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Etanol vira o foco em safra do próximo ano em MS

Correio do Estado, MS 10/12/2018
10/12/2018 14:56
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MS ocupa a 4ª colocação na produção nacional de etanol, é o 5º maior produtor de açúcar e o 4º maior exportador de bioeletricidade. Esses resultados são obtidos em 800 mil hectares de área destinada ao plantio, o que representa 2,2% da área total do Estado.

No entanto, para permanecer nesse patamar produtivo, o produtor rural busca tecnologia e sustentabilidade, a fim de diminuir os custos de produção e atender às recomendações previstas nas boas práticas agrícolas. Um estudo realizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) revela que o etanol de cana brasileiro registra produtividade superior às alternativas de outras matérias-primas e, se aliado a técnicas como hidrólise do bagaço e palha de cana, pode quase dobrar a produtividade atual, que é de 7 mil litros por hectare, para 13 mil l/ha.

Outros fatores que contribuem para o efeito sustentável são a baixa necessidade de água (irrigação), o sistema de plantio direto (palha da cana), o desenvolvimento de variedades mais eficientes e a característica semiperene da cana-de-açúcar, que possibilita vários cortes, em um intervalo de 5 a 7 anos, antes de ser necessário o replantio.

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Hollanda Filho, uma característica na produção regional é a de que o etanol tem a preferência dos produtores, com 70% do total processado. Na safra 2018/19, este cenário consolidou-se, em razão da expectativa de superprodução mundial de açúcar (Índia), que derrubou as cotações do produto.

"O preço do açúcar desacelerou em razão de uma estimativa de alta oferta do produto, por isso, os produtores aumentaram a produção de etanol. Cerca de 83% se refere ao mix do produto, com destaque especial para o etanol hidratado, que é vendido nos postos de combustíveis. O biocombustível produzido no Estado deve ter 65% na participação total da produção, o que indica aumento de 40% em relação ao ciclo 2017/18", pontua.

O último levantamento (1ª quinzena de novembro) do Estado revela que já foram processados 41 milhões de toneladas da matéria-prima, 850 mil toneladas de açúcar, e produzidos 2,7 bilhões de litros de etanol (etanol anidro, 678 milhões; e hidratado, 2 bilhões de litros). Com relação à safra 2017/18, que totalizou 46,9 milhões de toneladas, Hollanda ressalta que a expectativa para o ciclo atual deve permanecer no mesmo patamar. "Temos cana no campo para chegar a 50 milhões de toneladas e a colheita vai até 31 de março, então, vai depender da quantidade de chuva nos próximos meses", destaca.

Produção Sustentável

O engenheiro agrônomo Werner Semmelroth é produtor de cana-de-açúcar em Batayporã e destaca que as técnicas de manejo e conservação do solo e da água contribuem para que os agricultores possam conseguir desempenho produtivo cada vez melhor, sem precisar ampliar área. "Utilizamos corretivos no preparo do solo e também na soqueira da cana, acompanhados de periódicas análises laboratoriais. Outro ponto importante é a adubação de reposição nutricional feita anualmente, baseada na extração da cultura, nunca utilizando as reservas químicas do solo", explica.

Questionado sobre como o produtor deve se planejar para conseguir uma boa lavoura e não correr risco de infringir a legislação ambiental, Semmelroth faz algumas recomendações. "É preciso ter cuidados no preparo do solo, utilizando emprego adequado das técnicas de manejo e conservação do solo, evitando assoreamento de mananciais de água e formação de processos erosivos".

O engenheiro agrônomo complementa que o produtor rural deve ter o Cadastro Ambiental Rural (CAR) registrado, a fim de assegurar que sejam respeitadas todas as nascentes, matas ciliares, áreas de preservação permanente e reserva legal. Outro ponto fundamental é cumprir as condicionantes determinadas pelo órgão ambiental e respeitar os protocolos referentes à colheita da cana sem uso de fogo.

Sobre o cenário de sustentabilidade na produção de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul, o engenheiro ambiental da Biosul Érico Paredes argumenta: "O setor sucroenergético é sustentável por diversos aspectos. Gera emprego e renda nas regiões em que se instala, qualifica mão de obra e oferece um dos melhores salários médios da indústria em MS".

Paredes acrescenta as principais práticas agrícolas que impactam na melhoria da atividade, sem perder de vista a preservação do meio ambiente. "No campo, são adotadas boas práticas de conservação do solo e de recuperação de áreas degradadas. Boa parte das pragas e doenças da cana é tratada com controle biológico e desenvolvimento de novas variedades resistentes. Aliado a isso, o segmento é destaque na utilização de fertilizantes orgânicos nos canaviais [vinhaça e torta de filtro], subprodutos resultantes do processo industrial", conclui.

 

 

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