Biotecnologia

Fungos da Amazônia podem descontaminar o solo após vazamentos de petróleo

O fungo Aspergillus utiliza os carbonos presentes no petróleo para obter energia e crescer. "O microrganismo usa o óleo para sobreviver e, ao mesmo tempo, limpa o ambiente”, diz pesquisadora.

Redação
12/12/2005 00:00
Visualizações: 1573

Uma pesquisa do Centro de Pesquisa Leônidas e Maria Deane (CPqLMD), unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Manaus, visa substituir a utilização de produtos químicos por microrganismos no tratamento de solos contaminados por resíduos tóxicos.

A técnica chamada de biorremediação tem sido experimentada na Amazônia com fungos autóctonos como o Aspergillus, que é abundante na região.

O estudo é impulsionado pela criação de um oleoduto da Petrobrás na bacia de Urucu, para levar petróleo extraído do município de Coari à refinaria em Manaus.

"Como acidentes são passíveis de ocorrer em oleodutos, nosso objetivo é investigar microrganismos encontrados na região amazônica que possam vir a ser utilizados na descontaminação do meio ambiente por derramamento de petróleo e derivados", disse Ormezinda Celeste Fernandes, coordenadora do projeto, à Agência Fapesp.

Os pesquisadores isolaram 57 amostras do solo e realizaram testes enzimáticos qualitativos. Os fungos do gênero Aspergillus se mostraram eficientes no combate à degradação dos solos. Segundo a bióloga, das amostras de Aspergillus pesquisadas, 93% demonstraram produzir enzimas de interesse biotecnológico. “Entre todos os fungos analisados, o Aspergillus niger foi o que apresentou maior viabilidade de produção de enzimas, como as celulases e as fenoloxidases”, conta Ormezinda.

As celulases são utilizadas para tratamento de efluentes da indústria têxtil, por exemplo, enquanto as fenoloxidases podem ser usadas para a biorremediação de petróleo. “Esses fungos produzem enzimas que podem evitar a degradação dos solos por resíduos de petróleo. Além disso, o procedimento é muito mais barato e menos tóxico do que a utilização de produtos químicos”, afirma.

Durante os testes que comprovaram o potencial dos Aspergillus quanto à capacidade de degradar o petróleo, cerca de 90% das amostras analisadas apresentaram crescimento microbiano capaz de promover o desaparecimento gradativo do substrato.

“Isso confirma a ação oxidativa do Aspergillus, que utiliza os carbonos presentes no petróleo para obter energia e crescer. O microrganismo usa o óleo para sobreviver e, ao mesmo tempo, limpa o ambiente”, diz.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pessoas
Josiani Napolitano assume presidência da ABiogás em mome...
05/05/26
Internacional
Na OTC Houston 2026, Firjan SENAI realiza edição interna...
04/05/26
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
04/05/26
Internacional
Brasil reafirma protagonismo tecnológico na OTC Houston ...
04/05/26
Pré-Sal
PPSA encerra 2025 com lucro líquido de R$ 30,1 milhões
04/05/26
Resultado
Com 5,531 milhões boe/d, Brasil segue com produção recor...
04/05/26
Sustentabilidade
Ipiranga lança Relatório de Sustentabilidade 2025 com av...
02/05/26
Internacional
Brasil reafirma protagonismo tecnológico na OTC Houston ...
02/05/26
Combustíveis
Diesel lidera alta dos combustíveis em abril, mostra Mon...
30/04/26
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
30/04/26
Etanol
E32 impulsiona etanol e reforça liderança do Brasil em b...
30/04/26
Meio Ambiente
Brasil aparece entre maiores emissores de metano em ater...
30/04/26
Oferta Permanente
Audiência pública debate inclusão de novos blocos no edi...
30/04/26
Exportações
Setor de óleo e gás e parlamentares discutem Imposto de ...
29/04/26
Evento
PortosRio participa do Rio de Janeiro Export 2026 e dest...
29/04/26
Royalties
Valores referentes à produção de fevereiro para contrato...
29/04/26
Resultado
Foresea registra melhor ano de sua história e consolida ...
29/04/26
Internacional
OTC Houston: ANP participa de painéis e realiza evento c...
29/04/26
Apoio Offshore
Wilson Sons revoluciona logística offshore com entrega p...
29/04/26
Internacional
PPSA e ANP promovem evento em Houston para apresentar o...
28/04/26
Segurança no Trabalho
Gasmig bate recorde de 1300 dias sem acidentes do trabalho
28/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23