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Alemanha

Freiburg corta emissões com mais eficiência energética

11/11/2009 | 11h11
Desde sua construção na década de 1930, a base militar de Vauban nos arredores de Freiburg, na Alemanha, alojou os nazistas, o Exército francês e grupos de hippies e anarquistas desabrigados. Atualmente, Vauban sedia um público novo: ambientalistas.
 
Há uma década, a maioria dos alojamentos foi demolida para dar lugar a uma comunidade sustentável que se tornou uma espécie de utopia verde. Agora, as células fotovoltáicas substituíram as telhas tradicionais no teto, bicicletas superam carros em número e casas futuristas geram mais energia do que consomem.
 
Vauban é apenas o exemplo mais extremo de como Freiburg, uma pitoresca porta de entrada para a Floresta Negra, se transformou num modelo de eficiência energética. Desde os tempos em que a cidade iniciou uma dieta energética, na década de 1970, até agora, seus edifícios superaram os já ambiciosos padrões do governo alemão.
 
A cada ano, um governo local controlado pelo Partido Verde busca formas de aprimorar esse desempenho, como parte de uma tentativa implacável para reduzir as emissões do gás estufa e para desacostumar a cidade, de 220 mil habitantes, do uso do carvão e da energia nuclear.
 
Num dia típico, delegações de todo o mundo podem ser vistas, bloco de anotações em punho, perambulando pelas ruas sem carros de Vauban e observando moradores como se fossem animais de zoológico. A questão que todos estão considerando é se o sucesso de Freiburg é único ou se é reproduzível em outros lugares.
 
A resposta poderá chegar a ponto de determinar o desfecho do combate ao aquecimento global. Um relatório muito citado da consultoria McKinsey classificou a eficiência energética como a forma mais eficaz em termos de custo para reduzir as emissões de gás estufa, situando-a à frente de opções como energia nuclear, energias renováveis e captura e armazenagem de carbono.
 
Simplesmente através da aplicação de tecnologia existente, projetou a consultoria, o crescimento global na demanda de energia poderá ser reduzido praticamente à metade, enquanto mais de € 600 bilhões (US$ 886 bilhões) em economia de energia poderá ser obtida a cada ano, a partir de 2020.
 
“A eficiência energética é a providência mais simples”, disse Maud Olofsson, ministro da Energia e do Ambiente da Suécia, que usou a gestão sueca na Presidência da União Europeia para pressionar a aprovação de leis para melhorar os padrões de eficiência de edifícios e eletrodomésticos. Essas medidas não beneficiariam apenas o ambiente, argumentou Olofsson, mas também a competitividade nos negócios.
 
Mesmo com todas as suas virtudes aparentes, porém, a frustrante realidade da eficiência energética está na dificuldade em colocá-la em prática. Um mosaico de códigos de construção confusos, falta de especialização técnica e as dificuldades de prover recursos e o aumento gradual de milhares de projetos de renovação individuais podem juntos conspirar para atormentar o mais bem-intencionado dos planejadores urbanos.
 
“É sempre a mesma coisa”, disse Gerard Magnin, dirigente da Energie-Cites, uma organização sem fins lucrativos que promove a energia sustentável, ao descrever a típica experiência de um governo local com a eficiência energética. Existe um lampejo de emoção perante as possibilidades antes que a complexidade se revele e eles acabem sucumbindo à resignação.
 
“Se você quiser elevar a eficiência energética, precisará mudar o comportamento das pessoas, e isso não é algo fácil de fazer”, disse um diplomata sueco.
 
Realmente, a formulação de incentivos para consumidores é uma ciência inexata. Apesar de estes terem se apresentado em massa [nos EUA] para receber as gratificações instantâneas dos planos de incentivo, da compra de carros novos em troca da venda dos seus carros usados, eles tendem a hesitar em pagar um pouco mais por um lava-louças mais eficiente em energia.
 
Outro problema comum citado por proponentes da eficiência energética é o dilema “inquilino-proprietário”: é improvável que uma pessoa invista em um novo isolamento térmico se estiver meramente alugando. Proprietários de imóveis que não pagam contas de consumo mensais tampouco têm muitos incentivos.
 
Então, como Freiburg conseguiu superar esses obstáculos? Os moradores admitem que não existem duas cidades idênticas. A deles dificilmente pode ser descrita como típica, com uma população muito instruída e de orientação de esquerda, cuja maioria é empregada pela universidade e o setor de turismo. E quase não há indústria pesada.
 
Mesmo assim, eles argumentam que cidades como Grenoble já estão implantando lições colhidas em Freiburg. O resto do mundo, eles dizem, também deveria pelo menos se equiparar a alguns dos seus sucessos por meio de um misto de incentivos econômicos, engenharia inteligente e vontade popular.
 
Essa vontade foi forjada na década de 1970, quando os cidadãos, depois de uma série de protestos dramáticos, frustraram os planos do governo do Estado de construir uma usina nuclear a 30 km de distância. O episódio convenceu algumas pessoas a pensar que não bastava simplesmente se opor à energia nuclear: era necessário que propusessem outras opções.
 
“É muito importante entender que essas pessoas que se posicionaram contra a energia nuclear não estavam apenas contra ela – elas queriam alternativas”, disse Andreas Markowsky, diretor-executivo da Okstrom, uma companhia local que produz energia eólica, solar e hidrelétrica.
 
Sua determinação se fortaleceu após o acidente de Tchernobil em 1986 e mais uma vez, uma década depois, com o consenso crescente de que o aquecimento global era, na verdade, um fenômeno gerado pelo homem.
 
Um dos resultados mais visíveis dessa tentativa foi o mergulho entusiasmado de Freiburg na energia solar. Painéis fotovoltáicos revestem os blocos de apartamentos e até o estádio de futebol.
 
A cidade ajudou a proliferação, criando um website onde os cidadãos podem digitar seus endereços e saber se os seus telhados são compatíveis com painéis solares e o ângulo ideal para posicioná-los. O site é atualizado com dados capturados por aviões.
 
Do lado da eficácia da equação, os planejadores da cidade abordaram o trânsito de veículos, depois que uma auditoria revelou que era uma das maiores fontes de uso de energia. Eles elevaram os preços do estacionamento no centro da cidade ao mesmo tempo em que expandiam a qualidade e a extensão da rede sobre trilhos. Pistas para bicicletas também estão por toda a parte.
 
“Nós não dizemos: ‘Reduza a sua mobilidade’. O que estamos tentando fazer é criar melhores alternativas”, explicou Dieter Wörner, responsável pela pasta do Ambiente da cidade.
 
Mas as maiores economias têm vindo do setor de construção, que responde por 40% do consumo de energia por toda a Europa. A partir de 1992, Freiburg introduziu padrões de energia para novas residências, que estão 30% abaixo dos exigidos pelo governo federal.
 
Em 2011, a cidade elevará o sarrafo mais uma vez, com uma lei que limitará novas residências ao consumo de 15 kW/h de energia por metro quadrado. Essa norma está abaixo do padrão atual de Freiburg, de 50 kW/h, que em si já está bem abaixo dos 200 kW/h a 250 kW/h, comum em partes da Europa.
 
O ideal de Vauban está refletido nas residências “passivas” popularizadas por Rolf Disch, um arquiteto local. Essas moradias aspiram ar externo e o canalizam no subsolo, para aquecê-lo no inverno ou resfriá-lo no verão, antes de penetrar no edifício.
 
 
 
Parte das criações futuristas de Disch é na verdade considerada “positiva em energia”, o que significa que seus painéis solares lhes ajudam a gerar mais energia do que consomem.
 
O desafio mais espinhoso tem sido renovar o estoque de edifícios existentes de Freiburg.
 
A exemplo de Munique e Heidelberg, Freiburg complementa os subsídios federais concedidos a donos de residências que instalam isolamento térmico, janelas com três camadas de vidro e outros itens de economia de energia. Os bancos alemães facilitam o processo estabelecendo padrões de empréstimos para reformas eficientes em energia.
 
Wörner argumenta que a cidade poderia fazer mais, se tivesse mais verbas à sua disposição. A demanda pesada significou que os € 500 milhões (US$ 744 milhões) dotados no orçamento de Freiburg para subsídios foram consumidos até agosto do ano passado.
 
Ainda assim, o histórico de Freiburg poderia ser motivo de inveja de muitas cidades. Ela reduziu as emissões em praticamente 14% entre 1992 e 2007, apesar de um aumento de 10% na população. Isso poderia colocar Freiburg a caminho de superar os 20% de cortes em relação aos níveis de 1990, que os líderes europeus pactuaram em dezembro, como parte do seu histórico pacote climático.
 
Enquanto isso, a energia nuclear, que já forneceu 60% da eletricidade da cidade, hoje responde por um quarto.


Fonte: Valor Econômico
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