Economia

FMI estima pressão de preços de alimentos e energia

Agência Estado
14/09/2011 15:32
Visualizações: 485
O fato de que a volatilidade dos preços das commodities (matérias-primas) deve continuar, assim como os preços de alimentação e combustível devem seguir elevados, representa um desafio aos formuladores de políticas nos próximos anos, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI), no relatório Perspectiva Econômica Mundial, divulgado hoje.
 
"Uma preocupação é a de que os aumentos recentes de comida e energia se provem persistentes, levando a expectativas mais altas de inflação, que podem gerar demandas por maiores salários e inflação subjacente", afirma o relatório.

Outra preocupação, segundo o FMI, é a de que a tentativa de estabilizar a inflação em meio a tanta volatilidade possa ter um custo econômico significativo. "Essa preocupação é maior em economias em que a participação da alimentação na cesta de consumo é alta e os efeitos desses choques são maiores", explicam os economistas do FMI.

Segundo o fundo, os preços de alimentos estão cerca de 80% mais altos em termos reais na comparação com janeiro de 2000, enquanto os preços de petróleo estão ao redor de 175% mais altos. "Por outro lado, numa perspectiva mais longa, os preços de alimentos atingiram um nível histórico de baixa em 2000, após décadas de declínio. Isso deixa claro que o potencial de oscilação dos preços das commodities é alto."


Choque de alimentos

Uma vez que os preços de commodities, especialmente alimentos, devem seguir voláteis e elevados, o efeito desses choques nas economias e a resposta a ser dada pelos formuladores de políticas dependem muito de como as expectativas de inflação estão ancoradas, avalia o FMI.

"Se a credibilidade da política monetária é baixa, então as expectativas de inflação no médio prazo acabam sendo revisadas para cima, como resposta às notícias de alta de preços. Em contraste, se o setor privado acredita que o banco central irá estabilizar a inflação, então as expectativas de inflação no médio prazo acabam respondendo menos a notícias de inflação", afirma o relatório do FMI.

De acordo com o fundo, as expectativas de inflação costumam estar menos ancoradas em nações emergentes ou em desenvolvimento do que em economias avançadas. "Nem todos os emergentes e países em desenvolvimento, no entanto, têm expectativas de inflação ancoradas com fraqueza. As expectativas têm se mostrado bem ancoradas em economias emergentes e em desenvolvimento onde o banco central tem uma meta explícita de inflação".

Segundo o FMI, de um modo geral a credibilidade do banco central contribui para a estabilidade da economia, uma vez que as expectativas ficam mais bem ancoradas e as respostas das políticas aos choques podem ser mais bem calculadas. "Uma credibilidade maior permite ao banco central estabilizar a inflação (tanto cheia como o núcleo) com menos aperto monetário e menos perda associada à atividade produtiva", analisa o documento.
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