Internacional

Fundador da Enron acusado de 11 crimes

Jornal do Commercio
09/07/2004 00:00
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Kenneth Lay, ex-presidente da empresa energética Enron e o maior contribuinte das campanhas políticas do presidente George W. Bush, foi processado ontem, após ter sido preso por agente do Federal Bureau of Investigation (FBI) em Houston (Texas) e levado algemado para um tribunal, onde recebeu 11 acusações, incluindo fraude bancária e com ações, e declarações financeiras falsa.
Lay declarou-se inocente de fraude e foi postoem liberdade depois de pagar uma fiança de US$ 500 mil. Em entrevista coletiva em Houston, Texas, depois de depor diante da juíza federal Mary Milloy e ser informado de 11 acusações, Lay assumiu a responsabilidade pelo colapso da empresa, mas negou que tivesse tomado medidas inapropriadas. ‘‘Estou desolado pelo que ocorreu com a empresa e pela minha incapacidade de salvá-la, mas esse fracasso não é crime’’, disse.
A quebra da Enron fez dezenas de bilhões de dólares evaporarem-se das mãos de investidores e deixou milhares de trabalhadores sem emprego e sem fundo de aposentadoria. De forma direta ou por meio da companhia Enron, seus empregados ou seus parentes, Lay contribuiu com mais de US$ 550 mil para as campanhas políticas de Bush.
Segundo o serviço de notícias financeiras CBS MarketWatch, a Enron também contribuiu com US$ 300 mil para a inauguração presidencial de Bush. Mais de 250 membros do Congresso, de ambos os partidos, receberam contribuições da Enron, porém três quartos dos US$ 5,77 milhões dados a candidatos desde 1989 foram a republicanos.
Quando em 2001 o vice-presidente Dick Cheney liderou o grupo que elaborou a política energética da Casa Branca, o ex-chefe da Enron estava entre os participantes de maior peso. Sob a presidência de Lay, o valor da Enron passou de cerca de US$ 2 bilhões para US$ 80 bilhões. Hoje, o valor da empresa está calculado em US$ 41 milhões. No final de 2001, a Enron declarou a maior concordata na história dos EUA, depois de descobertas as manipulações contábeis mediante as quais a empresa tinha ocultado perdas e exagerado lucros para continuar atraindo investidores. Um ano antes, a Enron tinha declarado receitas anuais de US$ 101 bilhões e figurava como a sétima maior companhia do país com operações que iam desde serviços petroleiros a investimentos.

Advogado alega que cliente desconhecia irregularidades

Na manha de ontem, depois da audiência judicial em Houston, o advogado de Lay, Michael Ramsey, reiterou que seu cliente é inocente e desconhecia a situação de ireregularidade na empresa. Segundo o advogado, o ex-chefe de finanças da Enron Andrew Fastow e outros funcionários do alto escalão na empresa ‘‘não disseram ao presidente (Lay) que estavam roubando a Enron’’. ‘‘Qualquer erro que Lay possa ter cometido na presidência da Enron não foi um ato criminoso’’, acrescentou Ramsey.
As 11 acusações apresentadas contra Lay incluem fraude bancária, declarações financeiras falsas, fraudes com ações e engano ao público, aos acionistas e às autoridades governamentais que supervisionam as atividades das empresas. Cerca de 30 ex-funcionários da Enron foram processados até agora e 10 já foram condenados por suas manipulações financeiras.
Lay é o empresário mais importante processado até agora sob a prolongada investigação do Departamento de Justiça sobre a quebra da Enron. A Comissão do Mercados de Valores
(SEC) realiza sua própria investigação.
Entre os acusados estão outro ex-executivo Jeffrey Skilling, Andrew Fastow, e o ex-contador principal Richard Causey. Em fevereiro, Skilling e Causey declararam-se inocentes de mais de 30 acusações. Depois de seu trabalho como economista na empresa Humble Oil and Refining, antecessora da Exxon, Lay trabalhou como economista na Marinha de Guerra, e em 1971 foi subsecretário de Energia no governo de Richard Nixon. Quando voltou para a atividade privada, Lay foi executivo da Florida Gas, em 1982 retornou para Houston como presidente da Transco Energy, e em 1984 passou a presidir a Houston Natural Gas.

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