Unica

Etanol deve continuar em alta

Tribuna do Norte
30/10/2009 10:05
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O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, afirmou ontem que os preços do etanol devem continuar em alta até o início da próxima safra, em março. Um dia após a Fipe informar que o preço do álcool subiu 14,08% em São Paulo em 30 dias, até 23 de outubro, Jank e representantes do setor se encontram com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para tratar do tema.
 
João Maria AlvesCom a alta, a procura por abastecimento caiu, segundo a UnicaCom a alta, a procura por abastecimento caiu, segundo a Unica
 
Jank disse que a safra atual se estenderá até o Natal por conta do atraso ocasionado na colheita em função do alto índice de chuvas. “Cerca de 30% da safra ainda vai acontecer”, previu. Ao mesmo tempo, ele espera que a safra do ano que vem comece um mês mais cedo, em março, porque há a expectativa de sobra de 50 milhões de toneladas de cana de um ciclo para o outro. “Teremos preços mais altos até março, mas em relação à queda verificada nos últimos anos. Depois pode ocorrer uma redução”, projetou.
 
Na reunião, Jank apresentou ao ministro os números do setor sobre o andamento da safra, o abastecimento e as perspectivas. “São números muito bons”, garantiu. Ele alegou que, além do impacto das chuvas, a aceleração dos preços deve-se a um cenário de dois anos de preços deprimidos. “A reação é natural”, avaliou
 
Se o tempo permitir, segundo Jank, a oferta será restabelecida em alguns meses. Por isso, de acordo com ele, a proposta da Unica é de manutenção da mistura do álcool anidro em 25% da gasolina. “Mudança de regra é algo sempre complicado”, considerou.
 
Quando os preços dispararam, Stephanes chegou a considerar a possibilidade de redução do mix, mas, na semana passada, descartou a hipótese, alegando que uma alteração desse tipo poderia trazer outras consequências negativas. Mesmo assim, encontros entre produtores e o governo, como o que aconteceu hoje, devem se repetir a cada 15 dias até o final dessa safra. “A grande questão é o anidro”, resumiu Jank.
Segundo ele, as exportações de álcool para os Estados Unidos e a Europa, principalmente, devem recuar 50% este ano na comparação com 2008 por conta da demanda menos aquecida. “Não vejo nenhum sinal alentador para a retomada das exportações”, disse, citando, entre outros problemas, a queda do dólar em relação ao real e também a diminuição da cotação do milho nos Estados Unidos, matéria-prima utilizada para a produção de etanol. Por isso, conforme Jank, o governo deve ficar tranquilo porque deve haver oferta de anidro mais do que suficiente.
 
 
Preço alto faz demanda cair 10% no mês de outubro
 
A demanda por etanol combustível no Brasil deve encerrar outubro com queda de 10% em relação a setembro, de acordo com informação do diretor técnico da União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues. Segundo ele, os números ainda não estão fechados mas já é perceptível uma recuo na utilização do etanol nos tanques dos carros flex em função da alta nas cotações do etanol.
 
Pádua participou ontem, em Brasília, de reunião entre técnicos do governo e do setor sucroalcooleiro onde foram apresentados dados sobre o abastecimento de etanol no mercado. O executivo ressaltou que não haverá desabastecimento e que os preços irão regular a oferta. A expectativa é de que de uma demanda mensal de 1,5 bilhão de litros, outubro já registre uma demanda de 1,35 bilhão de litros.
 
O executivo disse que não é possível estimar ainda qual será o preço em que o etanol vai se estabilizar nos próximos meses. “Dependendo da queda na demanda nos próximos meses iremos descobrindo qual será este patamar de equilíbrio”, disse. Ele acredita que, ao produtor, o preço do hidratado hoje em torno de R$ 0,97 por litro deve ultrapassar o patamar de R$ 1 por litro mas dificilmente chegará, por exemplo, ao nível de R$ 1,20 por litro.
 
Pádua disse, contudo, que em estados mais distantes da região produtora do Centro-Sul o etanol vai perder sua competitividade para a gasolina mas no Estado de São Paulo, o etanol permanecerá competitivo mesmo com a alta de preço. Ele disse que, em função dos problemas climáticos que está atrasando a moagem e reduzindo a sacarose da cana, os preços do etanol apenas irão retornar a normalidade com a entrada da próxima safra, em meados de março.
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