Golfo do México

Funcionário da BP diz que plataforma apresentou defeito dias antes da explosão

Globo Online
21/06/2010 08:34
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Um funcionário da plataforma de exploração de petróleo Deepwater Horizon, que explodiu no Golfo do México e causou o pior desastre ambiental da história americana, disse à BBC que identificou um vazamento no equipamento de segurança da plataforma semanas antes da explosão.

Em uma entrevista que vai ao ar nesta segunda-feira, Tyrone Benton afirmou que, apesar do aviso, os responsáveis pela plataforma decidiram simplesmente desligar o aparelho de segurança em vez de consertá-lo. Um segundo equipamento foi acionado.

A plataforma explodiu em 20 de abril passado, causando a morte de 11 funcionários. A BP afirma que a proprietária da plataforma, Transocean, é responsável pela operação e manutenção do equipamento.

A Transocean, por sua vez, afirma que testou a válvula de segurança três dias antes da explosão e que, na ocasião, o dispositivo funcionava.

As entrevistas serão exibidas nesta segunda-feira no programa Panorama, da BBC.

'Inaceitável'

Durante a explosão da plataforma, ocorreu a falha de um equipamento conhecido como Blow Out Preventer (BOP), que fica na cabeça do poço para garantir a segurança em caso de vazamentos.

Este é o equipamento de segurança mais crítico a bordo de uma plataforma, instalado justamente para evitar desastres como o do Golfo do México.

O BOP tem "tesouras" gigantes desenhadas para cortar e selar o principal cano do poço. Segundo Benton, o problema foi encontrado na câmara de controle, que contém tanto mecanismos eletrônicos como hidráulicos.

"Vimos um vazamento na câmara de controle e informamos os funcionários da empresa", disse Benton. "Eles têm uma sala onde podem desligar aquele equipamento e ligar outro, para não interromper a produção."

Benton disse que seu supervisor enviou um e-mail tanto para a BP como para a Transocean sobre os vazamentos descobertos.

O especialista em petróleo da Universidade do Texas, Tad Patzek, disse que a falta de medidas foi "inaceitável".

"Isto é inaceitável", afirmou o professor. "Se você tiver provas de que o BOP não está funcionando corretamente, deve consertá-lo como for possível."

Custo

Benton afirmou não saber se a câmara que apresentou o vazamento voltou a ser ligada antes do desastre ou não.

Ele disse que, para consertar a unidade, a BP teria que interromper a perfuração na plataforma. O custo diário de operação da Deepwater Horizon é de US$ 500 mil.

O deputado americano Henry Waxman, que está supervisionando as investigações do Congresso sobre a explosão e o vazamento da plataforma, acusou a BP de cortar gastos com segurança para economizar dinheiro.

"A BP parece ter tomado uma série de decisões por razões econômicas que aumentaram os riscos de uma falha catastrófica no poço", disse Waxman.

O executivo-chefe da BP, Tony Hayward, sabatinado pelo Congresso na semana passada, afirmou: "Não vi prova de nada até agora que sugira que alguém tenha colocado os custos antes da segurança. Se houver, vamos tomar medidas".

Cimento

O Congresso americano identificou uma série de outros problemas com o BOP, inclusive de desenho, modificações inesperadas e bateria gasta.

Segundo o Legislativo americano, há indícios de que a colocação de cimento - material que impede o escape de gases explosivos - na Deepwater Horizon não tenha sido realizada da maneira apropriada.

A BP afirmou ter indícios do contrário. A empresa responsável pela instalação de cimento, Halliburton, disse que a instalação foi consistente com outras aplicadas em situações semelhantes.

Vários funcionários da plataforma disseram à BBC que, em abril, havia pressão na Deepwater Horizon para concluir rapidamente o trabalho de preparação do poço, que estava atrasado.

"Muitas tarefas estavam sendo feitas ao mesmo tempo. As coisas deveriam ter sido feitas mais devagar, uma de cada vez, para que tivéssemos certeza de que tudo havia sido feito da maneira que tem ser feito", disse Benton, que agora está processando a BP e a Transocean por negligência.

A BP respondeu às críticas afirmando que a Transocean era responsável pela manutenção e operação do BOP.

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