos”, afirma.

Durante os testes que comprovaram o potencial dos Aspergillus quanto à capacidade de degradar o petróleo, cerca de 90% das amostras analisadas apresentaram crescimento microbiano capaz de promover o desaparecimento gradativo do substrato.

“Isso confirma a ação oxidativa do Aspergillus, que utiliza os carbonos presentes no petróleo para obter energia e crescer. O microrganismo usa o óleo para sobreviver e, ao mesmo tempo, limpa o ambiente”, diz.

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