Educação

Formação de mestres cresce 823% na região Nordeste

Estudo aponta ainda um aumento de 5.980% de doutores na região. Além da distribuição geográfica, os dados, divulgados durante a 68ª Reunião Anual da SBPC.

Assessoria MCTIC/Redação
12/07/2016 15:33
Visualizações: 1452

A formação de mestres e doutores e a quantidade de cursos de pós-graduação nas regiões Norte e Nordeste tiveram ampla expansão entre 1996 e 2014, segundo levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. No período, houve uma "paulatina desconcentração geográfica das bases de produção de mestres e doutores". De acordo com o estudo, a formação de mestres na região Nordeste cresceu 823,7%, passando de 1.116 para 9.193. No caso do doutorado, o aumento foi ainda mais impressionante. Passou de 40 em 1996 para 2.392 em 2014, um salto de 5.980%.

O levantamento do CGEE aponta que, até 1996, o Sudeste dominava a formação de pós-graduandos no Brasil, com 68% da titulação de mestres e 89% de doutores. Desde então, a pós-graduação tem se espalhado pelo país, reduzindo para 49% a formação de mestres e para 60% a de doutores na região em 2014.

"O Nordeste foi a região do país que mais avançou no período. Já tinha uma certa base, mas expandiu de forma impressionante. Isso foi importante para criar maiores oportunidades para a formação de mestres e doutores no Brasil", disse o presidente do CGEE, Mariano Laplane.

Ainda que os números não sejam tão impressionantes se comparados com o Nordeste, a expansão dos programas de pós-graduação e do número de titulados ocorreu de maneira mais veloz na região Norte. Isso se deve ao fato de haver poucas oportunidades na região antes do período analisado. Em 1996, havia 27 programas de mestrado (135 titulados) e oito de doutorado (21 titulados) nos estados do Norte. Nos anos seguintes, os números passaram para 181 cursos de mestrado (1.884 titulados) e 65 de doutorado (301 titulados).

"Em ritmo de crescimento, quem mais expandiu foi a região Norte, porque começou com muito pouca coisa. Ali, os resultados estão sendo muito positivos, com a chegada de novos pesquisadores e espaços para pesquisa que se fixaram ali. O pouco que se leva para aquela região provoca uma mudança enorme no panorama", observou Laplane.

O estudo "Mestres e Doutores 2015: estudos da demografia da base técnico-científica brasileira" foi lançado pelo CGEE durante a 68ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terminou no último sábado (9), em Porto Seguro (BA).

Multidisciplinaridade

O levantamento revela ainda que a multidisciplinaridade é a nova marca dos programas de mestrado e doutorado no Brasil. Segundo Mariano Laplane, a união de diferentes áreas do conhecimento para a solução de problemas é uma tendência mundial. No Brasil, este tipo de curso cresceu exponencialmente entre 1996 e 2014, tanto no mestrado (1.550%) quanto no doutorado (1.645,5%). Em 2014, a área multidisciplinar representava 14,6% do total de cursos do mestrado e 9,9% dos doutorados.

"Isso é muito positivo, porque os problemas do desenvolvimento que a gente tem sempre tiveram essa cara. Mas também é uma tendência da ciência mundial de se mobilizar para resolver problemas que são de caráter multidisciplinar", explicou Laplane.

Uma das situações que demandam o cruzamento de competência é a ocupação de espaços urbanos, especialmente nas grandes cidades. "As cidades estão se tornando um problema sério em todo o planeta. Lida com questões de saneamento, mobilidade, segurança. Não há como lidar com os problemas das cidades de forma isolada, com cada especialidade sozinha, você precisa juntar esses conhecimentos. A ciência do mundo caminha para isso."

A procura pelos cursos de ciências exatas e da terra e pelas engenharias também cresceu. Na avaliação de Laplane, este é um caminho natural, diante da vocação da economia brasileira. Ele destacou que alguns dos segmentos mais importantes da geração de riquezas no país lidam com essas áreas do conhecimento, como o agronegócio, a mineração e a exploração de petróleo e gás, por exemplo. Além disso, os cursos dessas áreas têm sido bem avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

"São áreas que têm crescido muito, com bom desempenho e que concentram os cursos de melhor qualidade avaliados pela Capes. E isso tem muito a ver com nossa realidade, porque temos atividades econômicas que demandam conhecimentos dessas disciplinas. É natural que setores da economia como agronegócio, mineração e exploração de petróleo e gás – setores muito importantes da economia brasileira – tenham uma demanda alta por mestres e doutores e que eles solucionem os problemas desses setores", destacou.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Combustíveis
Etanol volta a ser mais vantajoso que a gasolina após qu...
03/07/26
Financiamento
FAPESP destina R$ 50 milhões para projetos de inovação e...
03/07/26
Pessoas
Alessandra Davolio Gomes assume a direção de um dos maio...
02/07/26
Bacia Potiguar
BRAVA Energia inaugura Centro de Operações Integradas e ...
02/07/26
Tecnologia e Inovação
ABPIP desenvolve ecossistema próprio de inteligência art...
02/07/26
Etanol de milho
Atvos lança Pedra Fundamental da primeira planta de etan...
02/07/26
Reconhecimento
Constellation é a única empresa do setor de perfuração d...
02/07/26
Gestão do Conhecimento
200 mil pessoas, zero tolerância para treinamento que nã...
01/07/26
Resultado
Com 5,597 milhões de boe/d, a produção nacional de petró...
01/07/26
Bioenergia
Hora do jogo: começa hoje o 19º Congresso Nacional da Bi...
01/07/26
Firjan
ABDAN e FIRJAN lançam Agenda Nuclear para um Brasil Comp...
01/07/26
SOG 2026
Distribuição de gás em Sergipe entra na agenda estratégi...
30/06/26
Energy Summit
CPFL Energia está entre os destaques do Energy Summit Aw...
30/06/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados do setor regulado em 2025
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
Combustível
Etanol fecha a semana em alta e amplia recuperação no me...
29/06/26
Margem Equatorial
Aprovada a indicação de 86 blocos na Margem Equatorial p...
27/06/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP divulga empresas aptas a particip...
26/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.