Operação Lava-Jato

Ex-senador Gim Argello é denunciado

Diário Catarinense 06/05/2016
06/05/2016 15:30
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O Ministério Público Federal denunciou no âmbito da Operação Lava-Jato nesta sexta-feira, em Curitiba, o ex-senador da República, Gim Argello (Jorge Afonso Argello) e outras 10 pessoas pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, organização criminoso e obstrução à investigação. Conforme o MPF, ficou comprovado que o ex-senador e pessoas próximas, junto com dirigentes de empreiteiras envolvidas no esquema criminoso instalado na Petrobras, acertaram e promoveram o pagamento de vantagens indevidas entre os meses de abril e dezembro de 2014.

O objetivo seria obstruir os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada no Senado e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Senado e na Câmara dos Deputados. As CPIs foram abertas para apurar fatos ilícitos cometidos contra a estatal petrolífera e, conforme se constatou, houve o acerto de pagamento de propina para evitar a convocação de empreiteiros para prestarem depoimento. A ideia era cobrar o montante de R$ 5 milhões de cada uma das empreiteiras envolvidas. Argello era membro da CPI do Senado e vice-presidente da CPMI.

As investigações apontaram o acerto de vantagem indevida feito por, pelo menos, quatro empreiteiras: UTC Engenharia, OAS, Toyo Setal e Odebrecht. O político também solicitou vantagem indevida às empresas Andrade Gutierrez, Engevix e Camargo Côrrea, que não aceitaram o pedido. De acordo com o MPF, a UTC Engenharia efetuou o pagamento de R$ 5 milhões em propina por meio de doações oficiais a partidos políticos que compunham a coligação União e Força, da qual a legenda de Gil Argello, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), também fazia parte, nas eleições de 2014.

Deste total, o Democratas (DEM) recebeu R$ 1,7 milhão, o Partido República (PR) R$ 1 milhão, o Partido da Mobilização Nacional (PMN) R$ 1,15 milhão e o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), R$ 1,15 milhão. Já para dissimular a origem e a natureza criminosa dos recursos escusos a empreiteira OAS depositou R$ 350 mil na conta bancária da Paróquia São Pedro, localizada em Taguatinga (DF), e que era frequentada pelo ex-senador.

O pagamento à paróquia é associado a uma pessoa identificada como Alcoólico, que seria o apelido de Gim Argello, por ser trocadilho com a bebida Gim. O apelido foi identificado em uma troca de mensagens de celular que foram apreendidos em fases anteriores da Lava-Jato.

A empresa Toyo Setal fez o pagamento de R$ 2 milhões por meio de doação oficial ao PR com a finalidade de dar aparência lícita à vantagem indevida e, Júlio Camargo, representante da empresas, por duas vezes, fez pessoalmente repasses em espécie, totalizando R$ 200 mil e EUR 200 mil que foram entregues ao ex-senador. Também há indícios concretos que a empreiteira Odebrecht pagou R$ 200 mil para evitar a convocação de seus executivos como doação oficial ao PR.

Na denúncia apresentada nesta sexta-feira, os procuradores também pedem o confisco de cerca de R$ 7,5 milhões e EUR 200 mil e, cumulativamente, o valor de R$ 70 milhões, correspondente ao dobro dos valores totais de propina solicitada e exigida.

Confira a lista completa dos denunciados

Jorge Afonso Argello; Jorge Afonso Argello Junior; Paulo César Roxo Ramos; Valério Neves Campos; José Aldemário Pinheiro Filho; Roberto Zardi Ferreira; Dilson de Cerqueira Paiva Filho; Ricardo Ribeiro Pessoa; Walmir Pinheiro Santana; Marcelo Bahia Odebrecht; Claudio Melo Filho

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