Alternativa

Etanol pode ser a saída para excedente de milho no Brasil

DCI
05/08/2010 09:28
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O excedente de milho do Estado do Mato Grosso poderá ser destinado à produção de etanol nas próximas safras, como acontece hoje nos Estados Unidos. Uma máquina brasileira, que custa R$ 400 mil, é capaz de transformar sete mil quilos de milho por dia no combustível e deve ser a saída para produtores não perderem o plantio. Na próxima semana, uma usina na cidade de Campos de Júlio, a 600 quilômetros de Cuiabá , vai operar, em caráter experimental, com o álcool a partir do grão. Nesta semana, pesquisadores fazem testes técnicos em uma unidade em Tangará da Serra (MT). A ideia é instalar o equipamento em usinas de biodiesel.



A Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), em pareceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Universidade Federal do Tocantins (TO), pesquisam o projeto. "Por enquanto, o passo é realizar testes técnicos com o equipamento. A máquina é brasileira, mas recebe tecnologia norte-americana, a qual será nacionalizada", afirmou Marcelo Duarte Monteiro, diretor executivo da Aprosoja. Ainda de acordo com a entidade, após a fase de testes, há outras etapas a serem correspondidas: viabilidade econômica, impostos, tributação, licença ambiental e mercado.



Otimista, Glauber Silveira, presidente da Aprosoja, espera que o Mato Grosso seja o pioneiro na produção de etanol a partir do milho e que o produto já esteja disponível na próxima safra. "A ideia é produzir etanol e equiparar o preço ao o da cana-de-açúcar", disse Silveira.

 

Além do álcool na bomba, outra vantagem é aproveitar os resíduos que sobram do milho para dar de ração aos bovinos. Monteiro explicou que o estado só conta com uma máquina e que fornecedores estão desenvolvendo tecnologias para o projeto. "Apesar dos testes desta semana, ainda não temos resultados concretos. Estamos animados, mas os dados por enquanto são poucos".


Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que, na virada deste ano, os estoques de passagem no Brasil ficaram em 11,02 milhões de toneladas de milho. "O problema do Mato Grosso é que o estado colhe mais de 90% no ciclo da safrinha. É neste momento que o mercado já colheu a safra de verão e ainda há os estoques de passagem do ano anterior. Por isso, sobra mais milho e aumenta a competição", diz Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista da Scot Consultoria. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o cultivo de milho safrinha para 2009/2010, no Mato Grosso, será de 8,26 milhões de toneladas.


Os programas de incentivo do governo, como os leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), contribuem para a remuneração do produtor. Com os certames, o agricultor consegue receber R$ 11 por saca, em vez de R$ 6. A Aprosoja estima que preço poderia ser maior se houvesse comércio com as usinas.


Silveira aposta no conceito de o País partir em direção ao biocombustível. O Mato Grosso produz aproximadamente 850 milhões de litros de etanol a partir de cana-de-açúcar. "Se pegarmos 25% da produção de milho do Mato Grosso, ao invés de exportar, poderemos produzir 1 bilhão de litros de álcool de milho. É um bom volume e terá saída no mercado", diz o presidente da Aprosoja.

Segundo a entidade, se 40 usinas mato-grossences abocanharem até 25% da produção de milho do estado, isso seria equivalente a dois milhões de toneladas.


Antonio de la Bandeira, gerente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, disse que a saída pode ser interessante. "O problema do milho é encontrar um outro foco para que seja bem vendido. Esta é uma ótima alternativa", diz. Bandeira espera que a ideia do etanol a partir do milho seja levado para sua cidade, que é considerada a maior produtora de milho de pipoca e de girassol.


"É ótimo. Nada melhor do que ter demanda e consumo. Atualmente, o estado produz muito e não conta com infraestrutura para o escoamento. Tomara que com a produção do etanol possa aliviar um pouco e ainda dê para aproveitar o resíduo de sobra para o confinamento bovino", afirma Odenir Ortolan, presidente do Sindicato Rural.
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